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Cursos e mulheres superiores

Raíra Garcia – postado em 30-04-14

 

Não é de hoje que se comenta sobre o aumento das mulheres nas instituições de educação, desde o nível básico até o nível superior. Já foi publicada uma matéria no blog sobre as mulheres na política, que ainda encontram muito preconceito para se integrarem a meios tradicionalmente masculinos.

Na Universidade Federal de Juiz de Fora, há diversos cursos e aparentemente os sexos são igualmente divididos, mas será que todos os cursos têm essa balança equilibrada?

A coordenadora do curso de Direito da UFJF, Kelly Cristine B. Sampaio, explica que a área é muito eclética e não vê uma maioria masculina ou feminina, mas acredita que a participação da mulher no curso é importante porque intensifica os principais debates atuais, como as leis ligadas aos direitos humanos. A coordenadora ainda lembrou que o direito é um curso que dá “armas” para lutar, dá conhecimento do que pode ou não ser feito legalmente e que por isso, muitas pessoas entram na carreira, para lutar por uma questão, muitas vezes, pessoal, familiar, seja aluna ou aluno.

Gráfico sobre as mulheres nos cursos superiores - fonte: http://www.jasabia.com.br/mulheres-superam-homens-na-universidade/

Gráfico sobre as mulheres nos cursos superiores – fonte: Site. Mais gráficos sobre o assunto, aqui.

Já o curso de Nutrição da UFJF, coordenado pela professora Ana Paula Carlos C. Mendes, a maioria é constituída de mulheres. Para ela, não necessariamente é algo 100% bom porque o número esmagador de mulheres em relação aos homens vem de um preconceito histórico: “ainda existe aquela ideia de que o curso deve ser feito apenas por mulheres, coisa que não procede porque há profissionais dos dois sexos, mas existe desde a história do curso a ideia de que a mulher que é responsável pela alimentação”. Ana Paula não tem previsão para uma revolução no curso, mas seu desejo é que o curso perca essa característica “de curso para mulher”.

Coordenadora do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Artes e Design da UFJF, Ana Cristina L. Barbosa, percebe que apesar da diferença não ser gritante, há mais mulheres que homens no curso, mas não acredita que esse número de deve a uma espécie de característica ou interesse, e sim porque atualmente mais mulheres têm passado nos vestibulares em geral.

Já no curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da UFJF, coordenado pelo professor Júlio César Teixeira, entram mais mulheres que homens, mas, de acordo com ele,  nos cursos de engenharia em geral, têm se formado mais engenheiras do que engenheiros: “isso acontece por vários motivos. O curso é bastante difícil e as mulheres têm mais disciplina no estudar. Outro fator, é que nós notamos que a mulher chega com uma base de ensino médio superior à dos meninos”.  Apesar disso, no mercado de trabalho, há mais homens que mulheres porque a vida do engenheiro é uma vida de deslocamentos e “a mulher se responsabiliza e se dedica mais à família do que o homem e, principalmente a chegada de um filho se transforma num obstáculo maior para elas”, explica Júlio.

O coordenador do curso de Engenharia Mecânica da UFJF, Moysés Luiz L. Jr., percebe que há muito mais homens que mulheres, mas para ele isso se deve ao interesse próprio, porque, de acordo com ele, não há preconceito quanto à entrada de mulheres no curso: “Antigamente até era masculinizado, mas hoje a gente não vê nenhum tipo de separatismo ou discriminação no curso. Nem entre os alunos e nem entre os professores, não existe mais isso.” Para se ter uma ideia de como foi árdua a entrada da mulher nos cursos de engenharia, só em 1933, Marilia D’Alva Fabiano Alves torna-se a primeira mulher engenheira (geógrafa) formada pela Escola de Engenharia de Juiz de Fora e em 1938, Dulce Palmer é a primeira mulher a se formar pela Escola de Engenharia como engenheira civil e eletrotécnica, sendo que a faculdade foi criada em 1914.

Já no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas, campus UFJF, além de alguns cursos superiores, a instituição é famosa desde que era vinculada à UFJF e atendia pelo nome CTU (Colégio Técnico Universitário), onde o ensino médio é vinculado a um curso técnico da preferência do aluno e que mais tarde passou a ministrar os cursos também separadamente. O curso de Turismo, por exemplo, foi extinto e substituído pelo curso de Eventos. A coordenadora Maria Teresa D. de Almeida Mansur, carinhosamente conhecida como Tetê, explicou que o curso sempre tem muito mais meninas que meninos e que isso se deve a características pessoais que o curso exige e que são mais ligadas às mulheres, como organização, criatividade, pro atividade e controle da situação.

Porém no curso de Eletromecânica do IF, coordenado pela professora Angélica Telles, tem a maioria esmagadora de homens “Têm três, quatro meninas numa turma de 30 pessoas”. A coordenadora vê que, proporcionalmente, as mulheres têm aumentado mais em relação aos homens, mas que ainda é um longo caminho para uma turma ficar meio a meio, por exemplo.

 

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