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Movimentos poéticos são crescentes em Juiz de Fora

A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem”, citou Arnaldo Antunes. Antigamente as poesias eram escritas com o objetivo de facilitar a memorização dos fatos, já que as rimas e palavras afins facilitavam a associação. Atualmente, é considerada uma das sete artes e uma das maiores formas de expressão.

A escritora e historiadora juiz-forana Lázara Papandrea acredita que a inclinação para a poesia já nasce com a pessoa, e as influências que sofre durante a vida interfere no desenvolvimento ou não do olhar poético. “penso que nasci pensando poesia, vendo o mundo por uma ótica poética, mas o que ajudou mesmo foi a leitura precoce de poesia. O que inspira pode ser muita coisa. Desde a política até um olhar ou uma flor. É um emaranhado de coisas”, afirma a escritora.

Há em Juiz de Fora movimentos literários, como o Café, poesia e arte. O movimento surgiu há cinco anos, fruto de uma conversa entre Maria Helena Sleutjes e Ana Maria Mendes Másala. As escritoras se conheceram através de um site literário, e depois de se conhecerem pessoalmente surgiu a ideia do café literário. O projeto visa agregar poesia, arte, cultura, e dar oportunidades para os autores juiz-foranos apresentarem seus trabalhos ,além de levar ao público alguns eventos sobre a vida e obra de poetas já consagrados.

Lázara acredita que não é só a arte de fazer a poesia que depende da bagagem literária, mas também é necessária para o entendimento e principalmente em relação ao interesse em participar de movimentos literários como o Café com Poesia e arte. “A poesia não penetra em todas as camadas. Os que lêem ou participam de encontros poéticos na cidade são aqueles que chegam por afinidade, porque são leitores, gostam ou já escrevem. Esses já possuem uma bagagem literária. Fora desse círculo poucos conhecem os autores juiz-foranos. Mas, por outro lado há um ambiente cultural propício na cidade em que sinto cada vez mais as pessoas se achegando, se interessando pelos movimentos literários que acontecem”, citou Lazara.

O estudante e poeta Paulo Fernando Santos sentia falta de um espaço na UFJF para compartilhar sua arte e trocar experiências e referências, então publicou em um grupo da universidade no Facebook um post perguntando se alguém tinha o interesse de montar um grupo sobre isso. Em pouco tempo teve mais de trinta curtidas e o grupo Sociedade dos Poetas Juizforanos foi criado. O espaço era dedicado a exposição de textos próprios e autores consagrados, e em pouquíssimo tempo se expandiu dando lugar a exposição de todo tipo de arte própria, passando posteriormente para o espaço físico com a organização de recitais periódicos. “Inicialmente era um espaço interno da UFJF mas se expandiu e hoje tem gente do Ceará, Amazonas, Bahia… Acabou se tornando um meio de divulgação da arte em geral”, afirmou Paulo.

Segundo o estudante de filosofia e poeta Pedro Uchoas, os poetas juiz-foranos tem uma particularidade: a poesia é feita em sua maioria na forma de poesia beat, anti-conformista e tratando-se de temas políticos. “A poesia é utilizada como avaliação da situação política e das modificações nas relações humanas em um período de tempo. Além disso, em Juiz de Fora ela é muito mais voltada para um quase abandono da poesia clássica e métrica tradicional”, disse Pedro.

A publicação de livros não é tão simples. Mesmo com a Lei Murilo Mendes que facilitou o processo, ainda é muito burocrático e não é tão simples conseguir publicar. A escritora Lazara já publicou um livro em 2011 e está tentando publicar novamente esse ano, mas está tendo dificuldades no processo “. A prefeitura precisa democratizar mais esse processo, tornar mais simples para o leigo, principalmente para o jovem que nunca DSC_3142publicou. Fazer um livro dá muito trabalho :revisão, diagramação, capa e custos e mais custos. A salvação hoje é a internet os blogs, as revistas literárias, as páginas nas redes sociais”, citou Lazara. Além disso, segundo o poeta Paulo Fernando Santos há outro problema na publicação de livros na cidade. Segundo ele, Juiz de Fora tem um bom cenário cultural e as pessoas recebem bem esse tipo de arte, mas o mercado literário é complicado: há vários poetas que conseguem publicar mas precisam vender seus livros no calçadão, por exemplo.

O escritor e professor de literatura da UFJF André Monteiro discorda dessa dificuldade. Na última quinta-feira ele publicou o livro “Cheguei atrasado no campeonato de suicídio”, na Livraria Liberdade. O livro é uma antologia de textos já publicados por ele desde os anos 90. Segundo ele, o espaço para poesia em Juiz de Fora cresceu desde a inauguração do ECO, em 2008, que marcou um boom de poesia em Juiz de Fora. Era realizado na antiga casa Mescla, e o ECO contava com o “microfone aberto”, que era uma possibilidade de qualquer pessoa divulgar as poesias que até então estavam na gaveta.

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Quem tiver interesse em participar do grupo Sociedade dos poetas juizforanos é só mandar uma solicitação no grupo que todos são aceitos. Se alguém tiver interesse em participar do Café com Poesia e Arte, no dia 28 próximo às 18;00 haverá um encontro informal na Livraria Liberdade. É interessante levar um poema, um conto, uma crônica, uma prosa para partilhar com o grupo. No dia 16 de julho às 19:00 no MAMM haverá uma palestra sobre a vida e a obra da escritora mineira Adélia Prado.

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