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Biblioteca e RU do campus da UFJF voltam a funcionar durante a greve

postado por Laís Cerqueira, em 07/05/2014

Almoço no RU após a reabertura do restaurante (Foto: Laís Cerqueira)

Almoço no RU após a reabertura do restaurante (Foto: Laís Cerqueira)

No início desta semana, a Biblioteca Central e o Restaurante Universitário (RU) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) foram reabertos pela Universidade. Ambos estavam fechados desde o de 17 de março devido à greve dos técnico-administrativos em educação da UFJF, que foi deflagrada na mesma data.

No domingo, a UFJF divulgou no site do RU um comunicado oficial sobre a volta do restaurante no campus, que funciona com 30% dos servidores e ficará aberto de segunda a sábado, somente para o almoço, entre 11h e 14h. No dia seguinte, a Secretaria de Comunicação da Universidade também veiculou uma nota a respeito do assunto, esclarecendo que a posição da Reitoria irá permanecer como a de mediadora na busca de soluções para suprir as demandas da greve. Um esclarecimento sobre o funcionamento reduzido da Biblioteca Central e as demais também foi divulgado.

A decisão dividiu as opiniões dos estudantes, grevistas e de entidades como o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino no Município de Juiz de Fora (Sintufejuf) e do Diretório Central Estudantil (DCE). A reabertura se tornou iminente após as manifestações de estudantes através de ocupações na reitoria no próprio restaurante e, posteriormente, o reitor Henrique Duque, deliberou pela abertura parcial do RU após o parecer da Procuradoria Federal junto à UFJF.

Sede do Sintufejuf no campus da UFJF (Foto: Laís Cerqueira)

Sede do Sintufejuf no campus da UFJF (Foto: Laís Cerqueira)

O coordenador geral do Sintufejuf, Paulo Dimas, voltou a consolidar a posição do sindicato, que é contrária à reabertura do RU, da biblioteca central e das setoriais. “Em assembleia semana passada, optamos por eles permanecerem fechados”, diz. “A decisão de abrir foi por conta da administração. Quem abriu o restaurante não foi o sindicato, e sim a Universidade.” Confira abaixo um trecho em áudio da entrevista com Dimas, no qual ele delibera sobre a posição dos grevistas.

Já Mateus Coelho, representante do DCE, corrobora o posicionamento de que o restaurante é essencial para a permanência dos estudantes na UFJF. “A gente acha válida essa postura da Universidade de, depois de mais de 40 dias sem serivços prestados, tomar para si a responsabilidade de garantir a alimentação e o funcionamento mínimo da biblioteca”, afirma.Coelho ressalta que o diálogo para a reabertura do restaurante vem sendo feito pelo DCE há semanas. “Desde o início da greve, o DCE vem conversando com o comando de greve, e sempre buscou colocar essa questão e conversar com a Universidade”, diz, relembrando que a Reitoria demorou cerca de um mês para realizar uma reunião com o Diretório.

Coelho, no entanto, também relata uma preocupação do DCE, uma vez que, segundo ele, não houve um diálogo amplo entre todos os setores da Universidade. “Damos apoio às pautas da greve, uma vez que o atendimento do que é pedido pelos técnicos vai trazer melhorias para a educação e, consequentemente, para a gente”, coloca. “Mas não podíamos ficar sem o restaurante por muito tempo, já que é um mecanismo importante de permanência estudantil.”

Confira, no trecho em áudio abaixo, parte da entrevista com o representante do DCE, que discorreu sobre essa questão e o avanço que é a reabertura do RU.

A responsável técnica pelo RU e nutricionista, Elizabeth Peres, explica que a decisão de reabrir o restaurante também estipulou que apenas 30% dos técnico-administrativos que estão em greve voltem a trabalhar. “Por isso, não estamos servindo café da manhã, janta, ou funcionando no RU do centro”, justifica.

Elizabeth também discorreu sobre como o cardápio do RU — que, agora, voltou nas mãos de uma nova empresa terceirizada responsável pela comida — é elaborado. “Cuidamos de vários aspectos na hora de montar o cardápio”, expõe. “Variedade, coloração e textura dos alimentos, por exemplo. A prática já leva a gente a fazer uma alimentação balanceada. A refeição contém todos os nutrientes, como a carne ou a opção de carne, que oferece proteína; acompanhamentos, que são fontes de carboidrato; saladas, que fornecem vitamina e fibra. Fica a critério de cada um como vai ficar o prato.”

“A gente sabe que o campus é muito grande e que o tempo que os estudantes ficam no campus também é”, aponta Elizabeth, reconhecendo o peso do RU para a permanência de alunos na UFJF. “Quantas pessoas tem tempo de ir em casa e fazer almoço, ou são aqui de Juiz de Fora e tem famílias para fazer isso? É um público muito diferenciado. Universidades federais tem gente de todos os lugares e classes sociais. Por ser uma alimentação subsidiada, tem um valor muito baixo e de fácil acesso. A importância é inquestionável”, conclui.

O lado dos estudantes

Após a volta do RU e das bibliotecas pelo campus, os estudantes voltaram a ter acesso a um almoço mais acessível e materiais necessários para a graduação. O aluno da faculdade de Direito da UFJF, Igor Queiroz, relata que foi à biblioteca no dia de sua reabertura. “Ela está funcionando em horário reduzido, que não é compatível com a maioria dos alunos do Noturno”, expõe Queiroz. “Vi reclamações do pessoal que está tendo que estudar para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e fica sem lugar na faculdade”, conta. “Às 20h, os funcionários pediram para que os alunos começassem a se retirar, o que ocorreu sem problemas.”

Fila extensa para a compra de ticket do RU (Foto: Laís Cerqueira)

Fila extensa para a compra de ticket do RU (Foto: Laís Cerqueira)

Outro estudante da UFJF, Lipe Morais, comentou sobre o atendimento na volta do RU. “A única coisa que eu vi de diferente é que quem for vegetariano pega fila diferente de quem não é, o que futuramente vai dar confusão, pois a quantidade de vegetariano é bem menor do que o restante”, relata. Ele também afirma que, agora, há a opção de se pegar dois pedaços de carne diariamente, ao invés de somente um. Na página do Facebook chamada Spotted UFJF, que é responsável por publicar declarações de estudantes de forma anônima, também é possível ver relatos sobre o retorno do restaurante. A reclamação mais recorrente foi a respeito do tamanho da fila para a compra do ticket na entrada do estabelecimento.

 

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