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TCCs abrem espaço no mercado de produções

Rebeca Trece

Postado em 15/01/14

Os trabalhos de conclusão de curso – conhecidos como TCCs e exigidos por grande parte das graduações – são, para uns, motivo de angústia e, para outros, sinônimo de sucesso, na medida em que abrem portas para o mercado de produções, como para as ex-alunas e recém-formadas pela Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Carolina Gavioli e Maria Barra Costa.

“Quem vem lá” trata da incorporação em um terreiro umbandista em Juiz de Fora. Foto: Divulgação

Baseando-se em uma temática pouco comum, as jornalistas desenvolveram um documentário que retrata, em 15 minutos, um pouco da cultura e das práticas religiosas da umbanda. “Quem vem lá” trata da incorporação de uma entidade em um terreiro umbandista no Bairro Progresso, em Juiz de Fora. A produção audiovisual concorreu, em 2013, ao prêmio do Festival Primeiro Plano e, este ano, será exibido na 17ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que acontece entre 24 de janeiro e 1º de fevereiro.

De acordo com Maria, a ideia surgiu a partir de um estudo já realizado no mesmo local por um conhecido das estudantes. “Como estávamos pensando em temas para o nosso TCC, achamos que seria ideal”. Além disso, segundo ela, a pouca visibilidade da religião foi uma das motivações para o trabalho. “Achamos interessante documentá-la de alguma maneira. Foi uma forma de tentar desmistificá-la”.

Maria relata que algumas dificuldades foram enfrentadas durante as gravações. “O espaço é pequeno e cheio. Por isso, tivemos que ir ao terreiro por algumas vezes para pensar onde ficariam as câmeras e a iluminação de forma a parecer o mais natural possível. Gravamos o ritual – que dura de três a quatro horas – por três dias e tiramos dois sábados para as entrevistas”. Ela conta, ainda, que logo no primeiro dia, a receptividade foi ímpar. “Na primeira gravação, a entidade do Pai de Santo questionou a iluminação no local e o Pai Pequeno, outro médium, precisou explicar o nosso trabalho”.

Para Carolina, que também dirige o curta, a experiência foi enriquecedora “não apenas pelos conhecimentos sobre a religião, mas diante da crença das pessoas e como isso interfere na vida delas”. Ela destaca, também, que o tema é o grande diferencial do trabalho. “São poucas as produções audiovisuais sobre a umbanda”. Com relação à Mostra de Cinema, Carolina afirma que “as expectativas são as melhores possíveis. A alegria é enorme só pelo fato do nosso trabalho ser reconhecido e escolhido para exibição diante de cerca de 700 selecionados”.

Formada pela mesma instituição, Carolina Caniato desenvolveu, juntamente com o namorado – Eduardo Malvacini – o documentário “Por aqui, tudo bem” como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo, defendido em abril do ano passado. Segundo ela, a produção foi o resultado de um longo processo que envolveu o gosto por cinema, estudos sobre educação e reflexões sobre a faculdade. “Como estávamos vivendo o momento da criação da nova grade curricular do curso, tentamos alcançar a voz dos alunos, que não são ouvidos nesse processo. É difícil falar sobre o que é o documentário, qual o objetivo dele ou pra que ele serve, mas posso dizer que ele foi uma tentativa de refletir sobre o curso de Comunicação, suas interações com o campo das artes, com o Jornalismo e com a universidade”.

“Por aqui, tudo bem” surgiu diante das discussões acerca do nova grade curricular da Faculdade de Jornalismo da UFJF. Foto: Divulgação

A produção, mesmo com temática específica, expandiu-se para além dos muros da faculdade. Em outubro, o curta foi selecionado para uma mostra audiovisual da 36ª Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped). “Fomos selecionados juntamente com outros quatro trabalhos, o que, para nós, foi surpreendente, porque o evento tem alcance nacional”, pontua. O vídeo também foi exibido no Festival Primeiro Plano do ano passado. “Em se tratando de um curta-metragem, nosso maior interesse é que ele seja exibido. Nos dois eventos, apesar do público ser bem diferente, o documentário gerou bastante discussões, tanto em nível teórico, com reflexões sobre a universidade, quanto em nível pessoal, por pessoas que se identificaram com os depoimentos dos entrevistados. Essa discussão, para nós, é o mais significativo”, frisa.

Com relação à relevância dos TCCs, Carolina diz que, durante a faculdade, encontrou muitas pessoas que os faziam apenas por obrigação, “escolhiam qualquer tema que fosse mais fácil apenas para se formarem rápido. Ninguém é obrigado a seguir pela carreira acadêmica ou mesmo gostar de pesquisar, mas acredito que é dada pouca importância para esses trabalhos”. Para ela, no entanto, “é uma fase importante, é um momento de passagem. De certa forma, é também um momento em que temos mais autonomia para estudar aquilo que realmente nos interessa e se a pessoa tem o desejo e se dedica a fazer um bom trabalho, isso pode reverberar positivamente”, finaliza.

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