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UFJF perde bolsas de iniciação científica

Por Pedro Henrique Landim

Publicado em 14/08/2013

Ficou mais difícil conseguir bolsas para iniciação científica na UFJF. Quem se interessa pela pesquisa científica na Universidade vai ter que enfrentar maior concorrência. Segundo a Pró-reitoria de Pesquisa (Propesq), o número de bolsas oferecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 2013 é menor do que o ano passado.

O CNPq oferece três tipos de programas para iniciação científica no ensino superior: o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), que é destinado aos estudantes de graduação das instituições de ensino que preencham os pré-requisitos do programa; o PIBIC-Af, que é dirigido às universidades públicas que são beneficiárias de cotas PIBIC e que têm programa de ações afirmativas e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), que tem por objetivo estimular os jovens do ensino superior nas atividades próprias ao desenvolvimento tecnológico e processos de inovação.

Na UFJF o número de bolsas PIBIC passou de 138, em 2012, para 129, em 2013. Já as bolsas PIBIC-Af passaram de 18 para 16, enquanto as bolsas PIBITI caíram de quatro, no passado, para três. A cota de bolsas de iniciação científica é concedida diretamente às instituições, estas são responsáveis pela seleção dos projetos dos pesquisadores orientadores interessados em participar de cada programa. Os estudantes tornam-se bolsistas a partir da indicação dos orientadores.

A estudante do sexto período de história Laís Machado era bolsista PIBIC e não teve seu contrato renovado. “Acho ruim, porque o PIBIC é uma oportunidade dos alunos estarem em contato com o desenvolvimento científico e seria muito bom se tivéssemos chance de continuarmos as nossas pesquisas” – avalia Machado.

Pró-reitora de Pesquisa avalia queda de bolsas na UFJF (foto: Pedro Henrique Landim)

Pró-reitora de Pesquisa avalia queda de bolsas na UFJF (foto: Pedro Henrique Landim)

A pró-reitora de pesquisa da UFJF afirma que essa queda é proveniente da política de distribuição de bolsas do Governo Federal. “Essa é uma queda que vem acontecendo nacionalmente, desde foi lançado o Programa Ciências sem Fronteiras. No meu modo de ver, essa é uma visão destorcida do Governo, que tem investido em um programa novo, em detrimento de um programa consagrado e exitoso, que é o PIBIC” – afirma a professora Marta D’Agosto.

Segundo D’Agosto, a redução de bolsas dos programas PIBIC e PIBIC-Af vem sofrendo redução nos últimos dois anos, e afetado universidades federais de todo o país. “Nós sobrevivemos a essa queda por dois anos. Várias universidades vêm perdendo bolsas e isso é até bastante discutido nos fóruns de pró-reitores”.

Além das bolsas oferecidas pelo CNPq, a Universidade recebe projetos de iniciação científica de outras instituições, ligadas ao governo estadual, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e ao governo federal, caso da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A UFJF também desenvolve projetos de iniciação científica autônomos e a boa notícia é que esses projetos, que não dependem das cotas do CNPq, não sofreram redução e oferecem um total de 815 bolsas. Confira, abaixo, a entrevista completa com a pró-reitora de Pesquisa da UFJF, professora Marta D’Agosto.  

Professor de Comunicação critica a postura de distribuição de bolsas de iniciação científica do Governo

Para falar mais sobre a polêmica que gira em torno da redução das bolsas de iniciação científica na Universidade, o JF Hipermídia conversou com o professor Wedencley Alves, que é representante da Faculdade de Comunicação no Comitê Assessor ao Conselho Setorial de Pós-Graduação e Pesquisa.

JF Hipermídia – Essa redução das bolsas PIBIC e PIBIC-Af nas universidades federais pode enfraquecer a relação entre o CNPq e o próprio Governo?

Wedencley Alves – Não. Isso pode trazer insatisfações no próprio seio das universidades, o que é mais importante. Porque muitas vezes sem bolsistas a pesquisa para. Eu mesmo sou um exemplo. Apostei em duas bolsas para terminar em mais um ano o levantamento sobre o tratamento que a mídia dá ao SUS. Esse prazo não será cumprido, com menos um bolsista. Uma pena.

Professor Wedencley Alves critica postura do Governo

Professor Wedencley Alves critica postura do Governo

JF Hipermídia – E isso pode provocar redução da produção intelectual a médio e longo prazo?

Wedencley Alves – Não há como falar em médio ou longo prazo, porque se esta política é instável, ou seja, muda de ano a ano, não sabemos exatamente o que acontecerá em 2014. A produção intelectual não para. Mas a pesquisa sai bem prejudicada, porque nem toda pesquisa precisa da internacionalização, mesmo se ficarmos no caso específico deste ano.

JF Hipermídia – O Governo tem tirado investimentos de um programa para aplicar em outro? Como o senhor avalia essa realidade?

Wedencley Alves – O aspecto negativo é o fato de que o Ciência Sem Fronteira vem excluindo áreas humanas e sociais. Portanto, trata-se de uma percepção baseada numa crença de superioridade das outras áreas. Principalmente, porque são áreas com diálogos com o mercado, ou com a saúde, por exemplo. Sabemos que em outros países isso acontece. Mas os governos anteriores vinham mantendo uma certa discrição com relação a esta predileção. O aspecto relativamente positivo seria se a migração para o Ciência Sem Fronteira, que é um sistema que aponta para a internacionalização de nossa universidade, pudesse também contemplar estes campos “esquecidos”. Se é uma mudança de modelo, ok. Isso pode ser positivo, “desde que” se pare definitivamente com este preconceito contra as áreas humanas, sociais e sociais aplicadas.

JF Hipermídia – Essa realidade pode ser considerada como parte de uma tendência?

Wedencley Alves – Pode ser. Principalmente, pelo apelo à internacionalização, que hoje é muito forte. O Ciência Sem Fronteira vem neste contexto. Mas isso traz um risco grande. O de você estar financiando passeios e não pesquisa… Hoje vejo o CSF muito dependente da seriedade do bolsista. Isso não pode acontecer. É fundamental que nós tenhamos mecanismos de controle sobre estes milhões gastos em recurso público. O governo Dilma resolveu esta questão da pior maneira possível. Simplesmente, discriminou algumas áreas, como se não houvesse “turistas” nas chamadas áreas duras. Ou seja, o sistema não pode depender da boa vontade dos atores sociais. O sistema deve prever desperdícios e maus usos, porque sempre alguém fará mau uso ou desperdiçará recursos.

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