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A dois cliques do perigo

Os riscos do Dr. Google envolvem o  autodiagnóstico e a automedicação

Karina Klipel

Publicado em 14/10/2013

Ansiedade, curiosidade ou imediatismo… O fato é que o sexo feminino é o mais atingido pelos perigos do Dr. Google. Diante da tela, a responsabilidade e a consciência comandam para não trazer consequências ainda mais graves para a própria saúde.

Mulheres são as principais “pacientes” do Dr. Google. (Foto: Karina Klippel)

Pesquisas realizadas pelo periódico britânico Daily aponta um novo hábito entre as mulheres: fazer pesquisas na internet sobre a própria saúde. Conforme a publicação, o Dr. Google é a preferência entre 1 em cada 4 mulheres. Ao todo, foram mil entrevistadas e grande parte delas afirma confiar mais na sua própria pesquisa feita na internet, do que nos diagnósticos dos médicos.

Mais de um quarto das participantes disse temer conversar com o médico sobre problemas de saúde, que consideram embaraçosos, como doenças relacionadas ao sexo, por exemplo. Por isso, consultam o profissional apenas como último recurso. E praticamente metade das entrevistadas, confirma consultar a internet como primeira fonte de informação, independente do assunto.

Esta prática não é comum apenas entre mulheres britânicas. Em Juiz de Fora, a estudante Elma Lorrana, de 20 anos, também diz que prefere fazer sua pesquisa no Google antes de consultar o médico. Para ela, dores de garganta, por exemplo, podem ser resolvidas em casa. No entanto, a estudante não descarta a palavra do médico.

Elma em suas pesquisas pelo Google

Elma em suas pesquisas pelo Google (Foto: Karina Klippel)

Para ela, o Google é uma facilidade. Ele ajuda a “matar a ansiedade para, se ver livre da doença o mais rápido possível”. A estudante acredita que a internet pode ajudar, não apenas a fazer autodiagnósticos, mas a proteger o paciente em alguns casos. Ela relembra de uma situação em que estava com dor de garganta e não sabia se o remédio que tinha em casa podia ser usado para esta finalidade. Usou o Google para buscar a bula do remédio, e segundo ela “graças ao Google” não tomou remédio errado. (Assista ao vídeo)

Ricardo Kamizaki - o professor concedeu entrevista por telefone, pois estava em Ribeirão Preto.

Ricardo Kamizaki – o professor concedeu entrevista por telefone, pois estava em Ribeirão Preto.

Esta ansiedade a que Elma se refere é justamente o que o atual professor de supervisão em psicodiagnóstico e pesquisador na área de testes psicológicos, Ricardo Kamizaki, acredita que seja a principal razão para estas mulheres buscarem o Google como fonte primária de informação. O autodiagnostico feito por elas pode estar relacionado ao imediatismo da atualidade. Ele diz que a mulher tende a ser emocional e mais curiosa, se comparada aos homens, por isso que provavelmente estes dados envolvam apenas o sexo feminino. (ouça a entrevista)

No entanto, todos estão sujeitos a este tipo de problema. O que acontece, ainda de acordo com o professor, é que geralmente “os homens só vão ao médico quando estão morrendo”, e ainda não buscam se informar tanto sobre doenças. Fato que para ele, explica a estatística de que homens vivem 10 anos a menos do que as mulheres.

O autodiagnostico ou a busca por doenças se torna perigoso, quando a pessoa acredita ter aquela doença simplesmente porque viu na internet. “Pessoas saudáveis costumam ter alguns sintomas, isso é normal”, diz o professor. Mas em alguns casos, elas passam a apresentar um comportamento hipocondríaco (a pessoa acredita ter doenças graves) e buscam se automedicar.

A compra de medicamentos sem receita médica é comum em drogarias. Fernando Luiz da Silva é dono de farmácia há 20 anos e confirma serem os jovens e as mulheres a maioria dos clientes que procuram remédios sem receita. Ele diz que já aconteceu de chegarem clientes afirmando ter pesquisado na internet a finalidade do produto que foram comprar, e muitas vezes, não aceitam o conselho do farmacêutico. Mas confirma que só vende sem receita médica os remédios que não representam risco a pessoa, que vai consumi-lo. (Assista ao vídeo)

No entanto, o problema é quando doenças mais graves são autodiagnosticadas pelos próprios pacientes e servem como pretexto para a compra de medicamentos. E não é em todo caso que os farmacêuticos deixam de vender um remédio por ser mais danoso ao cliente. Nas pesquisas realizadas pelo Daily, muitas mulheres chegaram a se automedicar para doenças crônicas como hipertensão, por exemplo, por acreditar no diagnóstico que elas encontraram no Dr. Google.

Bráulio Moraes estudante de medicina

Além da hipertensão, doenças como o câncer de mama e outros tipos de câncer e asma estavam entre os autodiagnósticos mais graves que apareceram na pesquisa. O estudante de medicina Bráulio Moraes está finalizando o curso e já atende pacientes em estágio há mais de um ano em Juiz de Fora. Para ele, estes dados que envolvem doenças crônicas podem ter duas razões. E uma delas envolve o próprio profissional da saúde. (Ouça parte da entrevista)

“A base do sistema de saúde funcionante é a informação, mas ela precisa ser bem conduzida pelo paciente ou ao paciente”, de forma que Bráulio acredita ser a busca pelo Dr. Google muito útil, se bem utilizada. Para ele, a informação deve estar disponível a todos, mas o que está no Google “não deve ser [enxergado] como base de verdade absoluta”.

Segundo Bráulio, esta responsabilidade é do profissional da saúde, que não deve ignorar o conhecimento que a pessoa trouxe.  É preciso apenas haver um diálogo entre médico e paciente, para que exista confiança entre eles e o próprio profissional da saúde esteja aberto a ouvir e mostrar quando preciso, que a pessoa está errada. Ele finaliza dizendo que esta troca é uma “forma de educar continuamente o paciente”.

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