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Para aprender a gostar de ler

Lívia Saenz

Postado em 25/06/2014

Os quadrinhos são por vezes esquecidos em meio aos tantos tipos de literatura, mas para muitas crianças esse é o modo mais prazeroso de embarcar no mundo da leitura e nunca mais sair de lá.

Segundo uma pesquisa realizada pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, os quadrinhos representam 45% da preferência de leitura dos estudantes do 3º, 5º, 7º, 9º anos do Ensino Fundamental, além do 3º ano do Ensino Médio, da rede pública paulista. E essa parece ser uma tendência que não acontece só nesse estado.

Leitura em família

Alcione com a sua coleção de gibis encadernados (Foto: Lívia Saenz)

Alcione com a sua coleção de gibis encadernados (Foto: Lívia Saenz)

Muitas vezes os gibis são o primeiro contato que a criança tem com a literatura e, além de ajudar no aprendizado, eles podem fazem parte da hora do lazer. A professora aposentada, Alcione Altomar, foi apresentada aos quadrinhos pelo seu pai. “Quando eu era criança, no início dos anos 60, o lazer que nós tínhamos eram as brincadeiras na rua, televisão nós ainda não tínhamos em casa. E o meu pai sempre foi uma pessoa ligada aos livros e ele comprava nas bancas revistinhas em quadrinhos, uma literatura para mim e para a minha irmã, que éramos crianças”, conta Alcione.

Naquela época as revistinhas infantis mais populares eram do Bolinha, da Luluzinha e, principalmente, os quadrinhos da Disney. O Pato Donald, Mickey, Zé Carioca e Tio Patinhas fizeram parte da infância de muitas pessoas.

Elas eram as preferidas de Alcione e sua irmã. “Chegou uma época que nós tínhamos tantas revistinhas que o meu pai, que tinha um amigo que era encadernador, resolveu juntar todas essas revistas e fazer uma encadernação só com revistinhas da Disney que a gente lia, e adorava”, recorda Alcione.

O tempo foi passando e Alcione virou mãe, e, como geralmente acontece, aquilo que os pais gostam acaba sendo passado para os filhos. “Eu tive duas filhas e sempre comprei revistinhas para elas. E, assim, elas foram tomando gosto também”.

Clique aqui para ouvir a entrevista completa com a professora aposentada Alcione Altomar.

Nessa época além das revistinhas da Disney, já existiam também muitas outras publicações, principalmente os da Turma da Mônica. Cascão, Cebolinha, Chico Bento, Magali. Essa nova geração teve contato com essa literatura mais nacional do que o Zé Carioca, com personagens indígenas, histórias do folclore brasileiro, entre outros.

Dos homens com capa, as espadas samurais

Parte da coleção de quadrinhos de Matheus Sampaio (Foto: acervo pessoal)

Parte da coleção de quadrinhos de Matheus Sampaio (Foto: acervo pessoal)

O estudante Matheus Sampaio foi um dos que cresceu lendo “Turma da Mônica”, mas seu interesse pelas HQs cresceu com outro gênero, muito famoso nos quadrinhos, os super-heróis. “Por volta dos dez anos meu tio me apresentou as revistas mais voltadas para a temática de heróis e vilões. Quanto mais eu lia, mais eu queria comprar e me aprofundar nesse universo. Como sempre gostei muito de desenhar também, ler os quadrinhos me proporciona a diversão tradicional, além do aprendizado para traços e formas de desenhos diversificadas”, conta Matheus.

E a paixão de Matheus pela arte sequencial não parou por ai, os quadrinhos japoneses também chamaram a atenção do estudante. “Gosto dos mangás mais por uma perspectiva de roteiros e histórias bem elaboradas, já que essas séries são muito grandes e acompanho faz bastante tempo. Entre eles eu coloco como destaque o Dragon Ball, do Akira Toriyama (desenhista que trouxe uma nova perspectiva para os quadrinhos da atualidade), Naruto, One Piece, Bleach e Cavaleiros do Zodíaco”.

Quadrinhos “maduros”

Mas se engana quem acha que os quadrinhos só são voltados para o público infantil. Cada vez mais se vê quadrinhos sofisticados, com uma temática mais densa, voltados para aqueles que não querem largar nunca o gibi.

“Uma mudança que ocorre naturalmente com o tempo são os quadrinhos mais elaborados com relação a roteiro e temáticas que você passa acompanhar com a chegada da maturidade. Hoje eu leio histórias que apresentam um caráter social, ou até mesmo psicológico que eu não entenderia com os meus 12 anos de idade. Por exemplo, hoje leio séries novas como “The Walking Dead” e o “O Ladrão dos Ladrões” e séries mais antigas como “Heelblazer””, comenta Matheus.

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