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Juiz de Fora é destaque no Fisiculturismo Brasileiro

Nayara Neves

Hoje qualquer um, mesmo sem a intenção de competir pode praticar um treino de fisiculturismo nas academias. As pessoas cada vez mais se preocupam com sua aparência e para alcançarem a satisfação pessoal não só recorrem a cremes e tratamentos capilares, mas também a reeducação alimentar e o próprio treino. O sedentarismo e os maus hábitos alimentares estão se tornando cada vez mais “bregas” na sociedade da Geração Saúde, na qual  é pregada sustentabilidade, saúde, qualidade de vida e exercícios. Muitos exercícios.

O Fisiculturismo é um esporte que tem como principal objetivo obter a melhor e maior formação muscular.

As competições de fisiculturismo ocorrem com a comparação entre os atletas, contando basicamente com três critérios de avaliação que são: muscularidade, simetria e a apresentação.

A muscularidade avalia o tamanho dos músculos em relação a estrutura óssea do atleta, o formato, a qualidade e o volume dos músculos, e outros aspectos como a separação dos grupos musculares.

No quesito simetria é avaliada a forma, a proporção e principalmente a harmonia da estrutura física referente ao tamanho e ao equilíbrio entre as diversas partes do corpo e também ao conjunto.

Na apresentação é avaliada exatamente a apresentação dos atletas no palco, sua habilidade para posar e projetar os músculos e a sua postura. Nesse item são computados o tom da pele, o traje, a escolha das poses e a execução correta das mesmas, assim como a transição coordenada das poses com a música.

As competições são divididas por categorias que podem considerar sexo, peso, altura ou idade. Não existe limite de idade para ser um fisiculturista.

Histórico

Louis Cyr, shape gordo porém forte.

Louis Cyr, shape gordo porém forte.

Por volta dos anos 20 e 30, começaram as especulações a respeito da relação entre o treinamento físico e a saúde. Se por um lado, atletas como Louis Cyr apresentavam corpos “gordos”, porém fortes, por outro, atletas como Sigmund Klein buscavam um físico mais simétrico, definido e proporcional. E isso fazia com que a atenção para o corpo em si fosse ainda mais voltada.

Todavia, o conhecimento dos culturistas da época ainda era pouco e eles estavam aprendendo muito consigo mesmo e, claro, com as gerações anteriores.

Sigmund Klein, shape mais definido e simétrico

Sigmund Klein, shape mais definido e simétrico

Foi em 1939, por intermédio da Amateur Athletic Union que foi criado o Mister América, em Chicago, onde competidores de diversas modalidades exibiam seus físicos.  Em 1940 foi então produzido o primeiro campeonato de fisiculturismo, propriamente dito e, John Grimek foi o vencedor exibindo um corpo muito melhor do que dos anos anteriores com tamanho, simetria e definição.

John Grimek, campeão do primeiro campeonato oficial de fisiculturismo, em Chicago

John Grimek, campeão do primeiro campeonato oficial de fisiculturismo

Nos anos seguintes em 40 e 50, surgiram novos nomes como Clarence Ross, Reg

Clarence Ross

Clarence Ross

Park e Steve Reeves. E é incrível notar a evolução que ocorreu nesse espaço de tempo. As condições da combinação entre tamanho, volume, densidade e definição eram muito melhores. A região abdominal apresentava gomos maiores e definidos. As pernas eram mais densas e marcadas.

Nos anos 60, 70 e início de 80, procederam talvez o início da era dos melhores fisiculturistas do mundo. Na época, possuindo muito mais conhecimento, nomes como Larry Scott, Frank Zane e Arnold Schwarzenegger fizeram uma época de outro com físicos jamais vistos, descobertas jamais feitas e uma individualidade própria na maneira de treinar, comer, usar esteróides (o que infelizmente gerou alguns problemas para alguns deles) e descansar.Apesar de pra época, possuírem ótimo conhecimento, ainda aprendiam muito na prática e, claro com seus próprios corpos.

Arnold Schwarzenegger, um dos maiores nomes do fisiculturismo mundial

Arnold Schwarzenegger, um dos maiores nomes do fisiculturismo mundial

Aliás, estes eram corpos incríveis para o que se tinha na época. Conhecidos principalmente por suas proporções de cintura e troncos largos, marcaram presença apresentando o fisiculturismo para o mundo todo.

Dorian Yates

Dorian Yates

O final dos anos 80 e início dos anos 90 foi iniciado pela chamada era “freak” com nomes marcantes como do inglês Dorian Yates, do americano Ronnie Coleman e do alemão Nasser El Sonbaty. Físicos extraordinariamente grandes, densos e definidos. Talvez, exageradamente para muitos. O progresso no conhecimento de dietas, treinos e o estudo que se obtinham, eram fatores primordiais para tal “exagero”. Além disso, essa época ficou conhecida pelo uso e abuso de esteróides anabolizantes. Era visivelmente claro que o uso era tremendo. Mas logicamente, não era o fator mais importante. O Extremo era levado a tudo: alimentação, descanso, treinamento… A era Freak foi evoluída nos anos 90 e anos 2000. Com estudos avançados e conclusões cientificamente melhores foi e é possível nos dias de hoje, ter-se tanta informação e cada vez mais gerar físicos completos e otimizados, “obedecendo” o padrão da época em que se vive. O atual campeão do Mr. Olympia, maior e mais importantevcampeonato de fisiculturismo do mundo, é o americano Phil Heath.

Phil Heath, atual campeão do Mr. Olympia

Phil Heath, atual campeão do Mr. Olympia

Juiz de Fora e o Fisiculturismo

O incentivo ao esporte no Brasil é quase nenhum. As federações têm resistido e continuam promovendo campeonatos, mas por enquanto o prêmio dos atletas campeões, que investem, estudam e treinam pesado é apenas um pote de suplemento, mas mesmo assim o esporte vem crescendo e ganhando adeptos.

Bruno Marinho e sua esposa e atleta, Rose Lopes

Bruno Marinho e sua esposa e atleta, Rose Lopes

Juiz de Fora é lar de grandes fisiculturistas brasileiros, dentre eles estão os atuais campeões brasileiros Carlos Hadade e Rose Lopes que são treinados por Bruno Roberto Marinho, que é reconhecido como um dos melhores treinadores do Brasil.

Bruno tem uma grande paixão pelo esporte pelo qual também já competiu.

Como foi seu início no fisiculturismo?

Eu trabalhava em uma academia antiga aqui da cidade: a Olympia. Pra não oferecer concorrência ao meu patrão, eu falei pra ele que eu ia montar uma academia mais voltada para o fisiculturismo. Eu enxerguei uma pontinha no mercado, de onde eu poderia começar o meu trabalho. Sempre gostei de trabalhar com hipertrofia, então eu reuni, na época, pessoas que eram apaixonadas por fisiculturismo, que tinham vontade de competir. Reuni esses conhecidos da época e nós formamos uma equipe. O trabalho de divulgação da academia sempre foi voltado em cima da formação de atletas. Nós sempre fizemos isso, desde o começo. Lançávamos em jornais, revistas, a TV fazia reportagem… Então o marketing da Pumping Iron sempre foi voltado em cima de atletas do fisiculturismo.

Qual a principal causa do aumento no número de praticantes no fisiculturismo?

Isso ocorre com uma grande de influência da globalização. As pessoas olham na internet muita gente sarada, ficam postando no Facebook as fotos do treinamento, das partes do corpo que elas mais gostam e as outras pessoas ficam curtindo aquilo. A mídia bate em cima de pessoas saradas, pessoas bonitas, então eu acho que isso tem grande influência.

Quais as principais qualidades que uma pessoa precisa ter para ser fisiculturista?

Vou ser bem sincero: não basta querer. A pessoa tem que nascer com o biótipo, a estrutura morfológica voltada para a coisa. Na verdade, é um trabalho de longo tempo. As pessoas iniciam um trabalho de musculação na academia e aquelas que têm uma predisposição genética para determinada categoria são notadas. Com isso, eu mesmo tenho a liberdade de convidá-las para treinar de maneira mais orientada para o esporte. Muitas pessoas já chegaram pra mim e disseram “olha, eu quero competir”. E eu procuro ser bem sincero. Para não deixar o aluno desmotivado, digo que ainda não é o momento e que é preciso treinar mais alguns anos. Mas eu vejo que alguns alunos não têm a estrutura morfológica voltada para a categoria que eles pleiteiam. A pessoa tem que ter tempo de treino para que sua musculatura adquira maturidade, tem que ter um desenvolvimento muscular apropriado e dedicação. Você tem que estar sempre definido; não adianta você ficar andando aqui dentro da academia grande e “massudo”, cheio de retenção.

E não é só a falta de incentivo que representa um obstáculo para os praticantes desse ainda desconhecido esporte, já que o preconceito também é outro desafio recorrente na vida dos atletas. Luciana Fernandes, atleta juiz forana, diz sentir um olhar diferente por parte dos homens. “Os homens me olham com um olhar diferente, fora do padrão. Eles ficam meio espantados com a forma do corpo mais forte e tal. Quando eu estou com o percentual de gordura um pouco mais alto, eles assustam menos (risos). Acho que, quando estou com mais gordura no corpo, as curvas femininas se acentuam e aí fica menos espantoso. Tudo o que é fora do padrão choca um pouco as pessoas”, comenta a atleta.

Luciana Fernandes

Luciana Fernandes

Apesar das diferenças evidentes entre as formas do corpo masculino e feminino, e também na maneira de treinar, já que o homem suporta uma carga de peso maior, uma coisa parece comum para fisiculturistas de ambos os sexos: a falta de apoio. “Esse esporte é pouquíssimo valorizado aqui no nosso país e a gente faz mesmo é por amor ao esporte, por amor à musculação. Até porque, não há premiação nas competições e campeonatos. Quem faz, faz por amor mesmo”, conclui Luciana.

É preciso lembrar que há diferenças entre praticar a musculação e ser adepto ao fisiculturismo. Como o esporte exige um ganho de massa muscular muito acima do padrão, apenas o trabalho de musculação se torna insuficiente para que o atleta alcance seus objetivos. Dentro dessa perspectiva, o processo de suplementação alimentar, a dieta e o descanso são partes fundamentais na evolução física do fisiculturista. E o investimento financeiro para quem deseja praticar o esporte é, claro, muito maior do que para as pessoas que têm como objetivo apenas cuidar da aparência ou sair do sedentarismo.

“Para pessoas que visam apenas uma melhoria na estética, saúde ou bem estar eu acho que o investimento é muito baixo. Basta apenas dedicação para frequentar regularmente a academia e ter uma alimentação razoável.  Já para entrar no fisiculturismo é mais complicado. Existem períodos nos quais as dietas são muito apertadas e, consequentemente, mais caras. Elas são compostas por alimentos mais “limpos”, e os treinos ficam mais intensos”, explica Elias Daibert, também atleta da cidade.

Existem suplementos que são indispensáveis para um atleta que se prepara para competir, fora a enorme quantidade de vitaminas que devem ser ingeridas regularmente. “Além disso, ainda há o acompanhamento profissional, seja com um nutricionista esportivo ou algum treinador que faça consultoria te auxiliando nos treinos, dietas, períodos importantes para ganho de massa ou perda de gordura, e olhar crítico para perceber qual grupo muscular está ficando com um desenvolvimento aquém do esperado”, afirma o atleta.

Atuais grandes nomes de Juiz de Fora no Fisiculturismo

Rose Lopes

Atual e bi-campeã Overall  Brasileira na categoria Body Fitness até 1,63

Rose Lopes, fotografia do ultimo campeonato brasileiro

Rose Lopes

Carlos Hadade

Atual e tetra-campeão Brasileiro no Fisicuturismo Clássico

Carlos Hadade

Carlos Hadade

Renan Fávero

Atual vice-campeão sulamericano na categoria Júnior

Renan Fávero

Renan Fávero

Raphaela Milagres

Campeã brasileira e overall na categoria bikini do Arnold Classic Brasil 2013

Raphaela Milagres

Raphaela Milagres

Segundo o site Muscle Massa, estima-se que no Brasil um fisiculturista profissional gaste em torno de R$ 1 mil a R$ 2 mil por mês com alimentação e suplementação alimentar. Vale lembrar que, no país, não há premiação em dinheiro nos campeonatos e concursos. No geral, os vencedores recebem um pote de whey protein (um pó, a base de proteína de leite) como prêmio. Mesmo assim, esse esporte começa, aos poucos, a ganhar espaço nas academias e também na mídia.

Será lançado em setembro deste ano, o filme Generation Iron, um documentário sobre o fisiculturismo e a preparação dos maiores atletas do mundo.

GenerationIron2

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