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O cinema mais “pertin”

Por Ana Clara Nunes Roberti

Os festivais de cinema cada vez mais entram para o calendário cultural do brasileiro. Em Minas não tem sido diferente.  Atualmente, existem cerca de 240 eventos desse tipo acontecendo no país e isso tem atraído, em média, três milhões de pessoas, de acordo com estimativas feitas pelo Fórum dos Festivais. Parte da contribuição para esses números vem da nossa região.

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A Mostra de Cinema de Ouro Preto trouxe, este ano, cerca de 20 mil pessoas para a cidade

Exemplo recente disso é a 8ª Mostra de Cinema de Ouro Preto. Entre os dias 12 e 17 de junho a cidade de setenta mil habitantes recebeu mais de vinte mil convidados. Os números mostram o quanto os festivais têm a capacidade de movimentar um local ou região. Ramilla Mello mora em Ouro Preto e fala a respeito disso: “A cidade muda e muda pra melhor, cada vez mais pessoas de fora vem participar dos festivais e mostras. Isto melhora a economia local e gera empregos, mesmo que temporários”. Estudante de Artes Cênicas da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), Ramilla mora em uma república e durante o festival hospedou pessoas de outras cidades.

Esse tipo de manifestação cultural costuma ser gratuita e acaba por trazer não apenas turistas, mas pessoas da própria cidade para interagir com a sétima arte. Com tudo muito “pertin” fica fácil e prazeroso participar, “é possível perceber como esses eventos deixam o cidadão ouro-pretano mais motivado e próximo de atividades culturais”, afirma Ramilla.

O financiamento para iniciativas culturais como os festivais de cinema, pode vir de maneiras diferentes. A Universo Produção é responsável por três mostras em Minas Gerais (Belo Horizonte, Tiradentes e a de Ouro Preto). Nesse é caso, é a organização que corre atrás de investimentos financeiros. “Pensa, elabora e apresenta ao mercado
conjunto de ações, propostas, projetos nos segmentos empresarial, político, da comunicação”, é como se apresenta a produtora dos festivais em seu site oficial. A Lei Rouanet, que existe no Brasil desde 1991, é um auxílio nesse sentido. Regulada pelo Ministério da Cultura, ela permite que até 4% do imposto de renda da Pessoa Física ou Jurídica seja aplicado em projetos culturais.

Os gastos variam muito de acordo com o tipo e o tamanho do festival. Organizador do Primeiro Plano, que acontece em Juiz de Fora, Nilson Alvarenga fala um pouco sobre isso: “no ano passado, tivemos verba de 150.000,00. É pouco, na verdade, se levarmos em conta que é preciso hospedar todo mundo, alimentacao, transporte, alugar sala, projetor etc.”

Uma vitrine de oportunidades       

Os filmes brasileiros nem sempre estão no circuito comercial e muito menos os curta metragens. Isso não significa que não haja produção desse tipo de conteúdo no país, muito pelo contrário. As inscrições de filmes para festivais lotam as caixas de e-mail dos organizadores de mostras. É tanto, que nem todo mundo consegue um espaço para exibir suas produções, tamanha concorrência.

Esse não é o caso de Tomyo Ito. Juiz-forano e recém formado em comunicação ele viu nesses eventos uma forma de exibir seus trabalhos para o público. Com filmes selecionados para o Primeiro Plano em Juiz de Fora na edição de 2012 e este ano para a Mostra Cineop, ele conta como foi a experiência mais recente de ver sua produção na telona: “foi uma alegria imensa, porque eu participei em anos anteriores da Mostra como espectador e como aluno de oficina. Eu imaginava como seria exibir meu filme, uma realidade ainda distante pra mim, naquela época.”

A experiência de ver como o público recebe uma produção autoral na grande sala escura tem sido cada vez mais freqüente em jovens que, muitas vezes, ainda estão cursando a faculdade. Por se tratar de eventos abertos, como o Cineop, pessoas com repertórios e gostos diferentes vão para a exibição dispostas a ver o que tiver que ser. É uma vitrine eclética e acessível.

“É preciso estar atento…”

Na nossa região há festivais em cidades e épocas diferentes. Na pacata Tiradentes, acontece um dos maiores eventos da área, que já é reconhecido no país depois de suas dezesseis edições, é a Mostra de Cinema de Tiradentes. Esta acontece sempre em janeiro, no início do calendário dos cinéfilos. Esse ano foram exibidos mais de 120 filmes brasileiros, incluindo curtas e longas em pré-estreias nacionais e mundiais.

Em Juiz de Fora o festival de cinema Primeiro Plano completou ano passado onze edições e promete a décima segunda para este. O diferencial do evento é o fato de que prioriza cineastas estreantes. Nilson Alvarenga, um dos organizadores da mostra, fala sobre um dos pontos principais: “uma característica marcante do Primeiro Plano, desde sua idealização, é levar a cultura do cinema principalmente aos que pensam que um festival está fora de sua realidade”. O festival não tem data certa, mas normalmente acontece no final do ano, entre os meses de outubro e novembro.

Ainda na cidade acontece a SEDA (Semana do Audiovisual), produzido pelo coletivo Sem Paredes, que faz parte da rede nacional Circuito Fora do Eixo. Gian Martins é um dos responsáveis pelo coletivo em Juiz de Fora e conta um pouco sobre o evento: “A SEDA tem um grande poder de desenvolvimento local do audiovisual e da cadeia de produção colaborativa de forma geral. Tudo isso promovendo o intercambio entre as cenas”. O mesmo festival acontece em outras cem cidades do país com a mesma ideia, focada no audiovisual.

Em Cataguases o Ver e Fazer Filmes tem uma proposta diferente. Os participantes produzem filmes durante o período da mostra. No ano passado ocorreu em outubro a terceira edição e dessa vez foi sediada em Guimarães, Portugal. Lá foram convidadas três equipes, duas do país e uma de Cataguases. Eduardo Yep e Juliano Braz participaram dessa edição, veja o depoimento que os realizadores deram para o site do evento. O festival tem ocorrido de dois em dois anos. Para quem gosta de assistir e produzir, vale a pena explorar!

Fora da poltrona

Prática comum dos festivais de audiovisual da nossa região são as atividades fora da sala de cinema, que exigem a participação ativa dos interessados. Em Ouro Preto, por exemplo, nos dias da mostra houve mesas de debate e seminários sobre questões ligadas a preservação de arquivos e a produção cinematográfica do Brasil na época da ditadura.

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O palhaço Popó e as crianças que participaram das sessões infantis da Cineop

Além desse tipo de programa, quem vai a mostra tem tido a oportunidade de participar de oficinas, teóricas ou práticas. Exemplo disso acontece no Primeiro Plano, SEDA, Mostra de Tiradentes e Cineop. A rede Tv Cocriativa tem estado presente dando oficinas nos últimos três anos nos festivais de Tiradentes e Ouro Preto e esse ano não foi diferente. Igor Amin é um dos fundadores e responsáveis por ministrar as oficinas, ele conta sobre o que é mais interessante no processo: “O mais legal de realizar oficinas durante mostra de cinema é que conhecemos uma turma sempre interessada em trocar, compartilhar e vivenciar novas experiências junto ao audiovisual e as novas mídias.”

Falando em atividades longe das telas, todos os anos, durante a mostra de Ouro Preto, acontece o Cortejo da Arte (veja a galeria de fotos). Saindo tradicionalmente no domingo e guiado pelo palhaço Popó o desfile parte da Praça Tiradentes e desce a famosa Rua Direita. É um ponto alto do festival e este ano o evento foi acompanhado de banda, bateria, bonecos, pernas de pau e uma quadrilha afinadíssima e muito colorida.

As crianças também fizeram parte do festival em peso. Todos os dias lotavam a sala de mais de 400 lugares durante as sessões destinadas elas. Para entender melhor desses outros lados da Cineop, veja o vídeo guiado pelo palhaço Popó, uma figura que marca presença todos os anos na Mostra.

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