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Como as diferentes religiões celebram a semana santa?

Monise Vieira

Postado em 15/04/2014

Em uma sociedade de caráter policultural, a multiplicidade das religiões chama atenção nas comemorações religiosas. Demonstrações de fé, religiosidade e devoção marcam a Semana Santa, e é nesta data que é celebrada a Paixão de Cristo. Entretanto, nem todas as religiões comemoram da mesma maneira.

Crianças encenam a Paixão de Cristo.

Crianças encenam a Paixão de Cristo

O Professor do Departamento de Ciência da Religião da UFJF, Arnaldo Huff Júnior, explica que a Páscoa é uma comemoração judaico-cristã, que surgiu no antigo testamento como a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito. Depois, essa festa ganhou um novo significado com a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

“A Páscoa é uma festa que pertence de forma diferente a duas grandes religiões: Judaísmo e Cristianismo. No Brasil, quando falamos em semana santa é sempre referente à celebração da ressurreição de Jesus Cristo. Isso quer dizer, em primeiro lugar, que ela não é uma festa só da igreja católica, mas de todas as igrejas cristãs, como, por exemplo, todas as igrejas protestantes, pentecostais e ortodoxas”, afirma.

Ouça o cientista de religiões:

O Professor Arnaldo explica ainda que as religiões afro-brasileiras têm uma grande influência nas tradições cristãs, mas que a Páscoa não é uma de suas comemorações centrais.

“As religiões afro-brasileiras têm uma grande influência em diálogo em um processo sincrético com as tradições cristãs, mas não é possível dizer que a Páscoa é uma festa central dentro do Candomblé, da Umbanda ou de qualquer uma das outras religiões afro-brasileiras ou das tantas outras” conclui.

Como cada religião entende a Páscoa:

Católicos

O termo “catolicismo” é usado geralmente para designar uma experiência específica do cristianismo compartilhada por cristãos que vivem em comunhão com a Igreja de Roma.

Os católicos celebram a data em um sentindo metafísico: a morte de Jesus Cristo e sua ressurreição para a vida eterna. Essa é uma das comemorações mais importantes para a igreja, começando no Domingo de Ramos, uma semana antes da Páscoa. As festividades são comemoradas na Semana Santa e durante este período há várias celebrações que relembram os caminhos percorridos por Jesus Cristo antes dele ser crucificado.

Judeus

O Judaísmo é uma das três principais religiões abraâmicas, definida como a “religião, filosofia e modo de vida” do povo judeu.

A Páscoa Judaica segue o calendário lunar e tem início em 14 de Nissan – o primeiro mês do calendário judaico, correspondente ao mês de março-abril do calendário tradicional. Para os Judeus, a Páscoa é a festa da liberdade de uma nação – a passagem para uma vida nova, livre do cativeiro egípcio. Neste período as casas são limpas, as louças são renovadas e não pode comer alimentos fermentados. A Páscoa é um período de autoanálise, uma busca pela humildade, onde se reconhece as próprias falhas.

Evangélicos

O protestantismo é um dos principais ramos do cristianismo, englobando várias vertentes como a Luterana, Presbiteriana, Anglicana, Metodista, Batista e Congregacional.

Allisson Dias, que já foi Vice Presidente da Federação de Mocidade Presbiteriana de Itaperuna, ressalta a importância de celebrar a morte e ressurreição de Jesus Cristo em sacrifício pela humanidade e afirma que a Páscoa deve ser lembrada pelo seu sentido religioso e simbólico, não pelo sentido comercial.

Ouça o Áudio:

Espíritas

O espiritismo é uma religião baseada nos ensinamentos de Jesus Cristo, logo os espíritas a consideram uma religião cristã.

Pedro Rodrigues é espírita há 9 anos e explica que os espíritas não comemoram a data como os católicos, mas respeitam a tradição. “Para nós espíritas não existe semana santa, sequer comemoramos sábado de aleluia ou domingo de Páscoa. Isso é uma prática católica que tem influência muito forte sobre o imaginário popular, são atos enraizados vindos de uma época de dominação da religião no país. Respeitamos muito nossos irmãos católicos, mas preferimos ficar com seu exemplo de caridade e de imortalidade, do que reviver a tragédia a que foi levado pela precipitação humana”, afirma.

Candomblé e Umbanda

As religiões de origem africana, na essência, o Candomblé e a Umbanda não comemoram a Semana Santa. Mas em decorrência da interferência cristã nessas duas religiões, muitos terreiros e centros deixam de funcionar durante o feriado e reabrem no Sábado de Aleluia, quando realizam cerimônias espirituais, como forma de celebrar Jesus Cristo, que na Umbanda e no Candomblé é o orixá Oxalá.

Budistas

O budismo é uma religião e filosofia não-teísta, que abrange uma variedade de tradições, crenças e práticas, baseadas nos ensinamentos atribuídos a Siddhartha Gautama, mais conhecido como Buda.

De acordo com o praticante leigo (como são conhecidos os “iogues”), Marco Aurélio Gomes, os budistas não celebram nenhuma das festas cristãs, mas respeitam e acolhem todos os credos e religiões.

“O budismo não é uma religião cristã, mas também não nega a existência de Deus. Nós apenas entendemos que Buda não é filho e nem um enviado de Deus, ele é apenas um homem que sentiu necessidade de entender o sofrimento e cessar esse sofrimento. Nesse sentido, o Buda não é nem uma pessoa, é um estado a ser alcançado por qualquer um que queira evoluir. Então nós não celebramos nenhuma data cristã, mas levamos em consideração que muitas pessoas celebram e não excluímos ninguém por comemorar. Convivemos bem com todas as religiões e temos nossas próprias cerimônias para celebrar nossas datas especiais”, explicou.

De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 123 milhões de brasileiros se declaram católicos, somando 64,6% da população do país. Herança da colonização portuguesa, o catolicismo vem perdendo adeptos para diversas religiões. Cerca de 22,2% do País está inserido nas crenças das igrejas de missão e pentecostais, são 42.275.440 brasileiros que se declaram evangélicos.

O islamismo responde apenas por 1,2% do grupo de outras religiosidades. Sobre os que se declararam sem religião, 4% são ateus.

Mesmo com a redução do número de fiéis ao longo das últimas décadas, o Brasil ainda continua sendo o país com mais católicos no mundo.

Clique aqui e saiba mais.

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