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Índice de acesso à internet e às redes sociais por crianças é alto no Brasil

Média da presença online infantil no Brasil é muito superior à média de outros países

 Leonardo Alves, Postado em 26 de março de 2014

Facebook: controle de acesso às redes sociais deve ser rigoroso.

Facebook: controle de acesso às redes sociais deve ser rigoroso.

É cada vez mais comum vermos perfis de crianças e jovens nas redes sociais. Pela maioria já ter nascido no século XXI, da chamada Era Digital, estas crianças estão tendo acesso a aparelhos eletrônicos muito antes da idade recomendada para a utilização dos mesmos. O Facebook é um dos principais espaços que agregam perfis infantis.

De acordo com pesquisa realizada pela empresa especializada em cibersegurança AVG Media Center no ano passado, praticamente toda criança entre 6 e 9 anos de idade com pais que usam a internet está conectada e mais da metade delas utilizam o Facebook.

A pesquisa também apresenta outros dados completos sobre a presença online infantil, garantindo que as crianças são agora verdadeiras nativas digitais. Mais de 60% das crianças estão gastando mais de 2 horas por semana online. 7% das crianças passam mais de 10 horas por semana on-line, sendo que deste total 12% estão nos EUA e 16% no Brasil.

As competências digitais estão sendo aprendidas muito cedo também, bem antes de  habilidades para a vida. Entre crianças de 2 a 5 anos, por exemplo, Mais crianças podem jogar um jogo de computador básico (66%) do que andar de bicicleta (58%) e 47% delas podem navegar em um smartphone ou tablet, enquanto apenas 38% podem escrever seu nome completo.

No Brasil, 97% das crianças que os pais usam a internet estão conectadas, enquanto a média dos outros países pesquisados é de 89%. Em relação à presença online infantil no Facebook, a taxa brasileira é de 54% que é o triplo dos outros países pesquisados e nove vezes superior a Austrália. Vale ressaltar que a idade mínima recomendada pelo Facebook para a criação de um perfil é de 13 anos.

 

Fiscalização constante

A jovem Laura Ferenzini utilizando seu perfil no Facebook. Irmão controla todas as ações. (Foto: Leonardo Alves)

A jovem Raquel Ferenzini utilizando seu perfil no Facebook. Irmão controla todas as ações. (Foto: Leonardo Alves)

Devido a esse alto índice de crianças conectadas à internet e às redes sociais, a fiscalização por parte dos responsáveis deve ser rigorosa. O estudante de Ciências Contábeis, Raphael de Souza Ferenzini, é quem gerencia a conta no Facebook de sua irmã Raquel Ferenzini, de apenas 12 anos e afirma que o controle deve ser rigoroso. “Eu tenho a senha do perfil dela e sempre vejo o que ela posta e com quem ela tenha conversado; quando alguém a adiciona, eu vejo antes para ver se autorizo ou não. É algo que deve ter fiscalização constante, pois ela ainda é nova”, disse o estudante.

Raphael ainda completa que impedir a criação de perfis de crianças e jovens nas redes sociais é complicado hoje em dia. “Muitos amigos da escola criam um perfil e a criança também quer ter um, isso é natural. Minha irmã me pediu durante um ano para criar um perfil no Facebook. Como meus pais não são muito ligados à internet, eu é quem fico responsável por controlar o uso das redes sociais dela”, conta Raphael.

A psicóloga Edelvais Keller acredita que, passando muito tempo conectada a internet, a criança tende a confundir o mundo real com o virtual e isso pode comprometer o desenvolvimento de sua personalidade. “Deve haver sempre o limite e os pais ou responsáveis devem ter atenção redobrada com o que as crianças visualizam na internet. Acredito que tem que ter horário para o acesso, pois pode acabar virando um vício”, comenta a psicóloga.

Os perigos para as crianças são inúmeros na internet e nas redes sociais, sendo os principais: contato com conteúdo impróprio para a idade; e contato com pessoas estranhas, já que em muitos casos as crianças ficam vulneráveis à crimes como a pedofilia.

 

Ouça o áudio completo da entrevista com a psicóloga Edelvais Keller.

Ouça o áudio completo da entrevista com o estudante de Ciências Contábeis, Raphael Ferenzini, que monitora o perfil do Facebook de sua irmã Raquel, de apenas 12 anos.

 

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