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Moradores de rua contam com doações para encarar o frio

Postado por Letycia Cardoso – 04/05/14

O inverno ainda não começou, mas as baixas temperaturas em Juiz de Fora já geram sofrimento para quem não tem um lar. Por isso, a Prefeitura de Juiz de Fora lança, nesta segunda-feira (05), uma campanha de doação de roupas. Serão oito postos de arrecadação que funcionarão de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

Arte: Prefeitura de Juiz de Fora

Arte: Prefeitura de Juiz de Fora


A REALIDADE DAS RUAS

Na rua não há distinção. Todos que lá estão passam pelas mesmas dificuldades. Darlan Leopoldino, há dois anos sem endereço fixo, é formado em direito e conta que não recorre com freqüência a albergues porque “não pode dormir com mulher lá”, mas relata que as instituições são ambientes tranqüilos. Para sobreviver na rua e enfrentar as baixas temperaturas confia na caridade das pessoas: “Sempre passam bons corações com doações de cobertas, sopas e vou vivendo. Está perrengue, mas ainda nem chegou o frio mesmo, né?”.

Já Aparecido Rodrigo, que mora nas ruas há oito anos, não gosta das instituições porque “lá ocorrem muitas brigas”. Entretanto, por andar de marquise em marquise, já passou por situações complicadas. No dia anterior ao dessa entrevista teve seus cobertores furtados, além disso, certa vez seus pertences foram queimados quando saiu para procurar por comida.

O homem de 30 anos faz questão de relatar sua história: nunca trabalhou porque ganhava mesada da mãe no valor de R$800,00, mas depois que ela faleceu devido a um câncer, não havia mais para onde voltar. Por causa do vício em crack, perdeu a guarda dos dez filhos e, hoje, vive com a esposa sem rumo certo, procurando um lugar para se esconder do frio.

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UMA MÃO AMIGA

A Ronda da Casa Espírita funciona durante todo o ano, quinzenalmente, nas noites de quarta-feira. Jovens voluntários distribuem alimentos como sopas, chocolate quente e também fazem a entrega de roupas e cobertores que a instituição reúne através de doações.

Para conseguir material suficiente para todos os assistidos, os participantes não apenas recebem donativos em uma sede fixa, mas também organizam mutirões nos quais saem de porta em porta pedindo mantimentos.

Henrique Lage, um dos coordenadores da Ronda, relata que apesar de o outono e o inverno serem fatores complicadores, o frio está sempre presente, pois os moradores de rua pedem cobertores mesmo em estações quentes. O jovem ainda acrescenta a experiência pessoal que o trabalho traz: “Toda ronda é especial e sempre tenho surpresas boas, os moradores de rua nos dão uma lição de humildade e fé muitas vezes.”.

A cidade também conta com unidades de auxílio, mantidas pela prefeitura, que atendem a essas pessoas em situação de rua ou em vulnerabilidade social/pessoal. Um exemplo é o Núcleo do Cidadão de Rua, no Centro, o qual possui 134 leitos masculinos e 16 femininos.

Os moradores de rua chegam ao núcleo através de abordagens ou mesmo de forma espontânea, recebem alimentos, cuidados higiênicos, além de um leito para passarem a noite. Todo o trabalho é supervisionado por uma equipe técnica multidisciplinar, incluindo assistentes sociais, psicólogas.

O Chefe do Departamento de Proteção da Secretaria de Desenvolvimento Social, Lindomar José da Silva, relata que durante climas mais frios, é mais fácil convencer as pessoas em situação de rua a se encaminharem para instituições de recolhimento, além disso explica as ações da secretaria em prol dessa população.

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