Skip to content

Humor e Violência

Gilberto Faúla
publicado em 14/10/13

101 lugares para ser assaltado em Juiz de Fora

Na tentativa de não deixar o problema da violência se tornar um problema maior ainda, o humorístico “101 lugares para ser assaltados em Juiz de Fora” reúne alguns lugares conhecidos por assaltos. Com quase 540 seguidores e pedindo para não ser identificado, um dos organizadores da fanpage nos concedeu uma breve entrevista. Acompanhe:

JfHipermídia: De onde surgiu a ideia de criar a página?
A cidade está muito violenta, isso é visível em qualquer noticiário – menos no da Integração, onde as prioridades são matérias sobre limpeza de tapetes, maquiagem para o fim de semana e como lavar as mãos corretamente. À parte desse mundo cor-de-rosa, tudo anda muito violento. Como há várias páginas e sites com o mote de “tantas coisas para fazer antes de morrer”, etc, veio a ideia de usar um pouco de humor para falar da situação da violência.

JfHipermídia: Qual o objetivo da página? Imagina-se ter um papel social e de protesto?
O objetivo é comentar sobre a falta de seguranças em locais específicos – que todo mundo já conhece e que são assim por causa de problemas estruturais, sociais, descuido do poder público, etc. Portanto acaba sendo uma forma de protesto sim, mas com bom humor porque ninguém é de ferro. Já que é pra ser assaltado, vamos levar as dicas dos melhores lugares para que as pessoas possam perder os bens com estilo e de uma forma descolada. Com o interesse gerado nas pessoas com certeza vamos acabar tendo um papel social, já tem usuários mandando dicas de lugares onde foram assaltados, falando horários ruins para se transitar… Nas redes sociais o conteúdo também é de todos, por causa da interatividade, e acaba virando algo de interesse público com um papel interessante.

JfHipermídia: Alguns dos realizadores da fanpage já passaram por situações assim? Mudou-se o comportamento depois de um assalto?
Quem já não passou?  Todos nós já passamos por isso. Acho que além de seus bens, todo assaltante leva um pouco de você com ele. Com isso somos obrigados a mudar nossa rotina, como evitar lugares que antes transitávamos com frequência e, às vezes, beber menos – a não ser que você esteja com a garrafa na hora do assalto, tendo a chance de virar amigo do bandido.

JfHipermídiaQual a ocupação de vocês? São estudantes?
Somos viajantes do tempo. Viemos em uma cápsula temporal do ano de 2310. Nesse período, Juiz de Fora não é mais como hoje. Ergueu-se um muro gigantesco onde hoje em dia é a linha do trem, que é vigiado por guardas armados com pistolas de raio UX-45 derivado do elemento químico Uxômyo [UX], descoberto em 2105 por cientistas da UIJF – Universidade Internacional de Juiz de Fora na casca dos ovos das codornas albinas – mutações surgidas depois da guerra nuclear entre JF e Santos Dumont em 2054. O muro tenta separar meliantes das outras pessoas, mas acaba gerando exclusão social. Nossa missão é voltar no tempo e evitar a segregação espacial da cidade, por meio dessa fan page: um aviso para o futuro.

Posto da Polícia Militar no bairro São Pedro, Cidade Alta. Policiamento é apontado como ponto chave para dispersar assaltantes. (Foto: Gilberto Faúla)

Posto da Polícia Militar no bairro São Pedro, Cidade Alta. Policiamento é apontado como ponto chave para dispersar assaltantes. (Foto: Gilberto Faúla)

Leia também: Maneiras de lidar com a violência

 

 

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: