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1964, o ano que não terminou

Por Jefferson Oliveira, postado em 31 de março de 2014. as 10h23mim

Em uma pesquisa realizada e publicada pela Fundação Bertelsmann em 2007 na Alemanha, revelou que 40% dos alemães viam algo de bom no nazismo. Reservadas as particularidades históricas e conjunturais, registramos em solo nacional pessoas que garantem que a ditadura foi progressista para o país em vários aspectos.

Tão estranho quanto se deparar com alemães defendendo o nazismo, é identificar discursos pró-ditadura hoje em Juiz de Fora. Se analisarmos por que o senso comum nos traz a vista estes, veremos que a memória relaciona-se com a identidade, e que ela é uma das grandes responsáveis pela construção de indivíduos que a sociedade apresenta de tempos em tempos.

Tanto nazistas quanto ditadores, acreditavam piamente no ideal revolucionário, ou ditatorial. E o embasamento para tal crença vem da fé cultural de uma época, que não pode ser esquecida jamais. Em nosso caso, moldou os traços do país e da nossa história por anos, e ainda continua a ecoar e respingar em atos que causam espanto. Ainda nos dias de hoje.

Mas mais estranho que a pretensa defesa de um estilo de vida revolucionário, é a amnésia que nossa geração cultua, ainda que saiam as ruas como fizeram nas manifestações de junho, e ainda que se organizem via rede social para os chamados protestos da era digital. Exemplo disso, é que muitos nem sabem que Juiz de Fora teve papel fundamental na consolidação do golpe militar.

Já se tornou público o depoimento da presidente Dilma Rousseff, vítima do aparato repressivo da ditadura, que foi presa e submetida a torturas por conta de sua militância. O local: Rua Mariano Procópio, 970. Em texto ao jornal o dia, a jornalista Juliana Del Piva classifica o comando da quarta região militar como porão da ditadura, mas que um dia foi o QG que orquestrou o movimento que derrubou Jango e marcou o início da ditadura no país.

 

Relembrar é preciso

Essa história que é muito nossa está sendo rememorada num circuito que debate e refletem os cinquenta anos da ditadura militar. Em Juiz de Fora, foi organizado um calendário de eventos entre os dias 28 de março e 04 de abril. A semana recebeu o título de “1964: Memória, História, Cultura e Resistência – 50 Anos do Golpe”.

Segundo os organizadores, o objetivo é contribuir para a recuperação da memória sobre a repressão e a censura da ditadura militar através de palestras, debates e apresentações artísticas. Para o articulador cultural do programa Gente em primeiro Lugar, da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), Hussam Fadel, as reflexões são a respeito da memória e da identidade, mas também sobre o espaço, e ele que estava presente ontem, domingo, na oficina de lambe-lambe, um dos eventos culturais da semana, entende que “a memória é fundamental para questão da identidade” e que “a arte é linguagem que tem um caráter político em si”.

Para Kennedy Silva, um dos participantes da oficina, “a juventude tem que se conscientizar e ir para as ruas, lutar por seus direitos e ir pedir mais saúde e educação, se relacionado com a arte e a cultura, que é a única forma de mudar”, garante, refletindo sobre memória e ditadura.

Já para a grafiteira e oficineira de lambe-lambe, Fernanda Toledo, “na história da arte urbana vários grupos fizeram intervenções. O lambe-lambe é um aliado, uma forma de expressão artística”, explica.

 

A programação

 

Já rolou…

 

Dia 28/3 (sexta-feira)
Abertura com a palestra “Lutas sociais do povo brasileiro”, com Anita Leocádia Prestes
19h na Câmara Municipal de Juiz de Fora (Parque Halfeld)
Apresentação do Coral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

 

Dia 29/3 (sábado)
Protesto Cultural: Liberdade de expressão, política com arte
A partir das 16h no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas
Avenida Getúlio Vargas, nº 200, Centro

16h: Poesia em Estado Bruto (Rap e Poesia) – Sala de Encenação Flávio Márcio com a participação de Tiago Rattes, Kadu Mauad, Julio Satyro, Fábio Machado, entre outros poetas

18h: Verbo em Descontrole – Sala de Encenação Flávio Márcio | Leituras poéticas sobre colagens sonoras em vinil

19h: Teatro Lido – Corredor Alternativo | Texto: Fábrica de Chocolate, de Plínio Marcos | Direção: Marcus Amaral | Elenco: Giane Elisa, Gil Alves, Leonardo Cunha, Marcelo Costa Carvalho, Marcelo Jardim, Marcus Amaral e Vinícius Cristóvão

21h: Grito Musical – Corredor da Biblioteca Municipal Murilo Mendes | Com as bandas Barembar e Seu Nadir

– Exposição documental “Cacos de uma memória oculta”
Até dia 4 de abril – Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (Avenida Getúlio Vargas, nº 200, Centro)
Pesquisa e organização: Luciano Mendes, Fábio Machado, Bárbara Vital e Hussan Fadel

– Exposição fotográfica “O olhar capturado como linguagem”
Até dia 4 de abril – Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (Avenida Getúlio Vargas, nº 200, Centro)
Com trabalhos de Gopala Deva, Tom Rodrigues e Vania Marinho

 

Dia 30/3 (domingo)
Protesto Cultural – Liberdade de expressão, política com arte
A partir das 14h no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas
Avenida Getúlio Vargas, nº 200, Centro

14h: Oficina de lambe-lambe “Impacto”– Corredor da Biblioteca Municipal Murilo Mendes | Com Fernanda Toledo (Pekena)

17h: Teatro Lido – Corredor Alternativo | Texto: Otelo Xeque Mate, de Alberto Kurapel (Chile) | Direção: Marcos Marinho | Elenco: Gabriela Machado, Hussan Fadel, Marcos Bavuso e Tairone Vale

18h: Palavra e Som Performance Poética – Sala de Encenação Flávio Márcio | Com Júlio Satyro e Léo Silva

19h: Resistência Musicada – Corredor da Biblioteca Municipal Murilo Mendes | Com as bandas FBI e Roger Resende

Vai Rolar

Dia 31/3 (segunda-feira)
Debate “Experiências de resistência” – partidos políticos e movimentos que atuaram contra o golpe

19h: Câmara Municipal de Juiz de Fora (Parque Halfeld)
Com Mauro Iasi (PCB), Aton Fon Filho (Consulta Popular), Gilberto Gomes (Convergência Socialista) e Rene Matos (PT)

Dia 1º/4 (terça-feira)
Ato “Golpe e ditadura nunca mais”
Das 17h às 19h Calçadão da Rua Halfeld, em frente ao Banco do Brasil

Sarau Cálice: como beber dessa bebida amarga – música, literatura e resistência
20h na Livraria Liberdade que fica na Rua Benjamin Constant, nº 801, Centro

Dia 2/4 (quarta-feira)
Liberdade ideias – 50 anos do golpe
19h: Livraria Liberdade Rua Benjamin Constant, nº 801, Centro

Dia 3/4 (quinta-feira)
Memórias da resistência em Juiz de Fora
Mesa com depoimentos de militantes de movimentos do período
20h: Livraria Liberdade na Rua Benjamin Constant, nº 801, Centro

Dia 4/4 (sexta-feira)
Americalibre – confraternização (discotecagem em vinil)
19h: Livraria Liberdade na Rua Benjamin Constant, nº 801, Centro

 

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