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Em evidência na Copa, hinos “à capela” emocionam torcedores

Seja nos estádios ou até mesmo em casa, brasileiros tem se envolvido com o clima da competição

Por Rodrigo Gomes

25 de junho de 2014

 

Tudo começou em 2011, na final do Superclássico das Américas entre Brasil x Argentina. Os brasileiros presentes no Estádio Olímpico Mangueirão, em Belém, quebraram o protocolo e continuaram a cantar o hino nacional à capela depois do tempo previsto. A atitude emocionou a todos, sendo presenteada por uma vitória da seleção brasileira por 2 a 0, na altura, ainda comandada por Mano Menezes.
No jogo de abertura Copa do Mundo 2014 entre Brasil x Croácia, em Fortaleza, a atitude se repetiu servindo de exemplo para todas as seleções, que vêm seguindo a tendência.

Muitos jogadores da seleção brasileira sentiram-se realmente tocados com a energia envolvida no hino, como o caso de Júlio Cézar e Neymar que chegaram a derramar algumas lágrimas de emoção após presenciar o momento. A influência no desempenho dos jogadores foi tão grande, que o zagueiro Thiago Silva chegou até mesmo a convocar os torcedores para que continuassem a cantar o hino da mesma forma, sugerindo ainda que todos se abraçassem na hora.

A estudante Isabella Gonçalves pôde viver de perto toda esta sensação. Ela compareceu ao Estádio Nacional de Brasília, no dia 23 de junho, em que a seleção canarinho garantiu sua vaga nas oitavas-de-final sobre a seleção de Camarões com o placar de 4 x 1.

isabella

Isabella Gonçalves presente no jogo Brasil x Camarões no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha

“Foi realmente uma experiência única, porque ver 70 mil pessoas cantando o hino do seu país é diferente. Depois que a parte instrumental acabou, estava todo mundo cantando em plenos pulmões, todo mundo muito empolgado”, relata Isabella.

E define a sensação de estar presente neste momento como algo que vai além das quatro linhas. Por comparecer a um jogo decisivo em que o Brasil definiria seu futuro na Copa, as pessoas estavam envolvidas por um espirito de união e de orgulho.

“Era um momento decisivo para a seleção, então juntou tudo isso. O Brasil é o país do futebol, então nós temos orgulho pelo futebol brasileiro mas também orgulho pelo próprio país”, comenta.

 

 

Mesmo longe dos estádios, os torcedores também sentem a emoção e orgulho do momento.

Henrique Monfardini, estudante, conta que em sua família, até mesmo quem não tem hábito de assistir futebol se envolveu na hora do hino.

“Todo mundo começou a cantar o hino em voz alta. Embora não estejamos no estádio, só o sentimento de saber que o jogo acontece aqui no nosso país e assistir aquela quantidade de brasileiros apoiando a seleção, nos faz sentir parte daquele momento.”

E em meio a concentração e emoção do instante em que se executa o hino, ainda sobra tempo para descontração.
“É engraçado porque com essa coisa de uma parte do hino ser cantado à capela, a legenda com a letra na tv some, aí como passamos muito tempo sem cantá-lo, sempre alguém acaba tropeçando em alguma parte, cantando errado.” conta em tom bem humorado.

 

Você sabe a história do nosso hino?

O hino nacional que conhecemos nem sempre teve esta letra que cantamos, nem tampouco foi registrado como hino oficial desde o início.

Amante da arte musical, o próprio D. Pedro I compôs uma música para o poema de Evaristo da Veiga, conhecido hoje como Hino da Independência.  Devido ao desprestígio do imperador, a música rapidamente caiu em desuso, perdendo para uma outra que já estava muito conhecida.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hino_da_Independ%C3%AAncia_do_Brasil#mediaviewer/Ficheiro:Dom_Pedro_compondo_hino_da_independencia.jpg

Dom Pedro I compondo Hino da Independência Augusto Bracet (1881-1960) – BUENO, Eduardo. Brasil: uma História. São Paulo: Ática, 2003

Elaborada em 1822, por Francisco Manuel da Silva, a composição feita para banda havia sido criada para comemorar a independência do Brasil recebendo o nome de “Marcha Triunfal“, comemorando a independência do Brasil após a abdicação de D. Pedro I ao trono.
Algum tempo depois, recebeu duas letras que ficaram conhecidas pelos cidadãos da época. Uma feita em 1831 por Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, criada com o intuito de desacatar o ex-imperador, carregando o nome de “Hino ao 7 de abril” e depois outra versão de autoria desconhecida feita para a coroação de D. Pedro II.

O fato é que a música se tornou muito popular entre os brasileiros, sendo considerada por quase todos como Hino Nacional Brasileiro, ainda que não oficializada.

Após a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, foi aberto um concurso para a oficialização de um novo hino nacional. Leopoldo Miguez venceu o concurso, porém, a pressão popular em favor da oficialização do antigo hino foi tão forte que Deodoro da Fonseca , governante provisório na época, oficializou a composição de Francisco Manuel da Silva como Hino Nacional Brasileiro. Para não densonrar o concurso, oficializou a composição de Leopoldo Miguez como Hino de Proclamação da República (confira aqui uma gravação do hino).

Em 1906 foi realizado outro concurso, agora para a criação da letra para o novo Hino Nacional Brasileiro. O poema de Joaquim Osório Duque Estrada foi declarado vencedor e oficializado no ano de 1922, às vésperas do centenário da Independência do Brasil. Assim tomou a forma final que  é entoada hoje pelos brasileiros.

Mas as curiosidades não param por aí. Sabia que até a introdução do hino nacional já teve letra? Ela tinha sido feita por Américo de Moura, que fora presidente da província do Rio de Janeiro, mas foi cortada da versão oficial.

Escute aqui a antiga introdução letrada do Hino Nacional Brasileiro.

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