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Parabéns?

Raíra Garcia – postado em 07/04/14

 

cartaz_dia_do_jornalismo_201012Hoje, dia 7 de abril é comemorado o dia nacional do jornalista. A versão mais consistente da escolha da data para homenagear esses profissionais, deve-se ao período do Império. Em 22 de novembro de 1830 foi assassinado por inimigos políticos, o médico e jornalista João Batista Líbero Badaró, no estado de São Paulo. João Batista chegou ao Brasil em 1826, aos 28 anos de idade. Três anos depois, fundou o jornal “Observador Constitucional”, onde denunciava os desmandos e excessos cometidos pelo governo de Dom Pedro I.

Líbero Badaró foi um dos primeiros a escrever no Brasil em defesa da liberdade de expressão, refutando sempre a tese de que os abusos praticados pela imprensa justificam o cerceamento da liberdade.  Após sua morte, aumentaram o descontentamento e os protestos contra o absolutismo de D. Pedro I, que abdicou em 7 de abril de 1831. Esta data foi então escolhida como o Dia do Jornalista pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em 1908.

As funções de um jornalista vão além do que meramente informar. A primeira função de um jornalista é transformar informação em notícia classificando o que é e o que não é importante. Além disso, é necessário adequar a linguagem de modo que um leitor leigo possa entender o assunto, assim como um leitor entendedor, não ache o texto banal.

Quando alguém decide entrar para a faculdade de jornalismo (ou comunicação social) se depara com um ambiente pessimista. Descobre que o jornalista é mal remunerado, não tem jornada de trabalho, muito menos horário para realizar suas coberturas. Se explodir uma bomba no Congresso Nacional às 3 da manhã, não da para esperar o expediente começar para agir. Os jornalistas vão (ou deveriam ir) na contramão do sistema, denunciando irregularidades, flagrando injustiças, comprando brigas, fazendo grandes inimigos, e, isso é um tanto quanto perigoso.

Tem sido um desafio compreender a atual posição do jornalista, já que a tradição tem sido cada vez mais engolida pelos modernos meios midiáticos. Com 16 anos de jornalismo, Presidente do Sindicato dos jornalistas de Juiz de Fora, Ricardo Miranda, percebe que na cidade, em média se formam por semestre, cem jornalistas, mas que trabalhando com jornalismo mesmo tem sido bem raro. A maioria tem ido para área de publicidade e assessoria de imprensa. As plataformas da internet mudaram o formato jornalístico, tanto na atuação, quanto na recepção dos leitores.

“Não é só em Juiz de Fora, nos principais centros as empresas não estão sabendo lidar com essa situação [mudança no formato da profissão]. jornalista_em_desenhoExiste uma queda de receita publicitária principalmente no impresso e nas revistas regionais. Em contrapartida, os assinantes não crescem. Tenta-se um modelo degustação [até certo número de acessos é gratuito. Após esse limite, passa a ser pago] nos portais virtuais dos meios, mas isso ainda não se solidificou. Até a audiência do jornalismo na TV caiu. E ai, vem a reação mais antiga dos empresários: redução de custo e precarização das relações trabalhistas”, explica Ricardo.

Para se manter ativo, o jornalista acaba fazendo acordos: “Trabalha cinco horas por dia, mas estão acordadas somente duas e, percebe-se a queda do nível salarial”, comenta Ricardo. Essa situação atinge, e muito, o mercado jornalístico: “jornalista bom, com visão amadurecida da área que atua, com boas fontes, com texto preparado; esse profissional acaba sendo caro e ele sai do mercado. Aqui em Juiz de Fora, a gente tinha sucursal do O Tempo, Hoje em Dia, Estado de Minas. Hoje não tem mais nenhum: política de redução de custo”.

Os cursos estão tentando adaptar seu currículo, mas o mercado de trabalho está escasso. Há novos canais midiáticos, mas, de acordo com Ricardo, quem se formou até o ano 2000, está saturado. É um período de “transição e insegurança”. No entanto, é difícil ver um profissional que tenha responsabilidade maior com a sociedade do que o jornalista, no que tange mostrar a verdade. Apesar de rumores de que qualquer um pode ser jornalista, a diferença está exatamente na qualidade do conteúdo, na responsabilidade, na formação, no tratamento.

Mas Ricardo, não acredita que tudo são espinhos.Para ele, os meios tradicionais precisam se adaptar e aceitar que o jornalismo tradicional já não existe com tanto fervor: “já que o factual está difícil, a saída é focar no conteúdo. Noticiar um atropelamento é fácil. Tem que ver o contexto disso dentro da cidade, dentro do trânsito caótico da cidade e isso exige um jornalista bem treinado. Tem que se investir no exclusivo. Trabalhar com factual é importante, mas o conteúdo é a saída. As pessoas vão ler o jornal porque só o jornal tem tal informação. E eu não vejo isso nos jornais daqui, que tentam competir com o factual. É impossível. Por exemplo, o ‘JF da depressão’ [página no facebook] é muito mais atualizado do que o site da tribuna.”

Ricardo lembra à quem está pessimista quanto à profissão “As empresas mais lucrativas do mundo são de comunicação. A comunicação continua sendo um ótimo negócio e agora, é ver como nós, jornalistas, vamos nos posicionar nisso ai. O papel do jornalismo vai ser sempre importante, só que nós temos que saber aonde vamos estar.”

O estudante de Comunicação Social na UFJF, Rômulo Rosa, termina seu curso no final desse semestre e tem alguns desejos para seu futuro. A área do jornalismo que mais gosta é a de áudio/visual e quer com documentários. Para isso, ele pretende sair da cidade e rapidamente se estabilizar financeiramente. Quanto à sua passagem pelo curso de Comunicação acredita que algumas questões estão um pouco defasadas, mas que o mais importante são as oportunidades oferecidas como os treinamentos profissionais, quando é possível ter uma experiência prática. Para ouvir a entrevista com Rômulo, clique aqui.

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