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Uma outra economia acontece em Juiz de Fora

Por Karina Klippel

Postado em 11/11/13

A produção coletiva, a preocupação de crescer em conjunto e a autogestão caracterizam a Economia Solidária. Os participantes dividem o lucro entre si, em busca de melhores condições de vida para todos da cooperativa.

Este modelo econômico é relativamente novo no Brasil. Apesar de ter surgido no início do século XIX como uma forma de resistência ao avanço do capitalismo industrial, apenas em 2003 a Economia Solidária foi reconhecida pelo governo federal.

Naquele ano, a Secretaria Nacional de Economia Solidária foi criada dentro do Ministério do Trabalho e do Emprego para viabilizar e coordenar as atividades de Economia Solidária no Brasil.

No entanto, antes da regulamentação do governo federal, as Universidades do país já colaboravam para o desenvolvimento deste tipo de Economia. Em Juiz de Fora, este padrão econômico chegou em meados dos anos 90, à princípio como um projeto de extensão da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF.

O projeto que coordena as comunidades e grupos participantes é a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares – Intecoop. Segundo o coordenador da Incubadora, Petrônio Barros, esta não é uma inovação de Juiz de Fora. Ele conta que a Economia Solidária começou a ser disseminada no Brasil através de Projetos de Extensão de Universidades Federais.

Ele explica que a função da incubadora é dar os subsídios necessários à formação de uma consciência para a autogestão coletiva. Ou seja, o projeto de extensão da Universidade oferece cursos de capacitação, consultoria e contribui para a organização sistemática de grupos de trabalhadores que venham de setores marginalizados, desempregados ou em situação precária de trabalho.

No entanto, a ideia é que este suporte seja oferecido por um tempo determinado. “É fundamental que estas cooperativas depois de um tempo possam caminhar com as próprias pernas.”, diz Petrônio. Assista ao vídeo em que ele explica como funciona essa relação entre os trabalhadores e a Universidade.

No entanto, ele mesmo afirma que nem sempre isso acontece. Apesar de os trabalhadores terem total autonomia para escolher o próprio produto e a Universidade aconselhar alguns materiais para melhoria do resultado final, a maior dificuldade nesta assessoria, segundo Petrônio que é também economista, é reunir todos os trabalhadores de uma cooperativa para oferecer os cursos.

Como muitos destes trabalhadores se encontram em condições de vulnerabilidade econômica e às vezes social, há uma grande dificuldade para o acesso à Universidade. “Muitos deles moram em bairros distantes e não tem condições de pegar dois ônibus para chegar à UFJF.”, afirma Petrônio.

O economista e coordenador da incubadora conta que isso acontece nas várias Universidades do país, que oferecem este tipo de serviço. Pois dificilmente estas instituições estão localizadas no centro das cidades.

Porém, Petrônio explica que o suporte técnico que a Universidade oferece deveria ser mais aberto para a população da cidade. Segundo ele, é fundamental que todo trabalhador tenha total conhecimento de sua empresa, forma ou local de trabalho. Ouça a opinião do economista sobre a Economia Solidária e o que ele acha que todo trabalhador deve fazer em qualquer setor em que trabalha.

Em Juiz de Fora há aproximadamente 40 organizações vinculadas à Tenda de Minas (grupo de cooperativas vinculada à Intecoop da UFJF). Em sua maioria, as organizações são de mulheres.

É o caso do grupo de artesãs “Mãos que geram artes”. As mais de 30 mulheres que se reúnem nesta cooperativa dividem todo o lucro arrecadado com a venda de seus produtos. Na tenda, não há uma divisão dos produtos de cada uma. Todos são agrupados e cada uma delas tem uma quantidade de material para expor. Regina é uma destas mulheres. E conta como funciona esta colaboração entre elas.

Desta forma, Regina diz que todas podem crescer juntas. Segundo ela, este grupo se tornou uma família. Todas estas mulheres dividem um pouco de suas vidas, e juntas, conseguem superar os desafios do dia a dia. Ela resume seu trabalho na Economia Solidária como uma forma de evolução, na qual, o menos importante é o dinheiro, mas a parceria e as pessoas que estão à sua volta. 

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