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Compulsão sexual pode prejudicar a saúde e comprometer o convívio social

Gisele Rocha

28/01/2014

Ter relações sexuais compulsivamente, nem sempre sentir prazer e não pensar em outra coisa. Essa é a vida de Joe, protagonista do novo filme “Ninfomaníaca” (Nymphomaniac, 2014), de Lars Von Trier, que chega aos cinemas e locadoras de Juiz de Fora em fevereiro.

Como o próprio nome sugere, o longa-metragem trata sobre a história de vida de uma mulher autodiagnosticada ninfomaníaca, que age de modo impulsivo e compulsivo para ter satisfação sexual. O filme mostra fases de uma vida de luxúria e todos os percalços enfrentados pela protagonista por conta de seu vício.

A nomenclatura “ninfomania” é utilizada exclusivamente para referir-se à compulsão sexual feminina. Para os homens, o termo é empregado é “satiríase”. As palavras são distintas, porém pacientes de ambos os sexos têm os mesmos tipos de comportamentos. Quando vem o desejo, tanto a mulher como o homem agem por impulso, não se importam em usar preservativo, se expõem à doenças e perdem por completo o senso crítico.

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A atriz Charlotte Gainsbourg vive Joe, uma ninfomaníaca retratada no filme de Lars Von Trier. Foto: Divulgação

Além dos desgastes psicológicos, os compulsivos também passam por muitos problemas de saúde devido a hábitos libertinos. Com o passar do tempo, a imunidade cai e o indivíduo fica debilitado, podendo contrair doenças e até mesmo morrer por fraqueza e por complicações de uma infecção não tratada.

Para aqueles que não conhecem as consequências do Apetite Sexual Excessivo ou Impulso Sexual Excessivo – nomenclaturas utilizadas pelos psiquiatras para a compulsão sexual – o termo “ninfomaníaca” pode parecer algo positivo, sendo associado a mulheres sexualmente liberais, capazes de seduzir a qualquer homem, dando e recebendo prazer quando têm vontade.

A sexóloga e terapeuta sexual Maria Lúcia Beraldo, explica que a realidade dessas mulheres é completamente diferente do imaginado. Ela descreve a ninfomania como “uma parafilia, um distúrbio da sexualidade na qual a mulher não consegue se satisfazer e sentir saciado com um encontro sexual. A pessoa acaba de fazer sexo e mesmo se sentindo arrependida ou culpada, continua procurando satisfazer seus desejos, se colocando em situações perigosas, fugindo ao seu controle”. Ouça e explicação aqui.

O quadro de compulsão sexual é diagnosticado quando há sensação de perda de controle pelo paciente. O sexo passa a ser prioridade na vida da pessoa e acaba prejudicando outras atividades do dia a dia, como horas de sono, alimentação, o trabalho e até a vida social.

A terapeuta esclarece ainda que a compulsão por sexo está relacionada a outros distúrbios, como o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e à depressão. Segundo ela, “a pessoa pode estar tentando lidar com questões internas, querendo descobrir quem ela é, o que ela quer, assim como tais questões podem estar ligadas à sexualidade, ao relacionamento com os familiares, entre outras possibilidades”. Ela afirma que para alguns a doença é confundida com promiscuidade, no entanto, a ninfomaníaca sofre, pois ela tenta parar, mas não consegue controlar a sua própria vontade. Escute aqui o relato completo.

Relações afetivas

No ponto de vista da sexóloga Maria Lúcia Beraldo, é muito difícil para um homem manter uma relação estável com uma ninfomaníaca, mas não é impossível. “Ele precisa aceitar que os encontros dessa mulher são envolvimentos puramente sensoriais, sem envolvimento emocional. É fundamental acompanhar o tratamento psicológico e sugerir ajuda”. Ela ratifica que o quadro pode ser mudado com o tempo e que é importante que a vida sexual seja variada, pois a ninfomaníaca pode não aguentar ficar muito tempo com a mesma pessoa, em uma rotina. Ouça o depoimento.

O tratamento

A adicção sexual é uma doença crônica, ou seja, não tem cura, mas existem tratamentos eficazes feitos com ajuda profissional e, quando necessário, por meio de medicamentos para diminuir a libido e controlar a ansiedade. O trabalho do terapeuta é fazer com que o paciente restabeleça o autocontrole, sem necessariamente ter de se abster de relações sexuais. Por isso as chances de recaída são grandes, pois se o indivíduo abandona o tratamento, ele volta a ter atitudes compulsivas.

A evolução do quadro vai de acordo com as respostas de cada paciente, mas, de maneira geral, a partir do quarto mês de tratamento a pessoa começa a perceber os resultados, conquistando certa autonomia sobre suas vontades.

O impulso sexual excessivo é apenas umas das diversas compulsões comportamentais. Conheça outras parafilias.

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