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Tradição e qualidade: a produção de cerveja artesanal em Juiz de Fora

Por Luciana Rodrigues

Publicado em 05/08/2013

Textura, cor e sabor diferenciados chamam atenção do consumidor juizforano. (Foto: Luciana Rodrigues)

Textura, cor e sabor diferenciados chamam atenção do consumidor juizforano. (Foto: Luciana Rodrigues)

Um mercado promissor, que, de acordo com pesquisa do Sebrae de 2010, cresce pelo menos dois dígitos por ano. A produção de cerveja artesanal se tornou um empreendimento promissor em todo o mundo. E Juiz de Fora é destaque nesse setor. A cidade é a segunda maior produtora desse tipo de cerveja no estado, perdendo somente para Belo Horizonte.

Mas o destaque na cidade, além do volume de produção, é a tradição. Primeiro porque foi em Juiz de Fora que surgiu a primeira cervejaria de Minas Gerais: a Barbante, criada em 1860. É também aqui que tem o único registro até hoje de uma cervejaria funcionando dentro de uma igreja fora da Europa: criada na Igreja da Glória e que voltou a funcionar em 2012.

Essa produção diferenciada poderia ser uma estratégia para buscar um novo público em uma cidade universitária com muitos bares tradicionais. Mas a ideia da maioria dos criadores desses estabelecimentos em Juiz de Fora surgiu não pelo mercado, mas sim pela vontade de trabalhar com um produto que já apreciavam bastante. É o caso de Antero Fernandes, dono da pizzaria Artezannale:

Antero Fernandes começou a produzir cerveja artesanal devido a tradição da família nesse seguimento. (Foto cedida por Antero Fernandes/Divulgação).

– Já é do DNA da família fabricar bebidas e produzimos cachaça há mais de trezentos anos. Com essa vocação surgiu a ideia quando o mercado começou a oferecer cervejas especiais importadas.

Antero produz três tipos de cerveja, todas com ingredientes 100% naturais:

  • Sahra: estilo Pilsen ou Trigo, de baixa fermentação, clara e volume alcoólico de 4%
  • Salomé: estilo Irish Red, de baixa fermentação avermelhada e volume alcoólico de 5%
  • Saba: estilo Dark Lager ou Stout Guiness, escura, com volume alcoólico de 5%.

No início da pizzaria, Antero comercializava as cervejas industriais junto com a artesanal. Mas depois optou por vender somente a bebida produzida por ele.

–  Quando vendíamos as duas, veio crescendo a preferencia pela artesanal. Quando paramos com as industriais, estávamos com mais de 80% da venda com a nossa cerveja. Aí decidimos arriscar em parar de vender as industriais.

Mas apesar dessa opção, ele afirma que essa mudança não trouxe aumento expressivo na receita da casa, já que o foco é a produção de pizzas, mesmo com a produção de 1.200 litros por mês.

– Isso paga as contas da cervejaria, mas não expressa lucro para nosso custo.

Outra cervejaria tradicional na cidade é a Brauhaus. A casa, que abriu há cerca de três anos conta com 11 tipos diferentes de cervejas em sua carta, variando durante a semana. Lucas Wenzel, mestre cervejeiro há pouco mais de dois anos, conta que Pedro Scarlatelli, um dos sócios do bar, já produzia cerveja artesanal há mais de dez anos.

– O mercado estava crescente em Juiz de Fora e o Pedro fazia cerveja aqui há muito tempo. Só que ele foi para a Alemanha e ficou quatro anos lá. Quando ele voltou, já tinha dado o boom das cervejarias aqui. Aí ele decidiu abrir a cervejaria com o conceito de produzir a cerveja no local.

Lucas Wenzel prepara as cervejas antes de irem para fermentação.

Lucas Wenzel prepara as cervejas antes de irem para fermentação.

O processo de produção da cerveja normalmente dura 30 dias. Mas como a procura é grande, esse tempo tem que ser reduzido. Lucas conta como funciona a produção completa da cerveja artesanal, que é o mesmo para todos os tipos produzidos. A diferença está nos ingredientes utilizados e no processo de fermentação.

No Brauhaus são produzidos 1.300 litros por semana, segundo Lucas. Mas não são feitas os 11 tipos toda semana, já que a casa não comporta a produção de todas ao mesmo tempo. Além disso, esse valor pode variar devido a perdas durante o processo. Lucas conta o que pode acontecer que cause essa diminuição.

Os preços das cervejas artesanais variam em média entre R$ 12 e R$19 o litro.

O charme e o destaque da cerveja artesanal

Thales Rodrigues, estudante, consome esse tipo de cerveja pelo menos três vezes por mês desde que experimentou pela primeira vez, há dois anos e meio. Segundo ele, essa é a sua preferida comparada com a industrial.

– Cada uma que você bebe tem uma característica diferente, fugindo da tradição das American Lagers, que são as que estamos acostumados a beber.

Ele ainda destaca outro ponto que diferencia esse tipo da industrial.

– As artesanais são muito mais encorpadas e com um sabor muito mais perceptível.

Lucas também destaca o que ele acredita ser a maior diferença.

– O corpo, o sabor. Quem se acostumou a tomar cerveja artesanal, quando vai tomar uma outra, meio que não entende porque as pessoas tomam a outra.

Thales não concorda com essa afirmação. Ele explica:

– Isso é muita questão de gosto. Mesmo. Conheço pessoas que têm um paladar tão sensível a sabores mais fortes que não conseguem beber cervejas artesanais, por mais que tentem. E principalmente porque existe um leque tão grande de sabores nas artesanais que as pessoas podem simplesmente não ter encontrado um sabor que as agradasse ainda.

O estudante aproveitou o gosto e a vontade de criar um empreendimento seu e começou a produzir sua própria cerveja, a Griffin. Mas devido ao custo para conseguir os produtos importados, acabou desistindo. Ele conta como surgiu a ideia.

– Gosto de acreditar que tenho um espírito bastante empreendedor. E na primeira vez que bebi cerveja artesanal estava com um amigo e começamos a conversar sobre como seria interessante fabricar cerveja. A partir daí começamos a pesquisar o processo, os vários tipos de malte, lúpulo e fermento e dentro de duas semanas nós compramos o equipamento.

Cervejas artesanais criam oportunidade para turismo em Juiz de Fora

Circuito leva turistas para seis cervejarias da cidade. (Imagem: Verdeperto/Divulgação)

Circuito leva turistas para seis cervejarias da cidade. (Imagem: Verdeperto/Divulgação)

Rodrigo Miranda aproveitou o gosto pelo produto também e decidiu investir na produção, mas também em outro setor: no turismo. Criou em 2013 o Circuito das Cervejas Artesanais em Juiz de Fora.

– Na verdade essa ideia já tinha desde 2007, que foi quando me mudei do Rio de Janeiro para Juiz de Fora e abri a agência Verdeperto Turismo. Me mudando descobri as cervejarias artesanais da cidade (que na época eram poucas) e como um apreciador da bebida e com uma agência de viagens, iria unir o útil ao agradável. Por diversos motivos não conseguimos arredondar o Circuito até o final do ano passado e esse ano lançamos.

Hoje participam desse circuito os estabelecimentos: Artezannale, Boi na Curva, Churrasqueira, Brauhaus, Barbante e Mr Tuga’s. Mas não abrange ainda todas as cervejarias da cidade. Segundo Rodrigo, os outros locais não participam do circuito devido as condições do local: é necessário que haja espaço para consumação no bar.

Mesmo com pouco tempo, segundo o empresário, já há uma boa procura por esse circuito.

– Sim, a procura é bem legal, muita gente do Rio e São Paulo procurando e o mais legal, muitos juizforanos também se interessam, pois é uma maneira de conhecer (para os que não conhecem) com um serviço de transporte da porta de casa.

Rodrigo também é fã desse tipo de produto, o que facilitou para o surgimento da ideia.

– Sim, sou apreciador sim. Por isso veio a ideia do Circuito, pensei em unir o útil ao agradável. Na verdade no Rio conheci as cervejas “especiais” e um amigo antigo é um fera na produção de cerveja lá, por isso sempre bebíamos as que ele fazia no início, além disso produzo uma cerveja artesanal em casa também.

Saiba mais:

  • Conheça os tipos diferentes de cerveja e suas peculiaridades.
  • Hoje é o Dia Internacional da Cerveja. Mas para não ser comemorado em plena segunda-feira, os idealizadores da data decidiram em 2013 mudar para o dia 02, sexta-feira. Saiba mais sobre como surgiu essa data.
  • Saiba mais informações sobre o Circuito das Cervejas Artesanais.

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