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É tempo de carnaval: o samba na história de Juiz de Fora

Por Rômulo Krause
Publicado em 27/01/2014

Juiz de Fora mostrou desde muito cedo sua vocação industrial. Logo se instalaram aqui usinas, fábricas e um comércio diversificado. Com desenvolvimento acelerado, desembarcaram na cidade povos de todos os cantos do Brasil e do mundo. Assim ganhamos o apelido de “Manchester Mineira”. Quase paralelamente a essa história surgem os primeiros relatos do Carnaval e do Samba na região.

Inicialmente chamadas de “Entrudo” as festividades de Carnaval foram trazidas pelos colonizadores portugueses e incorporadas pelos moradores do ainda chamado Povoado de Santo Antônio do Paraibuna.

A população operária e a proximidade do Rio de Janeiro foram ingredientes fundamentais para o surgimento dos primeiros movimentos ligados ao samba, e, com o passar dos anos, a Turunas do Riachuelo, primeira escola de samba na cidade e quarta do país, foi fundada em 1934.

O surgimento da Turunas acirrou a competição e incentivou a criação de outras escolas, como a Feliz Lembrança e a Castelo de Ouro. Em seus entornos foram formados núcleos de sambistas, que compunham enredos durante todo o ano sobre temas variados. Entoados pelos foliões durante o desfile, esses enredos eram, muitas vezes, uma crítica bem humorada à sociedade da época.

Dentre os compositores, destacaram-se os irmãos Armando Toschi, o Ministrinho, que terá seu centenário comemorado neste ano, e Alfredo Toschi, que transcederam o carnaval e se tornaram grandes nomes da música na região. Geraldo Pereira e Synval Silva também nasceram na cidade e fizeram fama nacional através de seus sambas. Geraldo, para muitos, teve um estilo tão marcante que teria influenciado futuramente na criação da Bossa Nova, já Synval ficou conhecido pelas suas composições cantadas na voz da inesquecível Carmen Miranda.

No final dos anos 60 e começo da década 70, o samba juiz-forano vivenciou outra importante passagem de sua história. Era a época dos festivais promovidos pelas emissoras de televisão. Juiz de Fora recebeu algumas de suas edições, e nelas o ritmo do carnaval e do povo ganhou lugar de destaque, compartilhado com músicos locais e nacionais como Gonzaguinha, Milton Nascimento e João Bosco.

Para o professor de Comunicação Social da UFJF e pesquisador da música popular brasileira, Rodrigo Barbosa, esses festivais criaram um clima de desenvolvimento cultural. “A cidade respirava música. As pessoas se reuniam ao redor de um violão nos bares e botequins, onde trocavam conhecimento e composições. Foi o surgimento de toda uma geração de músicos e um grande momento na história de Juiz de Fora.”

No festival de 1972, surgiu um dos mais importantes nomes do samba na cidade: Armando Aguiar, o “Mamão”. Sempre lembrado pela qualidade intuitiva de sua obra, Mamão foi operário de uma fábrica de explosivos e não teve qualquer estudo na área musical. Mas, tornou-se nacionalmente conhecido por meio da música “Tristeza Pé no Chão”, cantada por Clara Nunes, que viria a ser uma das maiores estrelas da música brasileira. A canção permaneceria 16 semanas nas paradas de sucesso, sendo lembrada até os dias de hoje.

Para Barbosa, como uma cidade de interior, Juiz de Fora apresenta suas particularidades no samba. “Por estarmos no interior de Minas Gerais, o ritmo na cidade apresenta uma influência rural, além, é claro, dos traços herdados do Rio de Janeiro. A viola e a fazenda, típicas do mineiro, não deixaram também de nos influenciar. Essa característica deu uma personalidade única para as composições locais.”

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Alessandra Crispin. Foto: divulgação.

Rodrigo também ressalta que apesar do carnaval tradicional  ter passado por dificuldades nos últimos anos,  grandes nomes surgiram na história recente do samba na cidade, como Sandra Portella e Alessandra Crispin.  Por outro lado, o crescimento do carnaval de rua, representado por blocos, é visível. Segundo o pesquisador, para os amantes do samba, a cidade oferece várias atrações durante todo ano.

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