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Variedades linguísticas em Juiz de Fora se reformulam a cada ano

Intenso fluxo de estudantes é um dos principais fatores para variedades de sotaques existentes na cidade

Leonardo Alves, Postado em 31 de março de 2014

Todo ano Juiz de Fora recebe milhares de pessoas advindas de várias partes do país. Cada uma trás consigo sua bagagem cultural e também características de seu lugar de origem. Uma destas características diz respeito à língua e a forma de falar – o sotaque – que varia bastante de um lugar para o outro. Por este motivo, há na cidade uma pluralidade muito grande de sotaques existentes.

Seja com um R mais puxado, com um S mais evidente na fala ou com o uso de gírias próprias, cada sotaque é de suma importância para entendermos o quão miscigenada é a população de Juiz de Fora atualmente. Ou seja, torna-se mais fácil o entendimento de como a sociedade atual se formou.

"Muito dos traços que caracterizam o português em Juiz de Fora e região se deve a presença maciça de escravos que viveram por aqui no século XIX", afirma a pesquisadora Patrícia Cunha Lacerda.

“Muito dos traços que caracterizam o português em Juiz de Fora e região se deve a presença maciça de escravos que viveram por aqui no século XIX”, afirma a pesquisadora Patrícia Cunha Lacerda. (Foto: Arquivo)

A pesquisadora e pós-doutora em linguística, Patrícia Cunha Lacerda, pesquisou sobre o modo de falar do mineiro em Juiz de Fora e concluiu que muito do sotaque nesta região ainda conserva características dos povos do século XIX. “Em minha pesquisa de pós-doutorado eu pude verificar que muito dos traços que caracterizam o português em Juiz de Fora e região se deve a presença maciça de escravos que viveram por aqui no século XIX. A maioria dos juiz-foranos ainda conserva características que, às vezes nem percebem como, por exemplo, falar ‘minino’ quando o certo é ‘menino’ ou falar ‘acadimia’ ao invés de ‘academia’. Toda essa forma de falar tem uma bagagem histórica”, conclui a pesquisadora.

Outro fator que contribui bastante para a grande diversidade de variações linguísticas na cidade é o fato da Universidade Federal de Juiz de Fora receber estudantes de locais diversos com sotaques próprios, que passam o tempo de graduação – geralmente 4 ou 5 anos – e acabam adquirindo por meio da convivência ao longo deste tempo, traços da forma de falar local.

Houve um contato linguístico muito grande antigo com os escravos que proporcionou uma variedade linguística, mas na sincronia atual, sobretudo por Juiz de Fora ser um polo educacional, o fato de novas pessoas virem para a cidade todo semestre também reverbera no português falado aqui na região. Com certeza esse fato traz muitas características para a língua e faz com que ela esteja sempre se reformulando”, afirma a pesquisadora e pós-doutora Patrícia Cunha Lacerda.

Marca registrada x Dificuldades

O sotaque, assim como outras características culturais, expressa a região de origem de uma pessoa. Para aqueles que estão distantes há um tempo de suas cidades natais é uma forma de manter sempre consigo uma parte da cultura de sua região.

É o caso da relações públicas, Pricila Estevão, natural de Londrina, interior do Paraná e que mora há dez anos em Juiz de Fora. “Meu sotaque é minha origem. Por mais que eu more há bastante tempo longe da minha região e tenha perdido um pouco com o tempo, uma parte sempre se mantém. Meu ‘r’ continua um pouco puxado, mas agora é um pouco mais mineiro”, diverte-se Pricila que afirmou também que já teve dificuldades com o seu sotaque. “Quando eu mudei para Juiz de Fora, as pessoas zombavam do meu ‘r’ mais puxado, achando que eu era da roça”, disse.

A irmã Maria Francisca Torres, do Instituto João Emílio, é pernambucana e mora na cidade há três anos. Ela disse que as principais disse que a principal dificuldade que teve foi a velocidade da fala. “Aqui algumas pessoas dizem que eu falo muito rápido e acabam pedindo para eu repetir. Na minha terra todo mundo se entende dessa forma. Apesar disso, não tenho a intenção de perder o meu sotaque nordestino, pois é a minha marca”, afirmou a irmã Maria Francisca.

O estudante carioca, Pedro Monteiro, que mora em Juiz de Fora há quase três anos, acredita que o sotaque também é uma forma de aproximar os semelhantes. “É sempre bom encontrar outra pessoa carioca e identificá-la pelo sotaque parecido. É um elemento em comum que nos leva a fazer amizades com pessoas da mesma região mesmo estando distante de casa”, disse Pedro.

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