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Locais de inundação em JF começam a ser trabalhados

Raíssa Ferreira
postado em: 11/111/2013

Todos os anos a história se repete em épocas de chuvas de verão. As regiões metropolitanas das grandes cidades enfrentam as enchentes que desabrigam milhares de pessoas. Isto sem contar que são capazes de ferir e até matar outras tantas. O que mais é divulgado é que normalmente os maiores prejudicados são as pessoas pobres da periferia que não possuem condições seguras e ideais de moradia, estando a mercê das precárias condições urbanísticas da cidade.

Entre os anos de 1906 e a década de 40, em Juiz de Fora também não era diferente. A cidade sofria após chuvas mais fortes, as conseqüências das enchentes que transtornavam toda a parte da cidade que margeava o rio Paraibuna. As águas tomavam conta das partes mais baixas da cidade, atingindo as regiões de Costa Carvalho, Largo do Riachuelo, Mariano Procópio, Avenidas Getúlio Vargas, Rio Branco, Francisco Bernardino e Praças João Penido e Antônio Carlos, chegando as águas a mais de 2 metros de altura.Porém, a partir da década 1940, nossa cidade foi notícia em todas as rádios e jornais do país. Nesta época aconteceu a maior enchente de todos os tempos para a região. Transformou em um verdadeiro rio, as ruas como a Marechal Deodoro, a Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, Halfeld, Praça da Estação e Largo do Riachuelo. O acesso às casa nas partes mais baixas destas ruas se dava somente por canoa.

As providências só chegariam na década de 50, quando o então presidente, Getúlio Vargas, liberou verbas para a retificação do rio Paraibuna que visavam eliminar as curvas que retinham suas águas. Foi feito primeiramente o levantando das margens e terminou-se com a construção, na altura do bairro Poço Rico, de um canal que levou o nome de Hovyan, em homenagem ao engenheiro que o projetou.

No áudio abaixo, José Homero Pinto Soares, Professor do departamento de engenharia Sanitária Ambiental da UFJF conta um pouco mais quais são outros fatores que influenciam nas inundações.

Só então o centro de Juiz de Fora se livrou das enchentes do rio Paraibuna. Mais recentemente, a represa de Chapéu D’Uvas foi inaugurada, com a importante finalidade de controlar o nível das águas do rio Paraibuna.

O crescimento da malha urbana foi acompanhado por um aumento de ocupações irregulares o que por sua vez, intensificou os problemas ambientais na cidade. Neste sentido, vários problemas socioambientais e mudanças bruscas na paisagem estão acontecendo, implicando na queda da qualidade ambiental e de vida na cidade. Problemas como erosão, deslizamentos de terra, enchentes, são alguns resultados dos impactos causados pela mudança brusca e na transformação do meio natural.

No bairro Vila Esperança II, a situação é preocupante quando o assunto é chuva. O tipo de ocupação que lá predomina favorece a ocorrência de eventos ligados a movimento de massa. Assim é comum que em épocas de chuvas intensas ocorram alagamentos e escorregamentos naquela região. Isso porque a água não infiltra devido à impermeabilização do solo o que ocasiona o escoamento superficial das águas. Além disso o bairro não possui uma via de escoamento, já que o único córrego que o atravessa teve seu fundo de vale canalizado, como mostra o mapa abaixo de Áreas de Preservação Permanente de 20 metros.

enchentes

No bairro Linhares os fatos são os mesmos. Com os acontecimentos freqüentes de enchentes e deslizamentos, a Prefeitura tem procurado intervir para que incidentes maiores não aconteçam. Quando chega o período das chuvas, a Defesa Civil vai ao bairro e delimita as áreas condenadas. Com isso, pode ser entendido que o Estado promove ações no sentido de evitar ou mitigar os problemas.

José Homero deixa claro no áudio abaixo que uma das grandes preocupações da Prefeitura da cidade foi e por sinal ainda continuará sendo o bairro Industrial.

No bairro Jardim Esperança a maioria dos casos sempre se relaciona aos escorregamentos de terra; a Defesa Civil já está atenta para os próximos meses.  A BR 267 em outros verões já teve até de ser interditada pois a pista ficou totalmente inundada, sem a mínima chance de trânsito.

O professor José Homero, comentou no áudio a seguir qual deve ser a providência a seguir e listou quais as mobilizações devem ser tomadas para evitar o problema das enchentes.

São elas:

– manutenção das áreas verdes existentes e preservação das áreas de preservação permanente;

– criação de novas áreas verdes para aumentar a permeabilização;

– construir represas, diques e piscinões, substituindo uma das funções das antigas várzeas, que é aliviar o quadro de inundações nos picos de cheia. Essas estruturas captam a água que ficaria empoçada na cidade, despejando-a pouco a pouco nos rios;

– assistir a grande massa de pobres da periferia, melhorando o saneamento básico e garantindo a coleta de resíduos sólidos;

– implementar programa de limpeza intensiva de bueiros e galerias entupidos com lixo jogado pela própria população;

– estimular a educação ambiental nos órgãos públicos, entidades particulares e escolas;

– estreitar o relacionamento entre o Poder Público e as associações de bairro;

– levantar e definir os locais problemáticos em termos de enchentes e criar mecanismos técnicos mais eficazes para a vazão da água;

– elaborar o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e o Plano Diretor de Drenagem Urbana, estabelecendo os índices de ocupação do solo e os parâmetros para a macrodrenagem urbana;

– elaborar e implementar plano de contingência e programa de combate a inundações;

– impedir o acesso de carros e pessoas nos locais críticos nos momentos de grandes precipitações pluviométricas;

– manter o Poder Público em sintonia com o serviço de meteorologia.

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