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Um sopro do coração: Bandas de Música buscam aproximação com a população de Juiz de Fora

A banda que toca dobrado chegou! 

Felipe Reis – 30/06/2014

Anos de história e tradição vem se perdendo no tempo. Corporações marcantes nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, as Bandas de Música passam por dificuldades de renovação dos componentes e a falta de estrutura. Fundadas, em sua maioria, na metade do século passado, as bandas tocavam nas festividades dos bairros, cumprindo um calendário atrativo, que mantinha a renovação necessária para a manutenção das entidades. Atualmente, em Juiz de Fora, quatro bandas seguem na luta por dias melhores, mantendo os ensaios e as apresentações. São elas: Sociedade Euterpe Monte Castelo, Lira Santa Rita de Cássia, Banda de Música Nossa Senhora de Lourdes e Banda Tenente Januário.

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Sociedade Euterpe Monte Castelo, nos anos 1960. Acervo: S.E.M.C.

As bandas existentes são registradas e rebecem da Prefeitura, através da Funalfa(Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage), um incentivo para a manutenção das sedes e do corpo musical. De acordo com o funcionário da fundação, Paulo Melado: “Juiz de Fora perdeu três bandas – Sociedade Musical São Geraldo, Banda da Febem e Sociedade Nossa Senhora Aparecida – que pararam de ensaiar e encerraram as atividades”.

Mudanças de sede, faixa etária avançada, raras apresentações e poucos alunos. Na luta para conseguir manter a música viva, é comum encontrar musicistas que integrem duas, ou até três bandas diferentes. As reclamações, entre eles, são, praticamente, as mesmas: “O tipo de música não interessa as pessoas, por isso os jovens não querem aprender instrumentos de sopro e, também, a banda não é chamada para tocar em lugar nenhum”. A afirmação do regente da Lira Santa Rita de Cássia, Antônio Rosa, é um reflexo do momento vivido pelas corporações.

Fundada no dia 15 de agosto de 1959, a Lira Santa Rita de Cássia é a banda que enfrenta mais dificuldades. Além das constantes mudanças de sede, tem o corpo musical reduzido a 15 componentes, sem expectativa para a entrada de novos integrantes. Os ensaios acontecem, improvisadamente, em uma sala cedida pela Prefeitura,desde 2003, na Travessa Doutor Prisco Vicente, número 97, Centro. Além dos problemas estruturais e a dificuldade na renovação, a tristeza pelo abandono abala os componentes da banda. “Se nada mudar, estamos fadados ao fim”, concluiu Alex Belucci, que participa da Lira desde 1999.

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Ensaio da Lira Santa Rita de Cássia. Foto: Felipe Reis

O saudosismo e a melancolia também aparecem na Banda de Música Nossa Senhora de Lourdes, localizada na rua Comendador Frederico Alves de Assis, número 53, bairro Francisco Bernardino. Mesmo com a sede própria, a entidade fundada em 07 de setembro de 1952, segue sem alunos. “As outras formas de diversão mataram o ensino na banda”, afirmou Amaury José, um dos fundadores e atual regente. A Banda de Música Nossa Senhora de Lourdes conta com 18 musicistas, e mantém os ensaios nas quintas-feiras, às 19 horas.

Durante esta “peregrinação” pelas sociedades musicais, a situação começa a melhorar a partir da Banda Tenente Januário. A mais antiga em atividade, desde 12 de setembro de 1936, possui sede própria na rua Humaitá, S/N, bairro Santa Helena. Atualmente, conta com 25 musicistas e, regida por Jorge Rômulo, é a que mais se apresenta, através de retretas e encontros de bandas, mantendo um calendário de atividades que aproxima a corporação e a cidade.

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Banda de Música Tenente Januário. Foto: Felipe Reis

Por fim, a Sociedade Euterpe Monte Castelo merece destaque. Fundada em 02 de janeiro de 1951, com sede própria desde 1988, foi regida pelo maestro José Antônio Quirino por 47 anos, ininterruptos. Até o início da década de 1990,o corpo musical da Euterpe contava com 80 musicistas, que foi reduzido gradualmente, mesmo com a manutenção das aulas. Nos dias de hoje, além dos ensaios, com 28 componentes presentes, também tem as aulas de música para 25 alunos cadastrados. A estrutura oferecida pela sede suporta até 100 músicos, simultaneamente.

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Sala de ensaio da Sociedade Euterpe Monte Castelo. Foto: Felipe Reis

Diferenças a parte, as sociedades musicais têm o mesmo objetivo: manter a tradição, esperando os convites para as apresentações. A esperança é que a visibilidade traga novos alunos e incentivadores, para conservar um dos traços da cultura mineira.

Veja abaixo, um trecho da apresentação da Sociedade Euterpe Monte Castelo, no último domingo, durante procissão no bairro Monte Castelo.

Talento das Bandas 

Ouça clicando aqui, o trompetista Wagner Souza, que cursou teoria musical e iniciação em trompete pela Sociedade Euterpe Monte Castelo, em Juiz de Fora. Vencedor do XI Prêmio BDMG Instrumental e participou do Savassi Festival 2010, ao lado do Mauro Continentino. Hoje, participa de shows, turnês e gravações de diversos artistas, entre eles: Elza Soares, Biquíni Cavadão Emmerson Nogueira, Gusttavo Lima, Wilson Sideral e Toninho Horta.

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