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Mascarenhas meu amor: uma trama de fios

Não precisa ser de Juiz de Fora para conhecer a Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas (CTBM). Sempre fazendo história, foi pioneira na utilização de luz elétrica na América do Sul e do motor elétrico para fins industriais no país. Há 27 anos, protagonizou também uma das maiores conquistas culturais da cidade. Na antiga fábrica, hoje habita o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).

Inaugurada em 7 de janeiro de 1888, a companhia têxtil impulsionou a província e deu a Juiz de Fora o título de Manchester Mineira. Apresentava não só tecnologia, com máquinas de tear inglesas e americanas e música ambiente, mas também era guiada por um pensamento empreendedor à frente de seu tempo. No entanto, após o apogeu industrial veio a estagnação econômica da região e em 14 de janeiro de 1984 a fábrica encerrou suas atividades. Como forma de pagamento de dívidas com o governo, o prédio virou patrimônio do Estado de Minas Gerais e da União.

Em 1987, faltando um ano para o centenário da Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas, seus antigos motores ganharam uma nova energia com a promessa de produzir um novo tecido, o cultural. O movimento, “Mascarenhas, meu amor”, liderado por artistas, jornalistas e intelectuais mobilizou Juiz de Fora e o Brasil em prol da restauração do prédio e da cessão do espaço para atividades artísticas.

Manifestação "Mascarenhas, meu amor"

Montagem de fotos de Heitor Magaldi

Com registros bem organizados,  o jornalista Jorge Sanglard, um dos coordenadores do movimento “Mascarenhas, meu amo”, contextualiza o cenário da época. “ A cidade estava dividida entre linhas políticas, os partidos Arena e MDB. O Mello, da Arena, reis perdeu as eleições para o Tarcísio Delgado, que iria terminar as obras do teatro municipal, mas uma especie de fenda, desastre natural conhecido como talude, inviabilizou a obra”, conta Sanglard.

Diante do fato, um problema: a classe artística precisava de mais espaço. Na ocasião, Sanglar e Walter Sebastião publicaram uma matéria no jornal Tribuna de Minas sobre as expectativas dos artistas em relação ao cenário cultural na cidade. Em 1983, depois de muitos debates, surgiu o “Mascarenhas, meu amor”, com o apoio de nomes nacionais e   organização local, como Walter Sebastião, Guilherme Bernardes, Henrique Simões,  Arlindo Daibert, César Brandão, Fernando Pita, Martha Sirimarco, Luiz Ruffato, José Santos, Rubem Fonseca, Fernando Fiorese, Affonso Romano de Sant’Anna, Marina Colasanti, Rachel Jardim, Ruy Merheb, Carlos Bracher, Nívea Bracher, Décio Bracher, Fani Bracher, Dnar Rocha, Jorge Arbach, Kim Ribeiro e João Guimarães Vieira (Guima), entre outros.

Mascarenhas, meu amor

Montagem de fotos de Heitor Magaldi

O prédio da fábrica pertencia a três órgãos do governo, ao Estado de Minas Gerais, Receita Federal e ao antigo Iapas. Houve manifesto, ocupação e passeata. E, em em 31 de maio de 1987, foi inauguração do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, uma conquista. Para o jornalista, essa foi a maior contribuição artística para a cidade, sem deixar de reconhecer a importância de outros espaço, como por exemplo, o Cine Theatro Centra, o Teatro Solar e o Espaço Cultural Correios. “A volta da fábrica é histórica, é uma hora ter podido participar deste movimento, ajudar a construir um centro dinâmico de arte”, completa ele.

Em 1997, o CCBM foi fechado para reforma e reaberto três anos depois. Hoje ele é dirigido pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) e aberto a toda comunidade. A trama, os fios, fazem parte dessa história.

Leia também a matéria escrita pelo jornalista Jorge Sanglard: Usina de esperanças

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