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Paralisação sinaliza chance de retorno de movimento grevista de 2012

“A UFJF está muito bem. Melhor agora que você está aqui. Seja bem vindo.” É impossível chegar ao campus da Universidade Federal de Juiz de Fora e não se deparar com a saudação aos calouros e veteranos da instituição. Preocupada com a chegada de seus mais de 16 mil estudantes, os grandes painéis espalhados pelo anel viário e pelas localidades acadêmicas confirmam o desejo da UFJF de ir além dos dizeres de contentamento por mais um início de período letivo. Ainda que a felicitação transmita a ideia de um curto prazo de validade. Pelo menos do que depender da agenda do Sindicato Nacional dos docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN).

Jefferson Oliveira, Postado em 19 de março de 2014, 11:15h

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Sindicato da classe convoca os docentes para aderirem a paralisação. Crédito: Jefferson Oliveira

Sindicato da classe convoca os docentes para aderirem a paralisação.
Crédito: Jefferson Oliveira

Por deliberação do ANDES-SN, nesta quarta-feira, dia 19 de março, os docentes da UFJF e do IF Sudeste MG programaram uma paralisação por melhores condições de trabalho, reestruturação da carreira docente, valorização salarial de ativos e aposentados e por respeito à autonomia universitária.

Em Juiz de Fora, a Seção Sindical do ANDES – SN (Apes JF) convida o Sindicato dos Trabalhadores Técnico – Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino no Município de Juiz de Fora – MG (Sintufejuf) – já em greve desde o dia 17 de março – e demais entidades dos Servidores Públicos Federais para um ato público que efetivamente comprova a intensa articulação nacional e regional dos docentes por suas principais reivindicações.

A paralisação é a ponta do Iceberg que aprofunda-se na discussão da retomada da mais longa greve do movimento docente, deflagrada e suspensa em 2012. Para o Presidente da Apes JF e professor do IF Sudeste MG, Paulo Ignácio “o sindicato nacional tinha uma proposta que não foi contemplada. O governo fez modificações na carreira, mas que ao invés de melhora-la, tornaram-na mais confusa ainda”.

Segundo o representante do movimento docente as propostas de modificação de carreira não iam ao encontro daquilo que os professores esperavam. Ao analisar os resultados obtidos durante a última greve, Paulo Ignácio avalia que “o professor está vendo que a forma desrespeitosa com que o governo trata os docentes continua”. Para ele os atuais debates apontam para uma greve unificada nacionalmente e a definição de estratégias de luta e renegociação.

Paulo Ignácio, Presidente da Apes JF na sede do sindicato

Paulo Ignácio, Presidente da Apes JF na sede do sindicato. Crédito: Jefferson Oliveira

Os eixos da campanha unificada de 2014 também preveem uma segunda rodada de assembleias em todo o país. Na sede da Apes JF, no campus, ocorrerá dia 26 de março, a partir das 9 horas, a assembleia geral local, que irá discutir a pauta sobre o fim da suspensão da greve de 2012 e outras especificidades. Com a assembleia, ainda não será possível fazer uma previsão sobre o retorno ou não da greve, segundo o Presidente da Apes, Paulo Ignácio. Para ele, essa resposta só se concretizará após uma reunião que acontecerá em Brasília nos dias 29 e 30 de março, que avaliará as assembleias regionais.

Em nota enviada ao site da revista Veja, o Ministério da Educação (MEC) considera “prematura a paralisação das atividades”. Segundo a pasta, “todos os esforços estão sendo feitos por parte do governo” para viabilizar os termos do acordo firmado em 2012 com a categoria.

Docentes versus Discentes

“Isso não é greve, é férias Premium”, dispara a aluna do sétimo período de Comunicação Social, Elisa Silva, que afirma que o movimento grevista no Brasil não existe, mas apoia as reivindicações da classe. Elisa, que está com a festa de formatura marcada para a próxima semana, recém-chegada de um intercâmbio em terras lusitanas, não acredita que a reposição das aulas pós-greve seja eficaz. “A greve prejudica os alunos e afeta a formação que não se dá de forma continuada”, acredita.

Para Bárbara Maria, que se forma esse ano, o saldo grevista também não é positivo. “Pra gente que mora fora é ruim, por que não sabemos se ficamos aqui, se voltamos para casa, temos que pagar aluguel mesmo em tempo de greve, e não dá para ter aulas em pleno verão”, afirma a estudante do Instituto de Artes e Design da UFJF. O calouro de enfermagem Raí Gabriel de Castro acredita que “todo ônus gerado pela greve não é compensado pelo retorno. É um desgaste grande para pequenos resultados”, enfatiza ao afirmar que uma greve atrasaria seus planos e colocaria em xeque sua formação.

Por volta das oito da manhã um dos pontos mais movimentados do campus estava praticamente vazio neste de paralisação. Crédito: Jefferson Oliveira

Por volta das 8 da manhã um dos pontos mais movimentados do campus estava praticamente vazio neste dia de paralisação. Crédito: Jefferson Oliveira

O presidente do Apes JF, Paulo Ignácio argumenta que os professores que estão à frente do movimento grevista trabalham dobrado, bem como professores que estão na base do sindicato. “Vários companheiros vão para o comando nacional de greve, ficam vários dias longe da família em Brasília […] Não é verdade essa história de férias Premium, mas admito que nem todos os professores participam ativamente das atividades que a gente desenvolve durante a greve”.   Ignácio conclui que é preciso ter cuidado ao se pensar a greve, ao entender que a universidade federal não seria o que é hoje se não fossem as greves históricas da classe docente.

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