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Mascarenhas, sempre cultura

“Mascarenhas minha musica” nasce em comemoração aos 30 anos de “Mascarenhas meu amor”

Publicada por Jessica Lobato em 04/04/2014

1965587_294134584069134_1131564677_oA Fundação Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) e o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), estão com uma programação musical especial a partir desse mês. Trata-se do “Mascarenhas minha música”, projeto que nasceu para comemorar os 30 anos do movimento “Mascarenhas meu amor”.O “Mascarenhas minha música” estreou na última quarta-feira, trazendo atrações musicais locais, com o objetivo de valorizar a nossa música. Os shows serão realizados durante todas as quartas-feiras até o mês de novembro.

Neste mês de abertura da atração, os artistas foram convidados a compor a programação. São eles: Caetano Brasil e Dudu Lima Trio, Quinteto São do Mato, o pianista Márcio Hallack, o violeiro Fabrício Conde e o pianista Rafa Castro. Para os outros meses, será criado um regulamento que norteará a seleção de propostas de shows e será divulgado oportunamente.

Para o diretor do CCBM, Zezinho Mancini, A ideia é aproximar os artistas do CCBM. ele pretende transformar o teatro em um novo espaço para difusão da música, principalmente autoral. A prioridade é para artistas que vêm desenvolvendo sua própria linguagem, mas os shows não serão totalmente autorais, destaca Zezinho. As entradas podem ser adquiridas por R$ 5 na portaria do CCBM, de terça a sexta-feira, das 9h às 21h, e aos sábados e domingos, das 10h às 21h.

Assista o video sobre o projeto

Maiores informações sobre o evento, consulte a página do CCBM no facebook

 

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Um pouco da história

A companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas prosperou por muito tempo, mas com o passar dos anos e com o mercado cada vez mais exigente, a empresa foi ficando para trás. A região da Zona da Mata mineira, após chegar ao ápice na corrida da industrialização, decaiu bruscamente, com a estagnação econômica. Sua situação foi ao extremo. A fábrica foi se definhando até ser abandonada. O jornalista, Jorge Sanglard, visitou a fábrica na época, e conta sobre o estado ao qual ela se encontrava: “Lá, antes de fechar, funcionava só como uma revenda de malhas. Partes do terreno estavam entregues por dívidas ao Estado e a Prefeitura. Ao visitar o local, eu fiquei estarrecido, na escada quando você pisava em um degrau ele afundava. A fábrica não tinha mais vidros, ela estava completamente devastada.”

fabrica bernardo mascarenhas resA fábrica com uma área de mais de 10 mil metros quadrados e uma imponente arquitetura, era paisagem frequente do dia-a-dia de milhares de juiz-foranos que frequentavam as ruas do centro da cidade.

Havia um movimento em torno de artistas e intelectuais em Juiz de Fora na década de 80. Essas pessoas se mobilizavam para movimentações com fins culturais. O jornalista Jorge Sanglard relembra: “Os espaços de Juiz de Fora não tinham teatro. Na época, havia o Pró-musica que era uma sala, mas não era um teatro e tinha o Cinte-Theatro-Central, que era particular. A ideia inicial do pessoal do teatro era que o “Central” virasse o Teatro Municipal de Juiz de Fora.

Os artista Henrique Simões, relata que em 1983, ele e o também artista Gueminho Bernardes, resolveram partir em “busca” de outro espaço na cidade que pudesse ser utilizado como Teatro. Eles lembraram do espaço que abrigava a antiga Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas. Segundo Henrique: “Inúmeras adesões surgiram. Em primeiro lugar, dos jornalistas Walter Sebastião e Jorge Sanglard, que obtiveram de Juraci Neves, proprietário do jornal Tribuna de Minas e Rádio Solar, total apoio ao movimento que se intitulou “Mascarenhas meu amor”.

“Mascarenhas , meu amor”

A antiga fábrica de tecidos pertencia, desde 1979, por decisão judicial, ao Estado de Minas Gerais, a Receita Federal e ao antigo Iapas. O encerramento total de suas atividades, aconteceu somente em 14 de janeiro de 1984. O movimento defendia a transformação da antiga fábrica têxtil em um espaço artístico.

Mascarenhas_meuamor“Mascarenhas, meu amor” se desenvolveu e ganhou forças, atingindo seu maior episódio no manifesto contendo milhares de assinaturas e na passeata realizada no dia 30 de julho de 1983. Uma passeata cultural reunindo renomados intelectuais, jornalistas, artistas plásticos, escritores, atores, músicos, fotógrafos, professores e estudantes de Minas Gerais e de todo o Brasil, além de parte da comunidade de Juiz de Fora. Participaram da passeata, dentre muitos outros: Rubem Fonseca, Affonso Romano de Sant’Anna, Marina Colasanti, Carlos Bracher, Fani Bracher, Nivea Bracher, Decio Bracher, Dnar Rocha, Rui Merheb, Jorge Arbach, Renato Stehlling, Rachel Jardim, João Guimarães Vieira (Guima), Roberto Vieira, Arlindo Daibert, César Brandão, Fernando Pita, Walter Sebastião, Martha Sirimarco, Luiz Ruffato, Fernando Fiorese, Kim Ribeiro, Henrique Simões, Jorge Sanglard e Guilherme Bernardes.

Era dia de visita de Tancredo Neves, governador do estado na época, que vinha a Juiz de Fora receber uma Comenda. O manifesto, com milhares de assinaturas, foi entregue ao governador, na Câmara Municipal de Juiz de Fora. Quando Tancredo Neves viu todas aquelas assinaturas e soube da reivindicação daquele espaço, ele anunciou na frente do prefeito, que faria a doação da parte que pertencia ao estado para a prefeitura, desde que o espaço fosse usado para fins culturais.

Passado isso, a prefeitura negociou a parte do terreno da Receita Federal, em troca de uma sala onde hoje funciona a Cesama. Esse fato fez com que todo o prédio ficasse sob propriedade da prefeitura. Começaram-se então as obras para dar viabilização ao espaço cultural. As primeiras obras de restauração da antiga fábrica foram iniciadas em 1985. Em 1987 vieram novas obras, reordenando o espaço interno. Em 2000 o Centro Cultural finalmente abriu as portas.

Para saber mais sobre o CCBM, clique aqui

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