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Dia de homenagem aos profissionais que fazem justiça através da medicina

postado por Laís Cerqueira, 07/04/2014

Hoje, no dia 7 de abril, é comemorado o dia do médico legista — um profissional, que atráves da prática da medicina legal, auxilia e torna possível que a justiça seja exercida. Pertencem à essa área os médicos responsáveis por, entre outras atividades, realizar exames de corpo de delito – em vítimas vivas ou mortas – que possibilitam a elaboração de laudos que, por sua vez, são necessários para os procedimentos de investigação criminal e podem ser decisivos na resolução de casos judiciais. Para entender a origem da data, clique aqui.

Segundo a médica legista Dalva Andrade de Lima, a profissão possibilita um estudo profundo da medicina e a oportunidade de amparar pacientes vítimas dos mais diversos tipos de agressão. “Hoje, as pessoas estão mais esclarecidas a respeito dos seus direitos e se defendem através de denúncias de agressões”, exemplifica. “Há uma procura por uma defesa, uma proteção, e isso é muito bom.”

“Se, por um lado, o médico precisa gostar do ser humano, no nosso caso também gostamos de justiça, de esclarecimento”, afirma Dalva. “Nossa função é, também, investigar.” As conclusões tiradas pelo legista, através da análise das circunstâncias do crime sofrido pela vítima, podem integrar e consolidar inquéritos e ações penais, contribuindo para a investigação e resolução do caso.

“Um aspecto que eu gosto é a respeitabilidade da profissão”, aponta a legista Dalva. “É uma área respeitada pela jurídica e há um relacionamento respeitoso com as autoridades.” A médica também relata as dificuldades do contato com vítimas e seus entes queridos. “Hoje, atendi uma mãe desesperada que não queria que eu fizesse a necrópsia”, exemplifica. “Como explicar para essa mãe que eu estou do lado dela? Que meu trabalho era um modo de dar condições à polícia de prender quem tinha feito aquilo com o filho dela? Nós atendemos o ser humano, muitas vezes, numa hora muito trágica.”

Para ela, a responsabilidade do legista vai além da área médica. “Me faz bem isentar uma pessoa inocente e aplicar a justiça quando necessário. A medicina legal te compensa de uma forma diferente da medicina clínica. Em situações diferentes, dei a oportunidade de auxiliar uma pessoa que estava presa injustamente, e também fico muito feliz de poder esclarecer as coisas em um homicídio, por exemplo.”

 

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Formação diferenciada
O senso de justiça e a afinidade pela medicina também são os fatores que levam alunos a optar pela ocupação de médico legista. O estudante de medicina Matheus Jordão conta que, devido à sua identificação com a área, escolheu se dedicar a ela posteriormente à sua graduação. “Na verdade, eu sempre fui atraído por criminalística e ciência forense em geral. Sempre fui muito fã de histórias de detetives – cresci lendo Conan Doyle – e cinema noir. Entretando, o amor pela medicina sempre prevaleceu”, diz. “Quando descobri que poderia unir as duas coisas, me identifiquei quase de imediato.”

Sobre o que mais o atrai em relação à especialidade, Jordão também cita a sensação de justiça que se adquire após um laudo e “a engenharia inversa do pensamento forense”. “A capacidade de elaborar a cadeia de eventos que resultou no óbito é algo que me fascina, e conseguir transportar essa técnica para interpretar a última história que uma pessoa conta através dos seus restos mortais, e usá-la em um tribunal para fazer justiça, causa uma satisfação pessoal indescritível.”

“O médico legista tem que ser um investigador e estudioso, uma vez que é uma ciência viva”, volta a ressaltar a legista Dalva Andrade de Lima. “Muita gente acha que somos frios, mas eu não considero assim. Eu acho que é uma pessoa moldada para aquilo que ela gosta de exercer, que é uma medicina que tem uma repercussão social muito grande”, conclui.

Para se formar como legista, é necessário, além de se graduar em medicina, cursar a especialização em medicina legal. No Brasil, o curso é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Comissão Nacional de Residência Médica.

Confira abaixo um trecho em vídeo da entrevista com a legista Dalva Andrade de Lima:

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