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Os diferentes “balancês” de Juiz de Fora

Repórter: Iara Campos

Postado em 04 de junho de 2014

As festas juninas, de caráter popular e tradicional, têm se adaptado à realidade cultural contemporânea e urbana. Festividade de raiz religiosa, que celebra os santos católicos Santo Antônio, São João e São Pedro se apresenta de formas diversas, em Juiz de Fora.

Quadrilha tradicional

Foto de Jaqueline Frizeiro, professora da escola Municipal Clotilde Peixoto

Além das comemorações com quadrilhas tradicionais, como as das pastorais da cidade, há diferentes representações culturais nas quermesses juninas. Segundo o doutor em Comunicação e ex-diretor do Fórum da Cultura e estudioso de festas populares José Luiz Ribeiro isso é possível porque “a cultura popular não é morta. Ela vai se desenvolvendo de acordo com a ética e a moral de cada povo, e a cada época ela vai se adaptando”.

A Quadrilha Trombone, por exemplo, é do tipo estilizada. O coordenador geral da Trombone, Tauê de Oliveira, explica que “a marcação para mudar os passos não é daquela comum, do tipo ‘anarriê’. É no apito que a gente muda”. E a diferença não está só no passo. Eles têm uma atenção maior ao figurino, as roupas não têm remendo, os cavaleiros não desenham barba e não se faz aquela pintinha no rosto. “A gente entende que é uma forma mais respeitosa de homenagear a cultura do jeca, porque a quadrilha é uma festa de casamento e ninguém vai para um casamento com a roupa remendada, todo mundo coloca sua melhor roupa”, detalha Tauê.

quadrilha Copa

Quadrilha se adapta ao momento da Copa. Foto da internet.

Algumas festas juninas e quadrilhas estão se adaptando ao momento da Copa do Mundo e usando decoração verde e amarela, bem como roupas e assessórios com as cores do Brasil. José Luiz Ribeiro acredita que com isso se perde a tradição. “Graças à televisão e a todos os elementos de mídia, nós estamos eliminando esse processo de guardar essa memória popular”, justifica.

Ouça a entrevista, na íntegra, com José Luiz Ribeiro:

 

Quermesse com casório gay

A festa junina “Fazendo a Social”, organizada pelo Centro Acadêmico (C.A.) Darcy Ribeiro, do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), também planeja uma quadrilha diferente. Uma das organizadoras da festa, Kíssila Mendes, conta que o interesse é manter elementos tradicionais como a decoração, o casamento, brincadeiras como o correio elegante e também comidas e bebidas típicas, só que com uma diferença que está sendo anunciada como “o primeiro casamento gay da UFJF”.

Kíssila conta que quando o C.A. planejou os detalhes da festa, se depararam nos elementos característicos, com várias “brechas que permitiram uma mistura de tradição e contemporaneidade”. Por conta disso, tomaram a decisão de “abordar de forma irreverente assuntos cotidianos, alguns polêmicos, bem como o momento político brasileiro e também o específico da universidade, (porque tivemos casos recentes de homofobia na UFJF). Daí surgiu a ideia do casamento gay”.

Sobre as festas tradicionais de Juiz de Fora, veja mais em No balancê, balancê. A tradição das festas juninas em Juiz de Fora

 

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