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Mercado informal aquecido em Juiz de Fora

Postada por Augusto Nogueira em 14 de abril de 2014

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Nos últimos tempos, um mercado tem sido bastante movimentado em Juiz de Fora. Sua peculiaridade é que ele funciona praticamente todo pela internet, mais especificamente pelo Facebook. Este é o mercado informal e de usados.

A compra e venda informal, inclusive de produtos usados, é um campo extremamente variado na cidade. Não se sabe ao certo porque têm dado tão certo. Talvez seja pelo fato de Juiz de Fora ser uma cidade “quase” grande, e por isso tem uma movimentação econômica intensa, mas ao mesmo tempo tem ares de cidade do interior, o que colabora para o contato direto e pessoal entre comprador e vendedor.

O principal grupo do Facebook de compra e venda de usados é o “Mercado Negro JF” (para acessar o grupo necessário que o usuário do Facebook tenha sua entrada permitida, já que ele é um grupo fechado). Ele faz “aniversário” de 2 anos agora em abril. Com o toque lúdico do nome de “mercado clandestino”, o grupo já reúne mais de 70 mil membros, e esse número cresce rapidamente. Os produtos vendidos vão de filhotes de animais de estimação até móveis, passando por eletrônicos de todos os tipos e até venda de serviços. Nem todos os produtos são usados (como podemos pensar observando a lista do que é vendido). Muitos produtos são novos, mas o diferencial do “Mercado” é o comércio livre da burocracia das lojas: a compra e venda direta, geralmente com preços mais baixos que nas lojas. Claro que não podemos esquecer que esses produtos e transações geralmente não contam com o “suporte” oferecido pelas lojas tradicionais.

Como todo grupo, o “Mercado Negro JF” possui um administrador, que traçaram as regras de anúncios na comunidade. Você pode conferir a reprodução das regras na Galeria de Fotos da matéria ou abaixo.

 

1 – Descreva detalhadamente seu produto se possível incluindo uma foto original do mesmo.
2 – As fotos devem ser postadas no próprio anúncio, fica proibida a criação de álbuns dentro do grupo.
3 – Informe o valor do mesmo assim como as condições de pagamento e possibilidade de trocas ou não. Leilões não serão permitidos. (Caso seu valor seja negociálvel, deve-se postar um valor base e em seguida “negociável”)
3.1 – Caso esteja anunciando mais de um produto no mesmo anúncio, todos os produtos devem conter seu valor.
4 – Ao concretizar a venda delete o post.
5 – Se você tem um produto a anunciar, faça seu próprio post. Aqueles que comentarem em posts alheios oferecendo seus produtos mais baratos ou de forma a prejudicar a venda alheia poderá ser banido do grupo.
6 – É proibido anunciar propagandas de outros grupos.
7- Serão aceitos apenas posts com intenção de compra e venda, posts com brincadeiras ou assuntos que fogem do nosso propósito serão excluídos e o membro passível de exclusão.

REGRAS para comprar no Mercado Negro JF

1 – Antes de anunciar que deseja um produto, verifique antes se o produto já se encontra a venda em outro post, evitando assim posts desnecessários. Para refinar sua busca utilize o “search” no canto direito superior do grupo.
2 – Não faça comentários que não sejam pertinentes a venda.
3 – Não faça perguntas que já foram feitas.
4 – É proibido fazer propagandas de outros grupos.

IMPORTANTE

O membro do Mercado Negro JF aceita não enviar qualquer mensagem abusiva, obscena, vulgar, insultuosa, difamadora, de ódio, ameaçadora, sexualmente tendenciosa ou qualquer outro material que possa violar qualquer lei aplicável. A incidência desses fatos implicará em sua expulsão imediata.
O Mercado Negro JF pode retirar qualquer comentário ou post que considerar abusivo, ofensivo ou que façam venda de produtos proibidos. O membro que postar tais conteúdos pode ser banido do grupo sem aviso prévio.
Apesar dos administradores e moderadores deste grupo excluírem qualquer material indesejável logo que detectado, é impossível rever todas os posts. Dessa forma, o membro do grupo se torna responsável por seus posts e comentários, isentando o Mercado Negro JF e seus administradores de responsabilidade por atos ilegais ou imorais que possam conter nos mesmos.
Ao participar do Mercado Negro JF, o usuário concorda que os administradores e moderadores deste fórum possuem o direito de excluir qualquer postagem, comentário ou usuário a qualquer hora que eles assim o decidam.

 

Segundo João Paulo Buscácio, principal administrador do “Mercado Negro JF” e criador do grupo, a ideia de criar o grupo surgiu do costume que ele tinha de usar sites de compra e venda de outras cidades e estados, que acaba, não o satisfazendo, pois os produtos, quando chegavam, não eram bem o que ele esperava. Ele acredita que o sucesso do grupo se deve ao fato de ele ser o primeiro grupo do tipo na região e do nome ser bem “chamativo”. Ele acredita que o impacto do nome, que é uma sátira ao site “Mercado Livre”, foi positivo e negativo nos primeiros usuários, mas na verdade, poucos acreditavam que o grupo fosse lidar com objetos ilegais.  Ao longo de sua existência, as regras foram se moldando e o grupo se expandiu. “Quando o grupo começou a crescer as pessoas falavam pra começar a “expandi-lo”, aceitando membros de outras regiões gerando um maior volume de membros, porém dessa forma perderia o propósito do grupo e o problema inicial voltaria. Dessa forma você consegue negociar um produto com uma pessoa durante a tarde, e encontrar com ela no Parque Halfeld após o trabalho para ver se o produto atende as expectativas”, afirma João Paulo.

Outros grupos também oferecem o mesmo espaço que o “Mercado Negro JF” para compra e venda direta, inclusive de usados. Há o “Mercado Branco JF” (também um grupo fechado), que conta com pouco mais de 10 mil membros. Ele é menos movimentado, mas possui negócios iguais ao outro grupo similar. Outra opção é o “Mercado Fácil JF” (também fechado), com mais de 15 mil membros e o “Mercado Livre JF” (grupo fechado).

 

Problemas na compra e venda

 

Os grupos de compra e venda são como grandes comunidades de comércio informal. E é comum que problemas já tenham ocorrido. Segundo João Paulo, administrador do “Mercado Negro JF”, já aconteceram muitos casos de vendedores que não devolveram o dinheiro referente à algum problema com defeito, por exemplo. Recentemente, um rapaz adotou uma cachorrinha oferecida no grupo e depois a colocou a venda. Em outra ocasião, um  rapaz deu um golpe de mais de R$20 mil: ele vendia produtos por encomenda, recebia a entrada da compra e “sumia”. Mas felizmente, os administradores do grupo conseguiram que ele devolvesse o dinheiro de todos. “Problemas surgem todos os dias, pessoas fazendo algo ilegal ou imoral e sempre tentamos resolver as situações da melhor forma possível. Às vezes conseguimos, às vezes não, mas sempre alertamos a todos para tomarem cuidado em suas negociações.”, declara João Paulo.

Como tentativa de aumentar a segurança da movimentação do grupo, eles mantém o grupo “fechado”: para alguém ver o que se passa nele, tem que fazer parte.

 

Mercado de usados entre os estudantes

 

O mercado de usados acaba sendo muito movimentado pelos estudantes, que se mudam para Juiz de Fora e precisam montar suas repúblicas e estabelecer sua moradia. Muito movimentados também (e talvez um dos principais canais de comunicação para os negócios entre os “republicanos”) são os grupos destinados para as repúblicas ou para dividir ou alugar apartamento, nos quais as pessoas anunciam e procuram vagas.

Há dois grandes grupos no Facebook destinados a este fim: o “Repúblicas de Juiz de Fora” (quase 5 mil membros, sendo um grupo fechado) e o “Repúblicas Juiz de Fora” (grupo fechado), com quase 10 mil membros. Além das vagas de repúblicas, o grupo é destinado a venda de móveis e eletrodomésticos para o mesmo público. Recentemente, as administradoras do grupo, Luana Lua e Ligia Mendes, tiveram que adotar uma postura mais rígida em relação aos anúncios, já que o grupo estava sendo usado para anúncios de empregos, de excursões, carona, entre outros assuntos gerais, como se fosse um espaço de classificados. Posts fora da temática do grupo estão sendo excluídos.

Segundo Luana, o “Repúblicas Juiz de Fora” foi criado a aproximadamente 2 anos e meio por uma pessoa, que exclui o Facebook e perguntou se alguém gostaria de assumir a administração do mesmo quando ele tinha 200 membros, mais ou menos. “Achamos que o grupo faz muito sucesso, porque hoje a internet é o veículo mais rápido e fácil de busca, e o Facebook é um dos sites mais acessados, principalmente pelos estudantes. Foi uma junção que deu certo”, afirma Luana. Muitas vezes acontecem reclamações em relação a compras mal negociadas ou pessoas que não fazem transações muito justas (como comprar para depois revender com preço mais elevado), mas às administradoras do grupo, cabe apenas orientar sobre uma dinâmica mais segura (através das regras do grupo). O “Repúblicas Juiz de Fora” é um grupo fechado, pois há muitos endereços expostos, e esta configuração garante o mínimo de privacidade, segundo Luana.

Ela também supõe que o grupo faz sucesso não só por causa dos estudantes, mas por causa de pessoas que querem trabalhar aqui e precisam de uma residência acessível e menos burocrática e mais barata.

Rômulo Krause é morador de uma república na cidade e já esteve nos dois papéis: de comprador e vendedor. Ele usou justamento o “Repúblicas Juiz de Fora” para fazer as transações. Veja no vídeo como foram as experiências.

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