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Trote da UFJF mescla criatividade, tradição e ações sociais

Matheus Furlani, Postado  em 19/03/2014

Mais um ano letivo teve início na UFJF e juntamente com ele os tradicionais trotes. A brincadeira aplicada a cada semestre entre calouros e veteranos é um rito de passagem, ou seja, para o calouro, este é o momento que encerra uma etapa da vida para que se tenha início outra, a vida universitária. É certo porém, que ao longo dos anos a tradição foi perdendo a credibilidade, uma vez que as brincadeiras naturais foram substituídas por atividades muitas vezes degradantes, humilhantes ou até mesmo perigosas para a saúde dos alunos. 

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Os calouros aproveitaram para fazer um lanche e descansar um pouco. Foto:Matheus Furlani

Neste ano a recepção foi bem vista por muitos calouros, que acham esta uma boa oportunidade para conhecer o ambiente universitário. Para a caloura de Direito Mariane Inham de 18 anos, foi divertido participar: “estava com medo no início mas não fui obrigada a fazer nada que não tive vontade”, avaliou. Já a caloura de Jornalismo Laura Conceição que recentemente teve dengue, contou que teve as suas condições respeitadas: “Foi muito legal pois os veteranos me acolheram bem e aceitaram as minhas limitações.”

O trote é proibido dentro do espaço acadêmico da UFJF, e segundo a Secretaria de Comunicação (Secom) os abusos poderão ser denunciados na central de Atendimento. Essas queixas podem ser anônimas, são  encaminhadas para a Ouvidoria e podem acarretar em sanções disciplinares do Regimento Geral da UFJF. Nessa linha, a Universidade preparou uma semana com atividades culturais, abraços de boas -vindas, entre outros. Veja a programação completa no site.

Em um mundo cada vez mais politicamente correto, as Universidades passaram a proibir tais atividades dentro dos campus e a sociedade passou a ter uma visão mais crítica sobre o trote, por conta de toda a sujeira que é produzida, do desperdício de alimentos e materiais. A caloura de Direito Mariane Inham conta que encontrou pessoas que se manifestaram em reprovação ao trote. “Chegou uma mulher falando para mim que isto não é de Deus, que eu seria castigada, que estava rezando pela minha alma. Senti essa reprovação principalmente das pessoas mais velhas.”

O veterano Felipe Ferreira do curso da Biologia que participa do trote desde 2011, acredita que o objetivo principal da brincadeira é a integração, “fundamental para criar vínculos afetivos e também profissionais”, conta. Apesar do trote sujo com tintas e outros materiais, os veteranos não utilizam alimentos no trote pois “é uma questão que está em crise no mundo, com tanta gente passando fome o desperdício é inaceitável”, explica.

Já os novos alunos da Faculdade de Direito contribuíram em seu trote com a doação de alimentos para instituições de caridade e as próprias camisas que seriam rasgadas e cortadas no trote foram selecionadas para doação.

Doação de Felicidade

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Caloura da medicina realizando a doação de medula óssea
Foto:Matheus Furlani

Complementar ao trote sujo, a maioria dos cursos apresentaram propostas de trote solidário, ou seja, buscar alguma ação social com os calouros que tragam benefícios reais à sociedade. A mais comum delas é a doação de sangue e mudula óssea junto à Fundação Hemominas. Bruna Quintão, que é Assistente Social da fundação conta sobre o aumento do número de doadores e diz que “a ideia e fazer com que esta demanda traga cada vez mais doadores de rotina.”.Ouça

Para ser doador, uma série de pré requisitos devem ser atendidos. Saiba mais no site da Fundação Hemomimas.

A caloura do curso de Medicina Ariana Andrade de 19 anos foi com alguns colegas de turma para fazer a doação. Ela conta que a principal motivação para participar foi “A vontade de querer contribuir, de poder fazer algo simples que pode fazer a diferença”.

Ariana também conta que algumas meninas da turma ainda doaram parte do próprio cabelo para a Instituição Cabelo Alegria que trabalha na confecção de perucas para pessoas que estão na luta contra o câncer. “ Doar foi libertador”.

Cabe às novas gerações pensarem em alternativas criativas que possam fazer do trote algo que traga retorno para a sociedade mas sem perder a tradição e a integração, motivo principal da brincadeira.

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