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O mundo pelo toque

 Postado em 23/4/2014 as 00:40. Por, Jéssica Pereira.

Atualizado as 22:00


Deficientes visuais sofrem com falta de acessibilidade na cidade. 

A aluna Maria Inês conta como é importante o auxilio do curso para melhorar a adaptação em certos locais na cidade. Foto: Jéssica Pereira

A aluna Maria Inês conta como é importante o auxilio do curso para melhorar a adaptação em certos locais na cidade. Foto: Jéssica Pereira

 

Ser independente e não ter que se preocupar com obstáculos pelas ruas, sempre foi um sonho para deficientes visuais buscarem sua autonomia novamente dentro da sociedade.

De acordo com dados fornecidos pelo Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos mais de 500 mil habitantes de Juiz de Fora, 125 mil possuem algum tipo de deficiência. E o que mais preocupa diante este dado, é a falta de acessibilidade que a cidade se encontra.

Calçadas em condições precárias, prédios sem rampas e elevadores, ausência de orelhões e caixas eletrônicos adaptados, esses são alguns dos problemas enfrentados pelos portadores de necessidades especiais na maior parte das cidades brasileiras.

 

Em Juiz de Fora, a situação não é diferente, buracos e irregularidades nas calçadas, são motivos de grande impasse na vida de portadores de deficiência, como ressalta a deficiente visual Elizete Vieira.

“Eu tenho medo de andar sozinha no centro da cidade, porque a acessibilidade é precária, e muitas vezes já fiquei confusa, e perdida. Já me deparei muitas vezes trombando com caçambas de entulho, buracos e lixo no meio do passeio”.

 Escute o áudio da entrevista.

 

Zelando por este bem estar a Associação dos Cegos de Juiz de Fora impulsionou o curso Orientação e Mobilidade, para a reabilitação dos deficientes em meio a dificuldades encontradas no meio urbano. O curso também é voltado para educadores, estudantes, profissionais e interessados em geral que trabalham com educação e reabilitação das pessoas com deficiência.


 

Logo da Associação dos Cegos Juiz de Fora. Foto: Jéssica Pereira

Logo da Associação dos Cegos Juiz de Fora. Foto: Jéssica Pereira

 

                           Uma das iniciativas mais importantes para a garantia da acessibilidade de deficientes visuais é a colocação de pisos podotáteis. Em meados de 2012 algumas obras realizadas pela Prefeitura de Juiz de Fora tiveram o intuito de melhorar a acessibilidade da cidade instalando o material, mas que de acordo com a Professora do Curso de Orientação em Mobilidade, Flavia Bonsanto, a instalação do piso não foi feita adequadamente.

          “Existem casos onde o deficiente é conduzido pelos podotáteis para lixeiras, orelhões e placas”. Confira a entrevista completa, e saiba como ajudar um deficiente visual.

 

GALERIA DE PROBLEMAS NA CIDADE.

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Outro ponto muito relevante para a vida social dos deficientes é sobre sua autonomia. Para a pedagoga é muito importante que eles consigam romper as barreiras encontradas no seu dia dia.

“É importante eles reencontrarem o conforto e liberdade em andar sozinhos, e se sentirem iguais perante a sociedade, assim como trabalhar e estudar.”

 

Veja o quadro com o número crescente de deficientes visuais por região no pais.

Outros 29 milhões de pessoas declararam possuir alguma dificuldade permanente de enxergar, ainda que usando óculos ou lentes.

 


Orientação e Mobilidade

O curso é voltado em dois ângulos, um para os deficientes e outro para professores, educadores e estudantes, afim da área de acessibilidade. “O curso ensina técnicas de mobilidade e conceitos de orientação para que o deficiente visual possa ter qualidade de vida e mais segurança”, ressalta Flávia.

Confira outros cursos disponíveis.

O curso com direcionamento a ensino de professores na área de acessibilidade tem uma carga horária de 40 horas, e a matricula custa R$200 reais. Nesse curso, o foco é adaptar o profissional professor, para melhor atender seus alunos deficientes, com formas mais dinâmicas e acessíveis de ensinar de acordo com cada necessidade do aluno.

O curso focado aos deficientes, é o Projeto “Aprender para Ser”, que promove a habilidade de conhecer os ambientes e mover mais livremente pelo uso de técnicas especificas, adquiridas através da aprendizagem e aplicação destas praticas.

“Eles aprendem basicamente, a como segurar o braço da pessoa que pode estar auxiliando, a se sentar, procurar objetos que caem na rua, passar por lugares estreitos e se acomodarem em lugares públicos. E depois a se adaptarem a bengala, como reconhecer os obstáculos e desviarem.”

Esta parte do curso para os deficientes é voltada do instituto para as redondezas do local, onde com a ajuda dos professores eles começam a se movimentarem sozinhos pelas ruas próximas. “O aluno supera seus medos a cada quarteirão, e aos poucos eles vão conseguindo confiar neles mesmo, e desafiar os limites da sua deficiência”, explicou o presidente da instituição Lucas Diniz.

 

Veja a entrevista completa sobre a importância do curso.

 


Como se inscrever

Para fazer o curso, o interessado deve realizar sua pré-inscrição no site da Associação dos Cegos, no link “Cursos”, e aguardar o contato que será feito pela professora a partir da demanda de 30 vagas por turma.

Outras informações também podem ser obtidas pelo site ou pelo telefone (32) 2101-2475, entre 7h30 e 13h30, de segunda a sexta-feira.

Para deficientes visuais que também queiram fazer o curso, eles poderão se inscrever gratuitamente no setor de Serviço Social, pelo telefone (32) 2101-0954, a fim de terem o nome incluso na lista de espera para o curso direcionado a pessoas com deficiência visual.

O curso é ministrado aos sábados, a partir de conceitos e teorias com materiais da Secretaria de Educação Especial (SEESP) e do Ministério da Educação e Cultura (MEC).

A programação do curso para deficientes envolve conceitos de orientação como a rosa dos ventos, para que eles possam lidar com a localização dos lugares, lateralidade (direito-esquerdo), utilização dos pisos podotateis, sobre técnicas de mobilidade, que utilizam a autoproteção, ou seja, o uso do corpo como proteção, e auxiliam na adaptação com a bengala com os obstáculos nas ruas.

É importante acentuar, que a mobilidade é um direito de todos e no caso da pessoa com deficiência, algumas adequações são garantidas por lei. A eliminação de barreiras arquitetônicas, sinalização podotátil e sonora, dentre outras estão previstas no Decreto Nº 5.296/2004, que regulamenta as demandas de acessibilidade em território nacional.

 


 

Dicas de como ajudar uma pessoa com deficiência visual.

 

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