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Feliz Aniversário, Cine-Theatro Central!

Raíra Garcia – Postado em 26/03/14

 

Na próxima sexta feira, 28 de março, subirão no palco do Cine-Theatro Central o Coral da UFJF, Lúdica Música, Dudu Lima Trio e Milton Nascimento, para comemorar os 85 anos do teatro. No coração de Juiz de Fora, no dia 30 de março de 1929, foi inaugurado se não o maior, um dos maiores espaços de referencia cultural da nossa cidade.

Construção do Central - acervo histórico do Central

Construção do Central – acervo histórico do Central

Em junho de 1927, foi fundada a Companhia Central de Diversões por Chimico Corrêa, Diogo Rocha, coronel          Gomes Nogueira e Francisco Campos Valadares, que adquiriram o terreno, onde mais tarde seria construído o     cinema.  Já o projeto arquitetônico coube à companhia de Pantaleone Arcuri, que revolucionara o cenário              arquitetônico da cidade. Um ano e quatro meses depois estava pronto o que se tornou, por décadas, o principal    cinema da região.

Decorado por Ângelo Bigi, o Central tem um teto singular, com toques de antiguidade clássica que exala paz,          harmonia e felicidade, além de medalhões com as efígies de Wagner, Verdi, Beethoven e Carlos Gomes, grandes    nomes da música.

No dia 30 de março de 1929, com a inauguração do Central, Juiz de Fora entrou na rota de grandes artistas              nacionais e internacionais. O Central se tornou um dos maiores teatros do país, com seus quase dois mil                    lugares, viria a ser também um dos mais belos e trouxe à cidade artistas renomados do Brasil e do exterior.

Na década de 1960, o Cine-teatro (como originalmente era chamado), sediou o primeiro Festival de Cinema            Brasileiro e o Festival de Música Popular Brasileira, que trouxe para nossa cidade ícones da música brasileira,        como Clara Nunes e Gonzaguinha, entre outros.

Com o fim da era dourada, o Central teve seu momento de declive e em 1983, mas com um movimento de                revalorização do espaço, o teatro é tombado municipalmente, e, em 1994 sua administração passa a ser da              Universidade Federal de Juiz de Fora e o tombamento passa a ser federal. “A vinda do Central para a UFJF foi uma das nossas maiores conquistas. A vinda desse patrimônio para a universidade é que possibilitou a sua conservação e a sua restauração. Nós estamos num processo, previsto pra maio, da maior reforma desde sua restauração há 20 anos”, declara o atual Pró-reitor de Cultura, Gerson Guedes.

Hoje em dia, o Cine-Theatro Central tem mais do que uma visibilidade por si só. O teatro tem grande responsabilidade sócio-cultural. Um dos exemplos é o atual projeto Luz da Terra, lançado pela Pró-reitoria de Cultura da UFJF, que viabiliza a ocupação do teatro para artistas locais, além de popularizar a entrada ao teatro, dando assim oportunidade às pessoas que jamais imaginaram poder comparecer a qualquer tipo e apresentação no Central. Em 2013, o projeto levou mais de 13 mil expectadores ao teatro.

Outros projetos futuros são Ciranda Central e Espaço Ângelo Bigi. O primeiro tem como finalidade trazer o público infantil ao teatro, contribuindo para sua formação dramatúrgica. Já o segundo, visa a instalação de totens móveis no Foyer do Central, apresentando informações sobre a história do espaço.

De porteiro à assistente de direção do Cine-Theatro Central, o senhor Valtencir Parizzi, trabalhou no local por 60 anos. Ainda garoto, começou a trabalhar para os Correios como estafeta (entregador de telegrama), mas o destino o colocou na portaria do extinto cinema Rex. Por sua eficiência acabou sendo transferido para o Central, na mesma função. A partir do contato continuo e da curiosidade pelo cinema, seu Valtencir sabe tudo sobre a Sétima Arte, desde questões técnicas à econômicas. E esse conhecimento aprofundado e dedicação sem limites, que levou seu Valtencir à assistente de direção do cinema.

Seu Valtencir segurando uma foto histórica da saída do cinema - foto de Raíra Garcia

Seu Valtencir segurando uma foto histórica da saída do cinema – foto de Raíra Garcia

Ele tem inúmeras histórias para contar sobre o teatro. Um dos casos que chama a atenção foi a manifestação dos estudantes contra o aumento do preço do ingresso. Foi a chamada “Fila Boba”, onde os estudantes ocupavam lugares nas filas sem comprar ingressos. Assim, dificultava a venda dos bilhetes, já que algumas pessoas desistiam de assistir a sessão, já que a fila nunca acabava. Outro caso engraçado, era sobre os lanterninhas que sempre flagravam um casal namorando “naquela época pra você conseguir dar um beijo na namorada, tinha que levar no cinema. Hoje em dia é que está essa bagunça”, brinca seu Valtencir. E de acordo com ele, se  a “beijação” ultrapassasse os limites, o rapaz era chamado por um superior e avisado que ele e  a namorada poderiam ser convidados a se retirar do teatro.

Seu Valtencir conhece o Central como a palma da mão. Sabe com precisão quantas lâmpadas, quantos banheiros, quantas cadeiras existem no teatro. Uma de suas lembranças mais “apaixonadas” era a “Terça Feminina”, uma promoção, que nas terças feiras, as mulheres pagavam meia entrada “O cinema ficava tão lotado de mulher, que quando a sessão terminava,  a gente podia sentir o perfume das mulheres no cinema mesmo depois delas irem embora”.

Apaixonado pelo espaço, seu Valtencir não se conforma com o fato do Cine-Theatro Central não exibir mais filmes e lembra que o Central precisa cada vez mais estar presente na vida das pessoas e a melhor forma de conseguir isso é voltar, com força, com a programação infantil.

Para o Pró-reitor de Cultura Gerson Guedes, “o Cine-Theatro Central, desde a sua construção, é um marco não só na arquitetura, como na sociedade local. Ele mostra um esplendor de uma época, que é o início do século XX, marcado pela economia da cultura cafeeira e virou referencia nacional”.

 

Sobre o Show

 

Inicia-se amanha a distribuição gratuita dos ingressos para o show em comemoração aos 85 anos do Cine-Theatro Central. A retirada ocorre nas salas da Pró-reitoria de Cultura da UFJF ou na bilheteria do próprio teatro entre 9h e 18h, lembrando que os convites são individuais e cada pessoa tem direito, a no máximo, dois convites.

Em comemoração, a Pró-reitoria de Cultura, no próximo dia 28, sexta feira, às 20h, a noite contará com o Coral da UFJF, do grupo Lúdica Música! e de Dudu Lima trio, além da participação de Milton Nascimento, músico que mantém estreia relação com o teatro e autor da famosa frase “Central, a emoção de todos nós”.

A distribuição dos convites será mediante apresentação de documento de identidade e está condicionada à capacidade do teatro.

 

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