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Cerveja: paixão e cultura nacionais

Augusto Nogueira, postada em 02/04/2014

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Cervejas artesanais ocupam lugar importante na cultura e gastronomia ao redor do mundo.

A cerveja é uma das paixões dos brasileiros. No campo das bebidas, disputa espaço com o café. Dos passatempos, disputa o lugar com a TV. Não dá pra negar o quanto ela está presente no nosso cotidiano.

Mais que um hábito de consumo, a cerveja constitui uma parte de nossa cultura. Por muito tempo, o vinho e a cachaça foram as bebidas campeãs de popularidade no Brasil. Isso se deve à relação deste produtos com a colonização: a cachaça vinha da cana de açúcar e o vinho fazia parte da cultura portuguesa. A cerveja estava presente na cultura tupiniquim timidamente, sendo fabricada de forma caseira por alguns imigrantes. Com a abertura dos portos para produtos além dos portugueses, a cerveja começa a chegar e em 1836, surge a primeira notícia da fabricação de cerveja:

“Na Rua Matacavalos, número 90, e Rua Direita número 86, da Cervejaria Brazileira, vende-se cerveja, bebida acolhida favoravelmente e muito procurada. Essa saudável bebida reúne a barateza a um sabor agradável e à propriedade de conservar-se por muito tempo”.

Lentamente a cerveja foi ganhando o mercado. Grandes marcas começaram a surgir e a dominar o país, até chegarmos no ponto que conhecemos hoje. Mas paralelamente à mercantilização da cerveja, temos a cerveja em sua essência: a cerveja artesanal, folclórica em certo nível, que faz parte de um mundo de apreciação, cultura, sabor, culinária e especialistas.

Veja mais sobre a história da cerveja no Brasil aqui.

 

Cerveja em Juiz de Fora

 

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Em Juiz de Fora, a primeira cervejaria artesanal surgiu em 1860, a Cervejaria Barbante. A cerveja na cidade remonta à colonização alemã na Cidade Alta. Atualmente, Juiz de Fora conta com 11 cervejarias comerciais, sendo que 6 delas fazem parte do “Circuito das Cervejarias Artesanais de Juiz de Fora”, circuito que leva o turista a conhecer esses lugares, com direito a degustação de dois chopes e guia turístico. Para saber mais sobre o Circuito, visite a página do Instituto Estrada Real, do qual ele faz parte.

Uma curiosidade é que a única cervejaria instalada em uma Igreja fora da Europa é de Juiz de Fora. A cervejaria fica na Igreja da Glória e foi criada construída em 1894. Sua cerveja não pode ser comercializada e a produção é destinada apenas para consumo dos monges e para degustação.

 

Cerveja pelo mundo

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A cerveja pode ser considerada também um patrimônio mundial. Perceber a cerveja como um “objeto de estudo” levou Johnnie Lustoza a criar o Destino Cervejeiro, um site dedicado a falar sobre a cerveja pelo mundo a fora. Ouça abaixo a história da criação do site.

Nessa viagem, Johnnie já visitou 9 países: Canadá, Alemanha, Bélgica, Holanda, Irlanda, Irlanda do Norte, Inglaterra, França e Espanha. Ele conta que a produção de cerveja pode ser dividida em 3 grandes escolas de tradição: a Escola Alemã, a Escola Belga e a Escola Inglesa. Na Europa, a cerveja é um produto milenar e sua produção envolve técnicas transmitidas de geração para geração. Muitas cidades basearam sua manutenção e existência na produção de cerveja, inclusive durante períodos de crise como as guerras. Até hoje, em cidades pequenas da Alemanha e Bélgica, famílias dependem dos empregos atrelados às cervejarias locais. Por isso, a cerveja é valorizada como um produto nobre e um bem cultural, como a cachaça brasileira.

Tomar a cerveja também é um aspecto cultural. Na Bélgica, existem muitos tipos diferentes e cada um deles tem o copo correto para ser consumida. E os apreciadores fazem questão de respeitar a técnica. Em países mais jovens, como o Brasil e  Argentina, a cerveja tem um papel social: a bebida dos amigos e das reuniões informais. Nos Estados Unidos e Canadá, houve uma “revolução cervejeira” e todos os bares (ou pubs) passaram a produzir ou vender cerveja artesanal, reconectando a bebida às suas origens. De forma clássica, sofisticada ou moderna, a cerveja sempre teve um fator socializador muito forte ligado à ela.

O pai de Johnnie produziu por um tempo a própria cerveja e foi aí que o interesse pela arte surgiu. Em uma viagem para o Canadá, Johnnie conheceu um mestre cervejeiro e o vice-presidente do Siebel Institute, uma grande escola de tecnologia cervejeira de Chicago, em um brewpub (pub que fabrica a própria cerveja). Nessa experiência ele aprendeu muito sobre as cervejas artesanais e quando voltou para o Brasil, permaneceu na busca por cervejas especiais e mais conhecimento sobre elas, até que em 2011 ele viajou para a Europa e decidiu “entrar de cabeça” nesse universo.

 

Sommelier de cerveja

 

Essa é a profissão do profissional especialista em cerveja. Ele é como o enólogo, especialista em vinhos. A cerveja é o objeto de trabalho de Matheus Braga. Cervejeiro caseiro há 5 anos, ele tenho o objetivo de se tornar um mestre cervejeiro. Para isso, ele começou sua carreira como degustador e continua se aprimorando como fabricante e desenvolvedor de novas cervejas também.

O curso de sommelier de cerveja, como explicou Matheus, não é somente um curso de degustador. Aprende-se sobre todas as etapas de produção, para identificar pontos positivos e negativos de certa cerveja e poder melhorá-la. A cultura cervejeira também é objeto de estudo e especialidade do sommelier. A profissão vi desde a análise sensorial (degustação) até o trabalho em fábrica e eventos culinários. Matheus está montando um negócio próprio de cervejas artesanais e também planeja trabalhar com visitas guiadas a cervejarias.

Os critérios a que a cerveja está sujeito em uma avaliação são: aroma, aparência, sabor, sensação de boca e critério geral de conjunto, além do estilo da cerveja e se ela está bem encaixada na categoria. Existem mais de 120 estilos de cervejas. Degustar uma cerveja consiste em avaliar o enquadramento dela em normas técnicas de qualidade e estilo (e preferência da maioria). Mas o que diz se ela é boa ou não é o gosto do cliente.

A arte cervejeira tem evoluído. O vinho é uma bebida madura, que evolui, mas a cerveja “parou no tempo”. Atualmente, ela está se desenvolvendo cultural e gastronomicamente. Já se sabe que ela é mais variada em sabores que o vinho e possui maior facilidade de harmonização com diferentes pratos. A cerveja amadurecer não significa que as cervejas industrializadas deixarão de ser consumidas, mas com o desenvolvimento da cerveja artesanal teremos dois mundos de conhecimento, adequados à situações e gostos diferentes.

One Comment
  1. Parabéns pela matéria, ficou muito interessante. Fico orgulhoso de ter sido citado. Sucesso pra vocês.

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