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Um compromisso com a honra: conheça o movimento escoteiro

Por Laís Cerqueira, postado em 23/04/2014

O escotismo — movimento que, atualmente, é mundialmente conhecido e difundido — foi fundado no início do século passado, em 1907, por um tenente-general do Exército Britânico chamado Robert Stephenson Smith Baden Powell. Voltado em cultivar conceitos que priorizam a honra, o escotismo de dispõe a desenvolver jovens desde os seis anos e meio de idade através de atividades em equipe e vida ao ar livre.

(Foto: Arquivo Pessoal/Larissa Pires)

(Foto: Arquivo Pessoal/Larissa Pires)

O movimento caracteriza-se, especialmente, por seu caráter educacional, voluntário e sem fins lucrativos. Segundo o portal dos Escoteiros do Brasil, o escotismo estabelece sua didática através da valorização de conceitos como altruísmo, disciplina, fraternidade, lealdade, respeito e responsabilidade. Os princípios dos escoteiros ditam que seus seguidores possuem “dever para com Deus” (independente da crença), “dever para com os outros”, focando em uma participação humanitária na sociedade, e “dever para consigo próprio”, para que ocorra um crescimento e auto desenvolvimento saudáveis.

Entenda os ramos do escotismo
Dentro do movimento, existem quatro ramos que abarcam jovens de ambos os sexos entre as idades de 6 anos e meio até 21. O primeiro é ramo chamado “Lobinho”, voltado para os ensinamentos iniciais relativos à vida no campo, vida em equipe e liderança. São chamadas de lobinhos as crianças entre 6 anos e meio e dez anos de idade, e o grupo que as reúne é denominado Alcateia. Esse ramo tem sua base inspirada no Livro da Jângal, ou Livro da Selva, que conta a famosa história de Mogli, o menino-lobo.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

O participante recebe a denominação de escoteiro quando entram para o ramo homônimo, chamado de Tropa Escoteira, que recebe jovens de 11 até os 14 anos de idade. Nesta etapa, os ensinamentos de lobinho são aprofundados, dando-se atenção para o respeito mútuo entre os indivíduos e respeito à natureza. Divide-se a tropa em patrulhas, com 5 a 8 integrantes cada, e cada patrulha elege seu monitor, além de características únicas como um símbolo próprio, um nome, um animal, uma estrela ou uma constelação, entre outras.

Os adolescentes de 15 a 17 anos pertencem à chamada Tropa Sênior ou Guia, que também se divide em patrulhas e tem como proposta oferecer maiores desafios para que, dessa forma, os jovens se habituem e adquiram habilidades para superar obstáculos morais, intelectuais e físicos.

Por fim, os integrantes entre 18 e 21 anos são conduzidos para o Clã Pioneiro, o último ramo do escotismo, que institui como lema do pioneiro como “servir”. Neste ciclo, o foco é integrar o jovem adulto à sociedade através de aspectos como serviços voltados para a comunidade e exercício de cidadania. Os pioneiros possuem liberdade e responsabilidade para sugerir e programar as próprias atividades dentro do grupo de escotismo, além de serem orientados pelos chamados mestre pioneiros ou mestras pioneiras.

Para conhecer mais a fundo as atividades e deveres que cada ramo pode proporcionar, clique aqui.

Para compreender outras características do movimento escoteiro, veja o vídeo abaixo:

 

Impactos positivos em jovens
A estudante Paola Aragão, que participou ativamente do movimento escoteiro por quatro anos, integrou o Grupo Escoteiro Aimoré — o primeiro de Minas Gerais –, localizado no bairro Bom Pastor, em Juiz de Fora. “Minha tia e madrinha era chefe lá e me chamou para conhecer”, conta. “Desde pequena eu ia aos eventos do grupo, como churrasco, festas, rifas, tudo para arrecadar fundos. Então, para virar membro, foi um pulo.”

“Eu aprendi muito no movimento escoteiro”, afirma Paola. “Aprendi a viajar sozinha, a ser independente, a me virar em situações difícieis, a trabalhar em grupo, a respeitar pessoas diferentes, porque lá tem pessoas de todos os tipos, todas as cores e classes socioeconômicas”, cita. “Eu viajava muito com o movimento, sempre tinha uma excursão, um acampamento ou um evento, ou seja, mais oportunidade de aprender. Acho que praticamente todas as experiências que eu tive lá foram positivas.”

(Foto: Arquivo Pessoal/Larissa Pires)

(Foto: Arquivo Pessoal/Larissa Pires)

A irmã de Paola, Patrícia Aragão, também se juntou ao movimento escoteiro. “Além de tudo isso, há os estudos do lobinho, as especialidades”, aponta Patrícia. “Para tirar uma especialidade é preciso mostrar conhecimento de determinado assunto, e às vezes, até ensinar para os outros lobinhos da alcateia. Os esforços são recompensados. Creio que o escoteiro prepara para a vida”, afirma. “É ótimo que a criança participe, de preferência desde cedo. Faz muito bem, tanto para a formação humana, quanto como atividade física para a criança.”

As amigas Larissa Diez e Larissa Pires, ambas de 21 anos, são escoteiras há 14 anos desde que se conheceram no Grupo Escoteiro Dom Bosco, que fica na cidade de Campinas, em São Paulo. Larissa Pires permaneceu no grupo, enquanto a amiga integra, atualmente, o Grupo Escoteiro Neemias no município de Paulínia, localizado na microrregião de Campinas.

Em entrevista, Larissa Diez relata que teve muitas experiências boas dentro do escotismo e que, ao seu ver, todas valem à pena. “Eu acho a proposta uma coisa muito bacana”, alega. “Ensina valores que influenciam na formação do caráter, mesmo, e isso é feito de uma maneira criativa — através de jogos, atividades diferentes, acampamentos”, exemplifica. “Incentiva o espírito de equipe e também a consciência ecológica.”

Confira abaixo um trecho da entrevista com Larissa Diez, durante o qual ela explica porque considera o escotismo recomendável para crianças.

Larissa Pires também contou um pouco de sua trajetória no grupo escoteiro — ela foi levada a integrar o movimento devido a um conselho do pai, que tinha sido escoteiro na adolescência. “Fui tentando até encontrar um grupo que eu gostasse, que foi o Dom Bosco, no caso. Hoje, eu atuo lá como chefe”, diz, se referindo à posição de chefe escoteira, responsável por coordenar as atividades dos membros mais jovens. “A partir dos 21 anos, a gente se torna voluntário para ser chefe. Eu vejo os lobinhos me chamando, ‘chefe, chefe!’, e penso: ‘é comigo!’. No começo é estranho, mas é legal”, brinca. “Eu recomendo o escotismo desde os sete até os cem anos.”

Confira abaixo um trecho da entrevista com Larissa Pires, que discorre sobre os atrativos do escotismo que a fizeram permanecer no movimento por 14 anos.

 

A experiência de chefe escoteira

(Foto: Arquivo Pessoal/Larissa Pires)

(Foto: Arquivo Pessoal/Larissa Pires)

Vera Diez, mãe da Larissa Diez, ingressou no movimento escoteiro aos 41 anos, já ocupando a posição de chefe escoteira. Ela conta que a vontade de integrar o movimento vem desde criança, quando ela, infleizmente, não pode cumprir o desejo. “Mas quando meus filhos entraram, passei a acompanhar”, contrapõe. No início, ela ministrou atividades de ginástica, devido à sua formação em Educação Física. No entanto, em pouco tempo, ela e o marido se tornaram participantes do Grupo Escoteiro Dom Bosco, onde Vera atuou por 11 anos. Atualmente, ela trabalha no Grupo Escoteiros Neemias, dessa vez como diretora presidente, entrando em seu segundo mandato.

“Depois que virei chefe escoteira, minha vida mudou. Passei a ter outra visão, a fortalecer meus valores”, atesta. “E também vi isso acontecer com meus filhos”, diz, referindo-se à Larissa Diez e seu filho mais velho. “Eu percebo que os valores deles são diferenciados, mais fortes em relação à vida, ao respeito, à lealdade… Eles são dispostos a ajudar os outros a qualquer momento.”

Vera também lembra os trabalhos que realiza junto aos jovenso dos grupos. “Nós trabalhamos a parte social, física, espiritual, intelectual, afetiva. Eu aprendi um pouquinho sobre cada religião e convivi com valores diferentes. É muito legal. A pessoa fica mais centrada e focada em cocneitos que trabalhamos bastante, que são honra, lealdade e fraternidade.”

Confira abaixo um trecho em áudio da entrevista com Vera Diez. Nele, a diretora relata as experiências gratificantes que o movimento escoteiro a proporcionou.

Experiências marcantes

(foto: Arquivo Pessoal/Larissa Pires)

(foto: Arquivo Pessoal/Larissa Pires)

As jovens também lembram de momentos marcantes que viveram no escotismo. “Acho que os acampamentos, ou acantonamentos, no caso dos lobinhos, são os melhores. A gente brincava, aprendia coisas interessantes e na noite de sábado, tem o Fogo do Conselho”, conta Paola, ex-escoteira. “Acho que é a melhor parte. Fazemos uma fogueira, nos divertimos, estreitamos a amizade, refletimos sobre as coisas que não deram muito certo, pedimos desculpas, cantamos, brincamos, lembramos das pessoas especiais que já não estavam mais com a gente… É emocionante, alegre e acolhedor. Até quem não é escoteiro gosta de participar.”
A irmã de Paola, Patrícia, que também foi lobinha quando mais jovem, descreve com carinho suas lembranças. “Me lembro de quando consegui tirar o ‘cruzeiro do sul’, grau máximo que um lobinho pode chegar. Ele envolve várias atividades e é muito gratificante. A entrega é feita na frente de todos os grupos de escoteiros, na cerimônia de abertuda da semana da pátria. Foi uma conquista emocionante para mim.”

 

(Foto: Arquivo Pessoal/Larissa Pires)

(Foto: Arquivo Pessoal/Larissa Pires)

Larissa Diez, no movimento há 14 anos, relembra um acampamento singular. “Foi um acampamento nacional que teve a presença de escoteiros internacionais, da Argentina e do Paraguai, que aconteceu em Foz do Iguaçu”, comenta. “Durou quase uma semana e foi muito bacana ter esse contato com pessoas diferentes. E, ao mesmo tempo em que tivemos brincadeiras e tempo para conhecer as cataratas, também precisamos usar uma parte mais técnica dos escoteiros, que foi construir um bote de bambu para fazer um percurso no lago.”

Já a vivência de Larissa Pires, também no movimento desde os 7 anos de idade, vai além das boas e marcantes recordações — segundo ela, suas atividades como escoteira a auxiliaram, inclusive, na escolha de sua carreira profissional. “Me influenciou muito na minha escolha”, declara. “Lembro que fizemos um trabalho com a Apae [Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais] quando eu era pequena, por volta dos meus 12 anos. Foi um dia de atividades escoteiras cmo pessoas que possuiam deficiência intelectual. Outra coisa que me marcou foi o fato de um amigo ter um irmão com Síndrome de Down”, ela recorda afetuosamente. “Ele sempre acompanhou a gente, e sempre nos preocupamos em adaptar as atividades para ele, em fazer os outros respeitá-lo, e ele também respeitar os outros. Olhando isso hoje, eu vejo como influenciou na minha escolha de profissão.”

Larissa Pires optou pela Terapia Ocupacional, área de trabalho que ela explica abaixo, em um trecho em áudio da sua entrevista:

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