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A onda do Funk Ostentação chega em Juiz de Fora

Por Rômulo Rosa

Publicada em 22/01/2014

Quando deixou para trás o cavaquinho e as letras melosas de pagode para cair no universo do funk de ostentação Marcos Roberto viu sua vida mudar. Começou a assinar o nome com a sigla MC Gigante , seus shows mensais antes restritos a seu bairro passaram a ocorrer cinco vezes por semana em diversas casas de show e o dinheiro aumentou.

MC Gigante  é estrela de um ritmo que ganha cada vez mais adeptos na periferias de Juiz de Fora e do Brasil. Nele, tudo parece mais glamoroso: em vez de letras que exaltam armas, drogas e sexo explícito, prevalece a apologia a uma vida regrada a champagne, uísque, Camaros e mansões. “Estamos quebrando barreiras”, conta entusiasmado MC Gigante, nascido em na cidade do Rio de Janeiro e hoje mora em Juiz de Fora no bairro Santo Antonio. “Em JF o pessoal ainda gosta mais do funk carioca que fala de sexo e muitas vezes de violência também. Mas hoje em dia o ostentação esta entrado no gosto do juizforano”, explica. Quando MC Gigante começou a cantar funk ele era adepto do  estilo carioca. “ Eu no começo gostava do funk carioca, mas guando comecei a escutar os meninos de São Paulo, o MC Daleste,o Nego Blue,o Guime  eu achei aquilo demais. Ai comecei a fazer o que eles estavam fazendo”, lembra.

MC Gigante (esquerda) e seu DJ Wandeco ( direita)

MC Gigante e seu DJ Wandeco

Mas a que se deve tamanha aceitação desse “novo funk” – até ontem “de preto, pobre e favelado”, como diz a música tocada exaustivamente pelo DJ Marlboro nas festas de classe média?  “As pessoas ficam menos escandalizadas ao ouvir músicas sobre marcas de roupa do que sobre drogas e crimes”, explica Geanini Harckbart, Pesquisadora que estuda o movimento de criminalização do funk na televisão, na Universidade Federal de Visosa . “No entanto, o que fortaleceu essa emergência do ostentação foi a repressão de um outro tipo de funk”, reforça.

O som mais “light”, que abre mão da crítica social – marca do rap e dos antigos proibidões – vem ganhando terreno em meio a uma onda que reprime jovens fãs do funk ostentação das periferias de São Paulo, devido ao mais novo movimento, o “rolezinho ”.

O rolezinho, a reunião de jovens e adolescentes em shoppings que nasceu na periferia de São Paulo e já se espalhou por outras partes do país, virou o assunto em jornais, revitas e nas redes socias. Um arrastão de palavras de ordem, à direita e à esquerda, tomou o debate e colonizou as discussões. De repente, festas de funk ostentação viraram manifestações culturais contra uma sociedade segregadora. “ O rolezinho incomoda a classe media porque a partir do momento em que um jovem da periferia entra em um shopping ele usufrui do mesmo direito do que o da classe media.Porque ele não pode ter este direito” comenta Geanini. Ela acresenta que o funk ostentação esta ligado a este movimento porque ele mostra que o “menino da favela também tem um carro importado, mesmo que em sua imaginação, igual ao rapaz da classe media”.

O interesse crescente, no entanto, não livra o estilo da criminalização que o ronda o funk. A morte de MC Daleste em cima de um palco durante um show em julho mostra que, mesmo sendo melhor assimilado, o funk de ostentação não consegue livrar seus protagonistas do preconceito que os agride rotineiramente. “Se eu disser que não há discriminação pela cor, estou mentindo”, diz MC Gigante. “Basta eu colocar as naves [carros de luxo] na rua para tomar um enquadro atrás do outro.”

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