Skip to content

Jornalismo e Direitos Humanos: relação mútua?

Gilberto Faúla
publicado em 20/11/13

Em 1789, na França, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão inaugura um período da história, em que os homens possuem a legitimidade para falar de suas necessidades e expressar como entendem, a cada época, os valores como liberdade, igualdade e fraternidade. O Jornalismo , germinado no século XVI, exerce o papel de dar visibilidade às questões que envolvem os direitos humanos. Nesta quinta-feira, 21 de novembro, a Faculdade de Comunicação da UFJF recebe a visita do jornalista e vencedor do Prêmio Jabuti, Audálio Dantas, para a palestra “Jornalismo e Direitos Humanos”, o que contribui para discutir como se mantém a relação entre esses dois temas.

Em alguns canais brasileiros, geralmente na hora do almoço e no fim da tarde, oferecem programas cujo os apresentadores comentam as situações rotineiras e em grande parte, orquestram decisões e atitudes de casos de violência urbana. Mas a maneira como o fazem requer questionar a maneira em que o respeito aos direitos humanos é contemplado.

O vídeo abaixo mostra a jornalista Mirella Cunha do programa Brasil Urgente da Rede Bandeirantes da Bahia, em maio de 2012 , durante uma entrevista humilha na cadeia um suspeito de roubo e tentativa de estupro. Acompanhe:

O vídeo causou indignação em todo o país depois da exibição de matéria e foi replicado nacionalmente pela internet.  A jornalista foi processada pelo Ministério Público Federal da Bahia por indícios de abuso de autoridade, ofensa a direitos da personalidade e exposição de preso em programa televisivo. A rede Bandeirantes também teria demitido sua funcionária, segundo informações do portal de notícias Brasil 247.

O professor da Faculdade de Comunicação da UFJF, Weden Alves, comenta que programas como este ferem em todos os sentidos os direitos humanos. Ouça:

Por outro lado, na mesma televisão brasileira, e na mesma profissão, existem casos em que se tem um cuidado para não ofender pessoas e dar visibilidade às questões dos direitos humanos.

O vídeo abaixo está entre os mais assistidos do portal online do programa O Profissão Repórter , da TV Globo, encabeçado pelo jornalista e escritor Caco Barcelos. O tema é um dos mais delicados e talvez é o crime mais temido pelas mulheres: o estupro.

Professor Weden Alves destaca que as mídias alternativas cumprem um importante papel na valorização do ser humano.

Outros exemplos, na plataforma do impresso, podem ser lembrados.

Escritor e Jornalista Audálio Dantas (foto: José Patrício/AE)

Escritor e Jornalista Audálio Dantas (foto: José Patrício/AE)

O palestrante do evento de amanhã no Anfiteatro da Facom, às 9 horas, Audálio Dantas, também vai lançar o livro “As duas guerras de Vlado Herzog”. O livro foi vencedor da ediçao 2013 de um dos mais renomados prêmios de literatura do Brasil, o prêmio Jabuti, na categoria reportagem. A história parte da saga da família Herzog em sua fuga da Iugoslávia, para longe da guerra que atingia a Europa e perseguia os judeus. Depois, no Brasil, a história perpassada pela prisão na ditadura militar, pela tortura e morte episódio que marcou a história dessa família e da luta política no país.

Entenda o caso Vladimir Herzog:

Um exemplo oriundo da cidade de Juiz de Fora é o livro-reportagem da premiada jornalista Daniela Arbex, “Holocausto Brasileiro”. Ele resgata do esquecimento um dos capítulos da barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena. Ao fazê-lo, a autora traz à luz um genocídio cometido, sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de médicos, funcionários e também da população, pois nenhuma violação dos direitos humanos mais básicos se sustenta por tanto tempo sem a omissão da sociedade.

Pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros da Colônia. Em sua maioria, haviam sido internadas à força. Cerca de 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças. Acompanhe o vídeo:

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: