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Colagem de tecidos é transformada em arte, e ganha exposição em JF

Karina Klipel

Publicada em 09/10/ 2013

Arte em tecidos, podendo ser costurados à mão ou à máquina transformando em desenhos geométricos, figurativos ou o que a sua imaginação criar. É um carinho em retalhos!”. Esta é a definição de Nelcy Marques Barbosa para este tipo de artesanato. Professora de Patchwork e Quilting há mais de 10 anos em Juiz de Fora, ela criou o ateliê Carinho em Retalhos para dividir todo o conhecimento que adquiriu ao longo deste período.

Depois de tanto tempo de trabalho, pela primeira vez ela consegue levar suas alunas para expor em uma galeria de arte. A 1ª Mostra de Patchwork e Quilting que acontece no CCBM – Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, até o dia 27 deste mês, é uma realização para a professora.

A exposição reúne cerca de 30 trabalhos de suas 15 alunas. Todos eles, mesclando o artesanato manual e a costura auxiliada pela máquina. A professora ressalta que o uso da tecnologia não exclui o caráter artístico das peças. Pois, para se tornar arte, segunda ela, o Patchwork precisa aliar a precisão da técnica, à visão estética do artesão. E ela é única. Por isso, cada peça precisa ser feita individualmente num diálogo entre interior e exterior deste artista das mãos.

São colchas, painéis e almofadas que compõem a Galeria Celina Bracher, do CCBM. Todos têm o que é preciso para que “uma colcha de retalhos” seja considerada um Patchwork.

Assista ao vídeo com explicação da professora, imagens do ateliê e de algumas peças expostas.

As 15 mulheres, alunas de D. Nelcy, que integram a Mostra, têm idade entre 25 e 75 anos. Algumas delas, ainda são iniciantes, e a maioria tem uma relação afetiva muito grande com estes trabalhos. É o caso de D. Helenise Fonseca.

Da esquerda para a direita, a autora do trabalho D. Helenise ao lado da professora Nelcy Marques.

Da esquerda para a direita, a autora do trabalho D. Helenise ao lado da professora Nelcy Marques.

Viúva há 7 anos, a artesã diz ter encontrado no Patchwork, uma razão de viver. Com suas obras, ela se sente completa e tem todo prazer de participar desta primeira exposição, que representa uma oportunidade de divulgação de seus trabalhos.

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Helenise diante de suas obras.

Aos 55 anos, ela conta que nunca saiu do Brasil, mas se diverte ao lembrar que suas obras já foram para Portugal, França… Para ela, isto é muito importante, e este evento é mais uma forma de valorização de sua arte. Relembrando o início de sua trajetória no artesanato, Helenise conta que não poderia praticar o Patchwork se ele não pudesse ser feito à mão. Foi através da professora Nelcy que conheceu esta possibilidade do trabalho, pois, até então, ela acreditava que tudo nesta modalidade de artesanato era feito à máquina.

Na verdade, existem as duas possibilidades. A indústria trouxe o aperfeiçoamento à técnica e ofereceu mais possibilidades de estampas de tecido e mais variedade de cores e tipos de materiais, porém não permitiu que as artesãs tenham a liberdade e o mesmo envolvimento de quando o produto é construído pelas mãos.

Outro problema é que o Patchwork não é comum ao artesanato brasileiro. Ele chegou ao país há pouco tempo, se comparado à sua origem. Este tipo de artesanato teve grande importância na socialização das mulheres norte-americanas. Sem direito à voto, e vítimas da rigidez masculina da época, elas usavam o artesanato para fazer reuniões entre amigas e ocupar o tempo ocioso. Aos poucos o conhecimento se difundiu e chegou ao Brasil. No entanto, o trabalho é mais reconhecido em grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo.

Dona Nelcy ainda alerta para a profissionalização deste artesanato. Existe hoje no país a Abpq – Associação Brasileira de Patchwork e Quilt, em que são reunidas notícias e informativos sobre eventos, cursos e workshops de todo o território brasileiro. Em Juiz de Fora, poucos são os profissionais licenciados. Mas segundo a professora é difícil fazer um controle em relação a isso.

Ao analisar a importância da exposição, ela diz que o fundamental desta Mostra é a divulgação. Assim, as pessoas podem visualizar como é um trabalho tradicional de Patchwork e Quilting. A visitação é gratuita e pode ser feita até o dia 27 de outubro, de terça a sexta-feira, das 9h às 21h e aos fins de semana das 10h às 21h, no CCBM.

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