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A “vaquinha” dos tempos modernos

Existem cada vez mais projetos financiados pelos próprios consumidores do produto

Lívia Saenz

Postado 28/05/2014

O crowdfunding, também conhecido como financiamento coletivo, virou uma ferramenta muito importante para pequenas empresas e projetos independentes. Com a ajuda de várias pessoas, um projeto que antes não teria como ser produzido por falta de renda ou estrutura, pode virar realidade.

E o brasileiro já percebeu o potencial desse tipo de financiamento, como prova o Catarse, uma comunidade de financiamento coletivo para projetos brasileiros, que tem atraído muitos juizforanos. Nessa comunidade virtual qualquer um pode colocar seu projeto, e torcer por doações.

Para o economista Michel Souza, supervisor da CMC, empresa júnior de economia da UFJF, o crowdfunding é uma plataforma de financiamento moderna e promissora. “É interessante participar destas empreitadas, pois além de financiar sonhos elas ajudam a aquecer as engrenagens econômicas e as ideias costumam ser bastante inovadoras”.

Michel destaca porém que é preciso pesquisar o site ou comunidade antes de fazer sua contribuição, buscar informações mais concretas sobre o projeto e seus idealizadores: “infelizmente, algumas vezes esse tipo de comoção é utilizado de forma leviana por algumas pessoas.”

E como funciona?

Os projetos geralmente funcionam com um orçamento inicial a ser batido num período de tempo estipulado e as contribuições são feita em “faixas” de valor, (por exemplo de R$20, R$ 50, R$200, R$500, R$1000,).

Mas e quando a meta do projeto não é atingida? “Nos piores casos, quando a meta não é alcançada, os financiadores recebem o dinheiro de volta!” conta Michel.

Para atrair colaboradores, vários projetos oferecem “brindes” exclusivos em troca do financiamento. De acordo com o valor doado (quanto maior, melhor) o colaborador recebe kits especiais, como inserção de seu nome nos créditos de divulgação do projeto ou até mesmo algumas unidades do produto final.

A cidade financia seus projetos

Juiz de Fora já conta com vários financiamentos coletivos, bem sucedidos e em andamento, como é o caso da Editora Conclave. Eles já utilizaram o crowdfunding para financiar o projeto Midgard no ano passado.

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Informações sobre o jogo (Imagem: Conclave Editora)

Na época foram arrecadados 215% da meta, e o dinheiro foi convertido em benefícios para os apoiadores. Agora eles querem trazer o jogo Nosferatu, de uma empresa francesa para terras brasileiras.

 “Como toda a produção será feita na Alemanha, o que demanda pagamento antecipado e à vista, lançamos mão da ferramenta do financiamento coletivo para arrecadar os fundos necessários para produzir o jogo em padrão internacional.” explica Cristiano Chaves, da Conclave.

É muitas vezes um financiamento que usa mão do afeto para um mercado de nicho. “O crowndfunding faz com que as pessoas passem a torcer para o projeto, apoiá-lo e tomá-lo para si. Isso promove publicidade para o projeto e aproxima os realizadores de seu público alvo.” diz Cristiano.

A música “feita” por quem escuta

Uma das áreas em que o financiamento coletivo está mais ligado é a música. Recentemente bandas conhecidas em todo o Brasil como o Raimundos e o Forfun tiveram suas novas produções financiadas pelo crowdfunding e isso popularizou o sistema, principalmente no sudeste do Brasil. E alguns músicos da cidade entraram nessa onda.

hkFFMviUm projeto viabilizado via crowndfunding que está sendo realizado nesse momento é um CD, “The Best of Rock Factory”. É uma coletânea com várias bandas que participam do festival Rock Factory, que acontece a alguns anos na cidade.

Lucas Souza, guitarrista da banda Glitter Magic, está à frente desse projeto, que atingiu sua meta em apenas seis dias, muito antes do prazo estipulado.

Para o guitarrista da banda Glitter Magic o crowdfunding é muito bom e devia ser mais utilizado. “É como uma pré-venda limitada que torna o consumidor o financiador do conteúdo e não só o comprador do produto final. Os artistas brasileiros precisam aprender a trabalhar com isso!”.

Financiado coletivamente, principalmente pelos fãs dos grupos envolvidos, o CD vai ser lançado no dia 5 de julho no Bar da Fábrica. A noite de lançamento será dedicada exclusivamente a música autoral com shows de quatro bandas que participam do projeto: Glitter Magic, Hard Desire, Kymers e Usversus.

Tecnologia ajuda a financiar tecnologia?

Ao contrário do que pode se pensar, no Brasil os financiamentos para produtos tecnológicos muitas vezes não tem o mesmo apelo do que para games e música, é o que garante o empreendedor Pablo Cardoso.

“Aqui no Brasil, ao menos no setor em que atuamos (TI), percebemos que nessa ferramenta não há tanto apego por tecnologia como por exemplo para games ou um disco de um grupo musical, bem diferente do que acontece no Kickstarter (versão americana).”

Só depois de mudar a meta inicial de arrecadamento, que era de 50 mil reais, que Pablo conseguiu obter sucesso para a criação de um aplicativo de celular que serve como um panfleto 100% digital, o Encarte Mobile.11920_570456079736868_7676560020323214181_n

Mas ele não nega os benefícios que o crowdfunding pode trazer para inciativas voltadas para tecnologia. “O que percebemos de melhor mesmo no CrowdFunding, é a possibilidade de testar a aceitação de uma ideia e a visibilidade que ganhamos antes mesmo de lançar o projeto no mercado.”

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