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Projetos para enfrentamento de AIDS e DSTs acontecem em JF

Por Gabriella Ribeiro

Publicado em 19/08/2013

A organização Casa Viva, em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais, realizou, entre agosto de 2012 e julho de 2013, o projeto “Redução de danos com profissionais do sexo: uma batalha possível nas esquinas da vida”.

Para o segundo semestre deste ano e o primeiro de 2014, a instituição já teve aprovação no edital da Secretaria de Saúde do estado e aguarda a finalização dos trâmites para o início de um novo projeto, que também visa ao atendimento e ao auxílio a garotas, garotos e travestis de programa.

No novo trabalho, a equipe se mantém e é composta pela coordenadora, Hermínia Bailes, a psicóloga Clara Jaeger, a assisten­te social Érica Herzog e os reduto­res de danos, Zira e Walter Cesário, que dão dicas aos profissionais do sexo sobre como evitar os possíveis danos à saúde em decorrência da profissão.

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Equipe da organização Casa Viva realizou o projeto “Redução de danos com profissionais do sexo: uma batalha possível nas esquinas da vida” entre agosto de 2012 e julho de 2013 e se prepara para um novo trabalho com o mesmo público-alvo. (Foto: Arquivo pessoal).

Projetos como esse têm espaço na Casa Viva desde 2001. Um dos principais objetivos é o enfrentamento da realidade de HIV/AIDS e outras DSTs em Juiz de Fora, principalmente entre profissionais do sexo, que mantêm um comportamento de risco, de acordo com o Ministério da Saúde.

As abordagens são feitas pessoalmente pela equipe, durante a tarde e a noite, nas ruas e nas boates da cidade. “Promovemos oficinas e conversações sobre prevenção, sexo seguro e promoção da saúde com informações sobre DST/AIDS, hepatites virais e outras doen­ças sexualmente transmissíveis e infectocontagiosas. Também faze­mos agendamento de preventivos”, explica Hermínia Bailes.

Durante o trabalho do grupo, são distribuídos insumos de prevenção, como mate­riais de conscientização, camisinhas masculinas e gel lubrificante.

Segundo a coordenadora, para que a redução de danos ocorra, é preciso estar atento desde o início do dia ou da noite quando se faz programa. “Um exemplo é não ingerir muito álcool ou pelo menos intercalar a bebi­da com água. Porque se, no momento do programa, a garota estiver chapada, a camisinha pode acabar sendo es­quecida”.

W. M., por exemplo, foi atendida pelo projeto no primeiro semestre e admite beber em torno de 35 a 40 cho­pps por noite. “Os caras que aparecem aqui são tudo ‘tragédia’ [sic], então eu pre­ciso encher a cara para conse­guir fazer programa. Não suporto isso aqui e, se estiver sóbria, não consigo nem chegar perto de um cliente. Como eu preciso muito do dinheiro, é complica­do”.

Já a garota de programa E. S. conta que não usa nenhum tipo de droga, lícita ou ilícita, mas que nem sempre foi assim. “Hoje em dia eu não uso nada, não bebo e não fumo. Mas fui usuária de crack durante três anos. Mas eu parei sozinha, só com o apoio do meu ex-marido. Mas só consegui pela minha força de vontade”.

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Profissionais do sexo ganham a vida em boates e nas ruas de Juiz de Fora. (Foto: Gabriella Ribeiro).

De acordo com um levantamento feito pela Casa Viva durante o projeto, cerca de 90% dos profissionais do sexo de Juiz de Fora fazem uso de algum tipo de droga, mesmo que seja o cigarro e/ou o álcool.  Dessa forma, a questão do uso de entorpecentes também se destaca no foco da redução de danos.

“Muitos de nossos atendidos se servem da droga para realizar programas e outros fazem programas para manter o vício. É uma relação recíproca. Neste aspecto, atuamos com orientações como o não compartilhamento de materiais cortantes, o não uso de latinhas para o feitio de ca­chimbos de crack, a ingestão de líquidos, dentre outras”, destaca a assistente social do projeto, Érica Herzog.

Zira é integrante do projeto e profissional do sexo em Juiz de Fora. Ela conta que fazer parte dessa iniciativa influenciou no trabalho como travesti de programa. “Antigamen­te, os clientes e o resto do pessoal que batalha já me respeitava. Agora eles me respeitam muito mais. Eu tenho 25 anos de carreira e nunca fiz programa sem camisinha, por exemplo. E eu sempre mantive a minha vacinação e exames em dia, mas o projeto acabou firmando isso na minha vida. Às vezes, eu estou na esquina e passa uma pessoa e me pede material, eu enfio a mão na bolsa e dou”.

No projeto de redução de danos, também é realizado um trabalho com os profissio­nais que já contraíram o vírus HIV. Em relação a esse público, o objetivo é evitar a conta­minação dos clientes, além da redução de danos a eles mesmos. Nesses casos, o gru­po acompanha se a pessoa está tomando o coquetel, se há o uso dos preservativos durante os programas e, principalmente, é feito o acompanhamento psicossocial.

A coordenadora Hermínia Bailes fala um pouco mais sobre o funcionamento dos projetos. Ouça:

Embo­ra a prostituição ainda não seja uma profissão regulamentada no Brasil, a Associação Casa Viva catalogou, entre agosto de 2012 e julho de 2013, mais de 300 profissionais do sexo em Juiz de Fora.

Atendimento a outros pacientes

Juiz de Fora possui um Programa de Controle de DST/HIV/AIDS, que funciona através da Secretaria Municipal de Saúde. O objetivo é acompanhar e tratar os pacientes soropositivos e seus familiares.

O Grupo Casa, por exemplo, realiza, por mês, cerca de 2 mil atendimentos a portadores de HIV/DSTs e a seus familiares. Os atendidos são encaminhados através da Secretaria de Saúde do município e todo o acompanhamento é feito de forma gratuita.

S.T. é soropositiva e afirma que participar das atividades do Grupo Casa melhorou sua autoestima e a suas condições de vida. “Lé eu faço acompanhamento com o psicólogo e com a assistente social, então foi um jeito que eu encontrei de poder me amar mais e enfrentar o preconceito”.

De acordo com o assistente administrativo da organização, Victor Rodrigues, os pacientes podem fazer todas as atividades e tratamentos oferecidos pelo Grupo, como fisioterapia, fonoaudiologia e atendimentos com psicólogos. “Além dos tratamentos, eles podem passar o dia aqui, eles têm alimentação e a gente ainda acompanha a vida deles fora daqui. Porque tem que ser uma ação completa”.

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