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Universitários buscam formas de ajudar na economia doméstica

Postada por Rafaela Carvalho – 27/04/2014

Morar fora da casa dos pais não é tarefa fácil. Além de toda a responsabilidade de estar sozinho em uma cidade diferente e ter que cuidar das obrigações domésticas, ainda tem as contas para pagar, e o custo de vida em Juiz de Fora não é dos mais baixos. Como os universitários, mesmo jovens – e muitas vezes inexperientes – conseguem lidar com essa situação e ainda ajudar a família?

Todos os semestres, milhares de estudantes de outras cidades vêm para Juiz de Fora a fim de ingressar em um curso superior. Muitos deles têm de 17 a 20 anos e deixaram suas cidades e o conforto da casa dos pais para se aventurarem em um lugar novo e cheio de desafios pela frente. Até aí, tudo bem. Mas e quando esses jovens decidem ajudar na economia familiar? Será que vale a pena?

Para a economista Daniela Vieira, o desejo de ajudar e a responsabilidade de contribuir de alguma forma com a renda familiar são sintomas de que o jovem começa a caminhar para a maturidade econômica, o que pode contribuir para que a família, mesmo sem condições muito favoráveis, fique em uma posição mais confortável. “O indivíduo, quando passa a ter a responsabilidade de administrar seus gastos e receitas, começa a ter também uma maior consciência do valor do dinheiro e das consequências de seu uso. É importante porque não só proporciona melhoria na renda familiar, como também contribui para o amadurecimento financeiro e social do estudante devido às responsabilidades adquiridas.”

Para os alunos que estudam na Universidade Federal de Juiz de Fora, bolsas de treinamento profissional, monitoria e assistência estudantil, por exemplo, são uma alternativa para alunos da UFJF que desejam ajudar na renda familiar. Essas bolsas são oferecidas para que os alunos possam adquirir conhecimento além daquele ensinado na faculdade e possam, também, ser recompensados por isso com uma quantia em dinheiro, como incentivo para aqueles que não têm condições financeiras para morar em outra cidade e ajudar a família, sem deixar a faculdade de lado.

Foi com esse objetivo que o estudante de Engenharia Pedro Paulo Oliveira decidiu procurar uma bolsa oferecida pela Universidade. Mas Pedro procurou ainda outra forma de ganhar dinheiro, já que queria incrementar a própria renda e usar o dinheiro para gastar com necessidades próprias. “Eu consegui uma bolsa de 20 horas semanais e vendia doces na faculdade. Isso me ajudou bastante, porque meus pais me dão uma mesada fixa que é o suficiente para eu quase sobreviver. (…) Com esse dinheiro que eu consegui eu posso satisfazer algumas necessidades mais pessoais.”

Já para Marianna Leão, a história foi diferente. A estudante de Comunicação Social queria se sustentar sozinha – e conseguiu. Ela iniciou a faculdade no turno diurno, mas decidiu pedir transferência para o turno noturno quando conseguiu um estágio, sendo que já tinha uma bolsa da Universidade e ainda participava da Empresa Júnior da faculdade. “Eu tinha que arrumar alguma forma que eu conciliasse meus estudos, minhas bolsas e mais esse estágio, que era uma coisa que eu precisava muito. (…) Aí a única opção foi mudar para o noturno, porque eu poderia estudar de 18h às 22h e fazer as minhas coisas durante o dia.”

Para muitos estudantes, a independência financeira é um sonho, tanto para ajudar os pais como para ter o próprio dinheiro. Assim como o estudante Pedro Paulo Oliveira decidiu vender doces na faculdade e Marianna transferiu sua faculdade para outro turno, muitos universitários buscam formas alternativas de ajudar a complementar a renda familiar, já que os gastos com uma moradia em outra cidade podem ser altos.

O resultado do esforço e da dedicação em conciliar tantos projetos pode ser recompensador. “A importância (de conseguir ajudar na renda familiar) é total, porque eu me sustento sozinha. Tudo que eu gasto aqui em Juiz de Fora é o que eu ganho, minha família não me manda nada.” Segundo Marianna, a rotina movimentada vale a pena e, muitas vezes, o jovem pode amadurecer ao ponto de andar com as próprias pernas e não precisar de ajuda fixa da família.

Restaurante Universitário continua fechado por greve e traz mais gastos para os alunos da UFJF

O Restaurante Universitário da UFJF continua fechado após 42 dias do início das aulas. Desde o dia 17 de março os servidores técnico-administrativos da Universidade estão em greve e mais de 16 mil alunos estão sendo afetados.

Além dos gastos normais com transporte e moradia, os alunos da instituição têm procurado formas alternativas de alimentação, mas o custo é alto e não só a situação econômica sai prejudicada como também a saúde dos universitários. “A greve do RU afeta tanto na minha alimentação como na minha rotina diária. Uma vez que eu posso almoçar e jantar no RU, eu posso ficar na Universidade durante um período mais longo. (…) Sem o RU eu tenho maiores gastos, sem falar que a qualidade da comida que eu posso estar comendo pode não ser tão favorável quanto seria se eu tivesse a opção de comer lá.”

Segundo a economista Daniela Vieira, os impactos da greve serão sentidos nos bolsos daqueles estudantes que estavam acostumados a fazer suas refeições no Restaurante Universitário. “A ausência dos serviços prestados pelo RU afeta qualquer família que tenha um integrante que utiliza o restaurante. Famílias com a renda mais comprometida vão sentir mais os impactos, que vão desde o aperto financeiro até a má alimentação de seus integrantes, uma vez que muitos estudantes preferem um lanche (que geralmente baseiam-se em frituras) que possuem preço mais baixo.”

O Comando de Greve do Sindicato dos Trabalhadores Técnico Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino do Município de Juiz de Fora (Sintufejuf) informou que não há previsão de volta do funcionamento do Restaurante Universitário.

Assista o vídeo sobre os estudantes que procuram complementar de alguma forma a renda familiar.

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