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Juiz de Fora recebe Selo de Município Livre do Analfabetismo

Iara Campos

Postado em 02 de julho de 2014.

A Secretaria de Educação da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) recebeu há um mês um certificado emitido pelo Ministério da Educação (MEC) reconhecendo que a cidade atingiu mais de 96% de alfabetização entre jovens e adultos. O Selo de Município Livre do Analfabetismo foi emitido em apenas 207 entre as 5,5 mil cidades brasileiras.

Estes dados contrastam com a situação brasileira de ensino básico. Dados do 11º Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos divulgados no início deste ano pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), apontam que a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais, no Brasil, é de 8,6%. Isso significa que o país tem 12,9 milhões de analfabetos nesta faixa etária, o que o coloca como o oitavo país do mundo com maior taxa de analfabetismo entre adultos. Entre o período de 2000 e 2011, essa taxa caiu apenas 1%.

Quanto à alfabetização na infância, os números mostram que programas de inclusão social no Brasil têm conseguido manter crianças pequenas na escola (a taxa de analfabetismo de dez a 14 anos é de 1,9%).

Diferentes métodos de alfabetização

De acordo com a professora de português, Diana Boccato, “alfabetizar significa repassar o domínio da tecnologia da escrita e da leitura para outra pessoa”. Esse processo inclui diversas metodologias e não deve ser confundida com o processo chamado de “letramento”. É diferente porque existem pessoas que mesmo sem terem tido a aquisição da leitura e escrita, conseguiram desenvolver algumas práticas por meio do contato direto diário com determinada atividade – por exemplo, pegar um ônibus – e isso proporciona ao indivíduo uma compreensão e aquisição das práticas da leitura e da escrita.

Na entrevista abaixo, a professora de português, Diana Boccato, diferencia alfabetização e letramento e explica quais são os métodos mais comuns de alfabetização de crianças em escolas regulares.

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Na pedagogia Waldorf, a alfabetização começa aos sete anos. Foto da internet.

Há, no entanto, métodos diferentes de trabalhar a alfabetização de crianças. Em Juiz de Fora, por exemplo, a escola Paineira, que se embasa na pedagogia Waldorf, acredita que “o alfabetizar vem aos poucos”. Segundo a pedagoga Waldorf, Raquel Tavares, esta concepção entende que nos primeiros sete anos, a criança deve ter, antes de mais nada, “um tempo de preparo dos sentidos através do brincar, do contato com a natureza e do próprio processo de se cuidar, ter o tempo para se alimentar, para dormir, para brincar. A criança vai se estruturando e se colocando para aí sim entrar numa sala de aula, ficar quieto numa cadeira e poder ouvir o professor por mais tempo, tendo uma postura de aprendizado intelectual”.

De acordo com Raquel, o aprendizado ocorre por uma vivência corporal e “só aos sete anos, vem o conteúdo que seria o aprender a ler, mas, na verdade, a criança aprende a ler o mundo de outra forma”. Algumas das atividades que visam trabalhar diretamente, na prática, a alfabetização na escola Waldorf são “histórias que vão apresentar as letras para as crianças são brincadeiras de desenhar as letras no corpo e fazer os gestos de cada letra”, exemplifica Raquel.

O trabalho de alfabetização com alunos da modalidade de Educação de Jovens e Adultos também possui peculiaridades. Segundo a pedagoga que tem experiência com o sistema EJA, Marilza Dias, “tanto as crianças quanto os adultos que não foram alfabetizados passam pelo mesmo processo de construção da alfabetização, porém, o adulto traz uma experiência de vida por conta da idade. O cuidado que o professor deve tomar é o de não infantilizar as atividades trabalhadas com os adultos”, afirma.

Alfabetização inclusiva

Atualmente, alguns processos de alfabetização buscam ser mais personalizados, levando em conta as dificuldades específicas de cada aluno. É necessário que isso ocorra porque, desde 2009, crianças com qualquer deficiência têm direito a frequentar uma escola regular. O primeiro movimento legal para que as escolas regulares aceitassem crianças com necessidades especiais foi a Constituição de 1988, mas o acesso só foi assegurado quando Brasil aceitou o decreto de cumprir com tudo o que está escrito na Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, assinado em 2007 em Nova York.

Apesar disso, muitas escolas não estão preparadas para lidar com alunos que tenham algum tipo de deficiência intelectual ou física. É o que ocorre, por exemplo, com crianças que têm deficiência auditiva. Segundo Diana Boccato, o profissional não recebe formação adequada para trabalhar alfabetização em libras. “O ensino de libras nos cursos superiores é muito recente e mesmo com toda a questão política e a pressão do governo para que os institutos tenham esse ensino de libras para os novos docentes, é dado em uma carga horária insuficiente e para um número de pessoas muito restrito”, detalha.

No trecho da entrevista a seguir, Diana Boccato explica como as escolas trabalham a alfabetização com crianças que têm alguma deficiência intelectual e quais são as conseqüências da opção por uma educação domiciliar.

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