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Clube da Leitura

No desafio de formar leitores escolas e bibliotecas aparecem como principais incentivadores do hábito da leitura

Natália Oliveira

Aprender e pronunciar melhor as palavras. Desenvolver a comunicação, a criatividade e a imaginação. Adquirir cultura, conhecimentos e valores. Estar preparado para os estudos, o trabalho e a vida. Pode parecer exagero, mas esses são alguns dos benefícios da leitura, e quanto mais cedo as pessoas são estimuladas a ler, mais benefícios são adquiridos.

Para o professor Paulo Roberto Oliveira Dias, coordenador do curso de Pedagogia da UFJF, a escola tem um papel importante na tarefa de incentivar o hábito e o prazer pela leitura. “Os professores devem despertar a curiosidade e o interesse dos alunos, comentar e contextualizar os livros, sejam eles didáticos ou não.” Mas, segundo ele esta não é uma tarefa somente das escolas e a participação da família no incentivo à leitura faz toda a diferença, “as crianças acostumadas com a leitura no ambiente familiar reagem mais rápido e abertamente as iniciativas da escola, por isso o papel da família é fundamental”, ressalta Paulo.

“A literatura tem o poder de fazer com que as pessoas se questionem e percebam que o mundo é muito mais que a tela da televisão ou a janela da sua casa”, ressalta Giovani Verazzani, professor de língua portuguesa e literatura. De acordo com o professor, é de fundamental importância o incentivo à leitura desde a infância para a formação de leitores. Para Giovani, a questão do hábito e apoio à leitura na cidade é complicado. “Existem instituições que incentivam e outras nem tanto, isso varia para cada escola, professor e família. Mas eu vejo que as pessoas estão procurando, tentando se aproximar cada vez mais da leitura.”

Projetos da PJF
A grande aposta da Secretaria de Educação (SE) de Juiz de Fora, para incentivar a leitura entre os alunos da rede municipal é o Literatudo. O projeto vem sendo realizado desde o ano de 2010, e segundo Iêda Maria de Carvalho, chefe do departamento de políticas de formação, a proposta é que as escolas tenham no seu planejamento atividades diárias de leitura, trabalhadas de forma interdisciplinar. “O nosso objetivo é que ao longo do ano a literatura esteja inserida plenamente nas atividades, não só com os professores de língua portuguesa e artes, mas também interagindo com as outras áreas de conhecimento.”

literatudo

As atividades interdisciplinares são trabalhadas para criar o hábito pela leitura nas crianças no Circuito de Leituras. Foto: Divulgação

As atividades do Literatudo são desenvolvidas em diversas linhas de ação, como os trabalhos de grupos de estudos de formação continuada. O Grupo de Estudos Dinamização da Leitura nas Escolas trabalha a capacitação dos professores e reúne mensalmente os profissionais envolvidos com os projetos e disciplinas relacionadas à leitura nas escolas. Já o Grupo de Estudo Arte e Cultura busca o dialogo entre a literatura e as demais artes. Além das atividades de formação existe o acompanhamento às bibliotecas da rede pública feito por profissionais da SE, com o objetivo de tornar estes ambientes mais dinâmicos e acolhedores para alunos, pais e professores.

O maior evento do projeto é o Circuito de Leituras, realizado no mês de agosto. Para este período os alunos participam da criação de trabalhos que tem como ponto de partida obras literárias, que são adaptadas para diferentes suportes como música, teatro, artesanato e dança. As apresentações das atividades são feitas entre as escolas através de visitas, para promover o intercâmbio entre as instituições da rede pública.

De acordo com a chefe do departamento de políticas de formação, as atividades entre as escolas tem gerado um maior interesse dos alunos pelas bibliotecas das instituições e por questões relativas à arte e à cultura, além do envolvimento dos professores nas propostas interdisciplinares. “O encontro funciona como uma pausa para reflexão e como motivador para a continuidade do projeto. As escolas voltam renovadas das visitas e a proposta tem sido enriquecedora”, afirma Iêda Maria de Carvalho.

Além dos cursos de formação, os profissionais de educação da rede pública recebem anualmente da Prefeitura a Ajuda de Custo para Valorização do Magistério (AVCM), no valor de R$700. O benefício é destinado ao uso profissional, para aquisição de livros, assinatura de periódicos, compra de equipamentos , participação em congressos e cursos.

Fest Ler
O Festival Anual da Leitura (Fest Ler) foi realizado pela última vez em 2008, o evento que reunia a população na feira de livros, oficinas e atividades culturais ficou marcado na cidade. No entanto as últimas administrações da Prefeitura de Juiz de Fora optaram por não realizar o evento. De acordo com Iêda Maria de Carvalho, chefe do departamento de políticas de formação da Secretaria de Educação, não se pode dizer que o evento acabou, pois existe um projeto de lei de 2012 que prevê a volta do evento no calendário oficial da cidade. “O Fest Ler era uma opção muito cara para a Prefeitura e por isso o projeto foi suspenso, não quer dizer que ele acabou. Existe uma lei sobre ele, mas para o ano de 2013 não há nada planejado”, afirma Iêda.

Era uma vez…
Uma iniciativa que vem conquistando os leitores são os grupos de contadores de histórias, na cidade o projeto é desenvolvido por instituições culturais, escolas da rede pública e privada e nas bibliotecas.

O grupo "Conta aí, Dante!" já se apresentou na cidade de Petrópolis e em diversos locais de JF.

O grupo “Conta aí, Dante!” participa de diversas atividades na cidade e já se apresentou na cidade de Petrópolis. Foto: Divulgação

Na Escola Municipal Dante Jaime Brochado, o grupo de contadores de histórias “Conta aí, Dante!”, já desenvolve suas atividades há oito anos. A coordenadora do projeto, professora Shirley Ferreira vê o trabalho como uma excelente ferramenta para desenvolver o gosto pela leitura. “O nosso maior objetivo é formar leitores frente ao desafio das novas tecnologias, pois as crianças tem cada vez menos paciência para se dedicar à leitura, e preferem a internet e a televisão.”

O grupo que funciona no turno e extra turno da instituição, conta com a participação dos alunos do 2° ao 9° ano  do ensino fundamental e das turmas de Educação para Jovens e Adultos (EJA).  Atualmente o projeto tem a participação de 520 estudantes, que desenvolvem a atividade de contação de histórias.Segundo a coordenadora o trabalho é realizado com base em textos de tradição oral que possibilitam aos alunos maior liberdade de interpretação e interação com o texto. Há também a interação com outras formas de arte, como a música e a poesia.

“Ao longo dos anos nós percebemos que os alunos vêm se interessando mais pela leitura, frequentando a biblioteca e desenvolvendo a criatividade e a responsabilidade”, afirma Shirley.

No espaço público para todos os públicos

Com um acervo de 70 mil livros a Biblioteca Municipal recebe cerca de 500 pessoas por dia.

Com um acervo de 70 mil livros a Biblioteca Municipal recebe cerca de 500 pessoas por dia. Foto: Natália Oliveira

A Biblioteca Municipal Murilo Mendes (BMMM) é o local de referência em acervo literário e ambiente de estudos na cidade. Em média passam por dia na biblioteca 500 pessoas e a população tem a disposição um acervo de 70 mil livros, divididos entre os setores da biblioteca. O empréstimo das obras é aberto para todo o público, que têm o limite de dois livros disponíveis durante o período de 15 dias. Para ter acesso as obras é preciso efetuar um cadastro da biblioteca, sendo necessário o documento de identidade e comprovante de residência. Além desta seção a BMMM, conta com setor de memória, de consultas e referências, de braile e periódicos.

De acordo com a diretora da biblioteca, Gerda Machado o público que frequenta o espaço é diversificado. “O setor de consultas e referências é geralmente frequentado por estudantes de república e candidatos de concursos, que procuram um ambiente tranquilo para os estudos”, comenta a diretora. Para o estudante Matheus Sampaio a BMMM foi um local muito frequentado para os estudos durante a infância. “O meu pai sempre teve o hábito de me levar à biblioteca para fazer as pesquisas escolares. E este hábito influenciou para que eu me tornasse um leitor, porque foi ali que eu tive contato com os meus primeiros livros.”

As atividades da biblioteca vão além do empréstimo de livros, lá são desenvolvidos diversos projetos de incentivo à leitura. Os eventos ocorrem semanalmente e também em datas comemorativas, as atividades são gratuitas e abertas para o público. As atividades não ficam restritas ao espaço da BMMM, o projeto de extensão Bilbiocanto leva as obras e atividades da biblioteca para as áreas mais afastadas, como Torreões e Monte Verde, e cidades vizinhas. A coordenadora do departamento de ações de incentivo, Margareth Marinho, vê nos projetos da instituição uma forma de mediação para a formação de leitores. “A escola brasileira ensina a ler, mas não forma leitores. É necessário o incentivo e a mediação para que as pessoas deem continuidade à leitura. Para que as pessoas façam a opção pelo livro em detrimento das novas tecnologias.”

Clique aqui e assista a matéria completa da Biblioteca Municipal Murilo Mendes

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