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A Copa da minha vida

Os brasileiros do país do futebol sempre tem aquela Copa que marcou a sua vida. E aí, qual foi a sua?

Lívia Saenz

Postado em 18/06/2014

Atualizado em 26/06/2014

No dia 21 de julho de 1970 o Brasil ganhou sobre a Itália na final da Copa do Mundo. Para Damaso Altomar aquele foi um dia de duas vitórias, uma pelo tricampeonato conquistado e outra por um motivo muito especial, o nascimento de seu quarto filho, Guilherme. Foi o mesmo número de gols que a seleção canarinho havia acertado contra a Itália, que só marcou uma bola na rede.

O filho nasceu campeão. A mãe de Guilherme, Nilza Altomar estava no hospital na hora do jogo, mas chegou na janela a tempo de se juntar a comemoração do título. A Avenida Rio Branco foi ocupada pelo verde amarelo, uma passeata de carros tocando buzina e balançando bandeiras. Foi uma Copa inesquecível para o casal.

Segundo Damaso, foi a partir do terceiro título que a torcida para a nossa seleção ganhou força, e daí para frente foi só alegria. Sempre com a tradição de assistir os jogos em família. Hoje os filhos já são casados e tem suas próprias famílias, o que atrapalha na reunião para os jogos, mas a torcida continua. Mesmo que, para Damaso, o sucesso desse ano não seja garantido. “Muitas outras seleções vieram para brigar como Alemanha e Holanda. Mas essa vitória é muito esperada. E como no futebol tudo é possível, temos que esperar a final para ver.”

Vai ter Copa sim!

A família da Marcela já está pronta pra torcer (Foto: acervo pessoal)

A família da Marcela já está pronta pra torcer (Foto: acervo pessoal)

Se a Copa de 70 foi a Copa da vida de Damaso, para Marcela Rosa a Copa desse ano é que tem um gostinho especial. A nova mamãe apresenta para seu filho Manoel, que tem apenas oito meses de idade, a primeira Copa do Mundo que ele vai assistir. “Copa sempre teve um significado muito grande para mim porque é quando eu me sinto realmente brasileira. E isso é o diferente bom para mim com o Manoel. Com a Copa do Mundo posso apresentar a ele mais esse sentimento que, ele pode não entender agora, mas tenho certeza que, quando entender, vai se orgulhar de estar participando disso desde agora. O sentimento é lindo.” comenta Marcela.

E essa Copa estar sendo sediada no nosso país só aumenta esse sentimento. “A Copa do Mundo acontecendo aqui dentro da nossa casa tem feito muitos brasileiros enxergarem ela como uma oportunidade de reclamar dos nossos problemas (antigos e novos…). E isso torna essa Copa inesquecível não porque está havendo protestos durante esse mega evento, mas porque pela primeira vez na vida eu vejo o sentimento de querer melhorar o país aflorar ao invés das pessoas só desejarem sair daqui. Não que estejam certas as maneiras que eles têm encontrado, mas… pode ser um passo. E Copa é isso para mim: nos sentir brasileiros.”

E Marcela deixa o seu palpite, esse ano é o ano? “Acho que o Brasil tem fortes chances de ganhar por conta do Manoel. Na verdade, independente do pezinho do meu pequeno, estou bem esperançosa. Acredito sim que esse ano possa ser o ano, não só porque estamos em casa ou porque temos torcida que canta o hino até o final. Acredito porque sou brasileira e meu papel é acreditar que o Brasil “vai levar essa esse ano”.”

Brasileiros e pessoas de diversas nacionalidades se reúnem para assistir os jogos (Foto: acervo pessoal)

Brasileiros e pessoas de diversas nacionalidades se reúnem para assistir os jogos (Foto: acervo pessoal)

Copa no Brasil, para quem não está no Brasil

Uma Copa do Mundo em casa é o que está tornando essa especial para muitas pessoas mas, e para quem não está por aqui? A estudante Maria Daibert está em Derby, na Inglaterra, desde janeiro desse ano, e está tendo que ver os jogos por lá mesmo. A torcida era para o Brasil e para a Inglaterra, mas agora que o país que inventou o futebol foi eliminado tão cedo do campeonato, o foco está na nossa seleção canarinho.

Clique aqui para saber como está sendo a torcida a distância da estudante Maria Daibert.

A Copa da minha vida

A Copa do Mundo retornou, após longos 64 anos, a casa de seu maior campeão: o Brasil. Para a maioria dos brasileiros essa foi a primeira oportunidade de assistir um jogo entre seleções, e com o bônus dele ser no campeonato de futebol mais importante do mundo.

No caminho para o estádio os brasileiros são maioria (Foto: Lívia Saenz)

No caminho para o estádio os brasileiros são maioria (Foto: Lívia Saenz)

Os ingressos mais cobiçados foram, é claro, para os jogos do Brasil, mas como todo jogo é jogo e todas as seleções tem seus destaques que merecem ser vistos de perto, os brasileiros tem sido presença confirmada em todos os jogos dessa primeira fase. Desde os fãs do futebol mundial, até quem só reconhece os jogadores por causa das figurinhas do álbum da Copa, os torcedores brasileiros prestigiam o evento.

Inicialmente todos os ingressos haviam esgotado, mas a poucos dias das partidas a FIFA tem liberado as vendas novamente. E a única coisa melhor do que ir ver os jogos, é descobrir que tem a oportunidade, que antes parecia perdida, de ir num jogo naquela mesma semana. Foi o que aconteceu comigo.

Os peruanos esperam na fila de ônibus (Foto: Lívia Saenz)

Os peruanos esperam na fila de ônibus (Foto: Lívia Saenz)

Eu consegui um ingresso para o jogo entre Argélia e Bélgica, que aconteceu em Belo Horizonte no dia 18. Quando você chega em uma cidade-sede a primeira coisa que se nota são os estrangeiros, de todas as nacionalidades. Até dos países que não conseguiram um lugar na Copa, como é o caso do Peru.

Com linhas exclusivas até o estádio em dias de jogo, a recomendação dos voluntários da FIFA é ir de ônibus. O que se torna uma experiência única. No mesmo ônibus é possível ouvir conversas em português, espanhol, inglês, francês, árabe. Os ônibus só podem ir até certo ponto, o resto do caminho tem que ser feito a pé mesmo. Os torcedores mais criativos viram a sensação, todo mundo quer tirar foto com eles.

Chegando no estádio as torcidas se dividem. Belgas para um lado, argelinos para o outro, e os brasileiros por todos os lados. O primeiro gol foi para Argélia, a som do grito de guerra da seleção: ONE, TWO, THREE, VIVA L’ALGERIE! Os belgas não perderam o tempo em mudar o resultado e acabaram ganhando o jogo por 2×1.

A Copa da minha vida (Foto: Lívia Saenz)

A Copa da minha vida (Foto: acervo pessoal)

A saída do jogo foi amistosa, apesar dos argelinos estarem chateados pela derrota. Todos sairam ansiosos para o principal jogo do dia: Brasil x México. O empate no zero a zero, não atrapalhou na felicidade que era vista nas ruas. Afinal nada que é bom vem fácil e uma vitória em casa seria uma emoção a mais. Até pouco antes da Copa muitos torcedores estavam desacreditados mas foi só o dia 12 de junho chegar para termos a confirmação: vai ter Copa sim. Uma Copa de torcidas, uma Copa de surpresas, e se possivel de hexacampeonato.

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