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Você compra pela internet?

Por Gabriella Ribeiro

Publicado em 05/08/2013

A popularização dos meios tecnológicos, como computadores, smartphones e tablets tem favorecido as compras on-line. As lojas virtuais saem do amadorismo, tornam-se mais profissionais e atrativas aos consumidores. O público passa a exigir mais e a conhecer melhor os recursos e mecanismos do comércio eletrônico. Mas e você, costuma comprar pela internet?

O especialista em mídias digitais Renan Caixeiro explica que o e-commerce, como é conhecido, deve ser pensado como um empreendimento totalmente diferente de uma loja física. “Não é uma extensão ou apenas mais um canal de venda da loja, mas um novo negócio, com características bem definidas”.

Caixeiro expõe que o principal ponto de diferenciação do comércio físico para o virtual é o modo de gerar a venda. “A questão é que as empresas devem encontrar um modo de saber como gerar o tráfego de pessoas e, depois, como fazer esse tráfego consumir. Porque a internet permite que, em dois minutos, o consumidor veja o mesmo produto em três lojas diferentes e escolha o mais barato, na maioria das vezes”.

Existem sites que fazem comparação de preços na rede. Em alguns casos, a diferença é significativa. (Foto: reprodução internet).

Existem sites que fazem comparação de preços na rede. Em alguns casos, a diferença é gritante de um site para outro. (Foto: reprodução internet).

Marli Damasceno Fernandes, 44, é dona de casa e faz compras pela internet, mas ainda se sente um pouco receosa. “Eu só compro quando tenho muita certeza de que o site é confiável, porque tenho muito medo de ter o meu cartão clonado. Porque se o produto não chegar, eu contesto na fatura, mas se clonarem o cartão, é muito mais complicado”, afirma.

A dona de casa conta que ainda prefere ver e escolher os produtos, mas que comprar on-line vale a pena em casos mais específicos. “Eletrodomésticos, por exemplo, eu gosto de comprar pessoalmente. Porque o vendedor sempre me explica qual marca é melhor e qual modelo é melhor pra mim. Mas quando é coisa pra minha casa, como cobertor, jogo de panela, essas coisas, eu já comprei várias vezes pela internet”.

Warley Martins, 25, prefere comprar de tudo on-line. “Acho chato a gente entrar em uma loja e já vir um monte de vendedoras em cima. Na internet a gente tem mais liberdade”. Ele conta que já comprou roupas, calçados, eletrônicos e jogos através do e-commerce.

Mas o forte de Warley no comércio on-line são os livros. “Como eu estou montando uma mini-biblioteca em casa, sempre aproveito as promoções de livros. Já consegui comprar uma coleção limitada que custava R$450 aqui em Juiz de Fora por R$180 na internet. O importante é a gente ficar ligado nas oportunidades”.

Muitas vezes, o preço da internet é mais competitivo do que nas lojas físicas. (Foto: reprodução internet).

Muitas vezes, o preço da internet é mais competitivo do que nas lojas físicas. (Foto: reprodução internet).

A assistente de avaliação Josiane Silva, 29, aposta nos calçados. Ela afirma que conhecer a marca e o site é crucial para a satisfação da compra. “O bom é que nos grandes [sites] a gente acompanha os comentários sobre conforto, tamanho etc. Então, conhecendo a marca, eu compro na hora. E nunca fui de ter trocar, só aconteceu poucas vezes, mas sempre deu tudo certo”.

Warley Martins nem sempre teve a mesma sorte. Ele conta que já teve problemas com o cancelamento de um pedido no cartão de crédito. “Uma vez eu tive que pagar em dois cartões, só que autorizou em um e, no outro, não. Aí chegou a demorar um bom tempo para o site me reembolsar, mas eu consegui receber o dinheiro de volta”.

A comerciante Renata Tavares, 42, passou por um problema mais sério em uma experiência de compra pela internet. “Eu comprei um celular nesses sites chineses e ele nunca chegou. Eu até recebi a caixa com os acessórios, mas o celular, que é bom mesmo, nada. Aí quando fui reclamar, o site disse que eu tinha que ter aberto o pacote na frente do carteiro e devolvido o pedido, mas eu não sabia”.

Renata afirma que não chegou a processar o site porque não conhecia, ao certo, seus direitos. “Eu acabei deixando para lá, porque fiquei muito chateada com situação e já tinha me desgastado muito, mas acho que, se acontecesse hoje, eu teria feito diferente”.

A advogada Tatiana Ragazzi explica que casos como o de Renata acontecem muito por falta de informação. “Mas hoje existem meios que auxiliam no julgamento sobre a confiabilidade de um site, como o E-bit e o Reclame Aqui, que disponibilizam avaliações e comentários sobre os endereços. O ideal é que o consumidor busque as referências daquele site antes de comprar alguma coisa, principalmente se for uma mercadoria de custo elevado”.

Para evitar golpes e desgastes com as compras on-line, Ragazzi dá dicas aos consumidores:

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Você também pode conferir aqui um guia de comércio eletrônico elaborado pelo Procon-SP.

Projeto de Lei para atualização do Código de Defesa do Consumidor tramita no Senado

Desde 15 de março desse ano, passou a vigorar o Decreto Lei nº 7.962, que regulamenta o comércio eletrônico. A presidente do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (Brasilcon), Clarissa Costa de Lima, explica que esse foi o primeiro passo para o fornecedor cumprir com a obrigação e o consumidor ter os direitos respeitados no comércio eletrônico. “Como existe um crescente notório nas vendas on-line, também aumentam as reclamações e denúncias sobre práticas abusivas na internet. E isso acontecia muito porque não existia uma regulamentação específica”.

Hoje tramita no Senado um Projeto de Lei que visa à complementação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) em relação à internet. “O Decreto de 15 de março foi muito importante para o consumidor, mas ainda não é suficiente. É preciso que seja aprovada uma lei específica para a venda on-line”, defende a presidente do Brasilcon.

Clarissa de Lima também destaca que ainda é preciso traçar e conhecer o perfil do consumidor on-line. “Ainda faltam estudos sobre isso, que são importantes para que a legislação preveja diferentes casos de defesa desse consumidor, já que a venda pela internet é muito descentralizada e não tem um consumidor com as características regionais. Abrange o país inteiro”.

Conheça o trabalho do Brasilcon nas palavras da presidente, Clarissa Costa de Lima:

E-commerce e Juiz de Fora

Idealizadas por juiz-foranos, lojas como Chico Rei, Moda Maior e Taberna do Dragão já estão estabelecidas no comércio eletrônico. São marcas que vendem exclusivamente on-line e têm públicos bem definidos. E, como apontado pelo JF Hipermídia, algumas utilizam o e-commerce como ferramenta para atingir o público em âmbito nacional.

Foi pensando na potencialidade do comércio virtual que Mauro Saar, 33, inaugurou uma marca de camisetas recentemente, a Arrasa na Camiseta. “Como eu gosto de coisas personalizadas e vi uma lacuna na produção de camisetas especializadas para o público LGBT, criei uma marca que atenda a esse mercado, que tem muito potencial”, conta.

Mauro Saar criou uma marca de camisetas para o nicho de mercado LGBT. (Foto: Gabriella Ribeiro).

Mauro Saar criou uma marca de camisetas para o nicho de mercado LGBT. (Foto: Gabriella Ribeiro).

A empresa ainda é nova e o público, conhecido de Mauro. Mas como o foco é a venda on-line, ele vai lançar o site da marca nas próximas semanas.

A intenção é fazer uma demonstração em uma feira na Cidade Rainbow, que faz parte da programação do Rainbow Fest 2013. “Como é lá que está o meu público, vou montar um stand de vendas para chamar as pessoas, deixar elas conhecerem as camisetas. E eu estou esperando para lançar o site nessa época justamente para poder dialogar com o evento”.

O empreendedor aponta o potencial de público consumidor tanto em Juiz de Fora como fora da cidade. “Aqui tem a vantagem de não ter o frete e o produto poder chegar no mesmo dia. Mas esse nicho de mercado tem potencial em qualquer lugar. E a venda on-line é isso, é poder alcançar o público fora da sua região”.

Mauro destaca que a internet oferece mais vantagem e facilidade para o comerciante em relação a uma loja física. Mas é preciso estar atento às obrigações da empresa. “O site está em fase de finalização e eu tive que observar uma série de coisas que estão previstas na nova regulamentação. O primeiro passo, por exemplo, foi registrar a empresa e obter um CNPJ”.

Recentemente, 49 lojas on-line foram autuadas pelo Procon-DF por não atenderem às exigências da regulamentação do e-commerce. Para Renan Caixeiro, especialista em mídias digitais, esse é um passo que só traz benefícios para o consumidor. “Como a gente ainda vê muitos abusos na internet, essa fiscalização ajuda no crescimento do setor. Porque você elimina quem é amador e deixa quem é realmente profissional”.

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