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Atividades físicas podem auxiliar tratamento de crianças autistas

Exercícios promovem socialização e podem melhorar convívio social e familiar

Por Izabela Fonseca

Publicado em 19/08/2013

Atividades físicas para pessoas com autismo. Para alguns, realizar essa tarefa é algo complicado; para outros, é um prazer. A certeza é de que elas precisam de socialização. O autismo é um transtorno de desenvolvimento, caracterizado principalmente por alterações de comportamento, além das dificuldades de comunicação e interação social.

Foto: Izabela Fonseca

Atividades físicas podem melhorar convívio familiar e social de crianças com autismo

A empregada doméstica Neiva Fernanda Ribeiro, mãe de Ícaro Daniel Ribeiro de Souza, de 4 anos, comenta que o menino demorou um pouco para acostumar com as atividades, mas agora está satisfeito. “Ele não fazia atividade física porque ficava muito nervoso em contato com outras crianças. Depois que começou, ele passou a ser mais sociável. Já até aceita ir na cama elástica com um coleguinha. Antes, não; se tivesse alguma criança ou entrasse [outra], ele saía”.

Para a mãe, os exercícios físicos têm sido muito importantes tanto para o filho quanto para si mesma. “Eu estou adquirindo mais conhecimento e informação a respeito do autismo. Temos muito contato com outras mães, e há uma troca muito grande de experiências. E a coordenação motora dele melhora, até para pegar o lápis, ele está tendo mais concentração”, ressalta.

Os exercícios físicos podem direcionar crianças autistas na melhoria do convívio familiar e social, de acordo com a especialista Flávia Alves.  “Quanto mais atividade você der pra ele, pra ele poder estimular esse lado sensorial, que trabalha nos sentidos dele, melhor vai ser pra ele ter um convívio melhor na sociedade e trabalhar também nesse processo de inclusão”. Ouça.

Projeto

Em 2000, foi criado o Programa de Desenvolvimento de Atividade Motora Adaptada (Prodema), realizado pelo Núcleo do Grupo de Pesquisa em Inclusão, Movimento e Ensino a Distância (NGime) e pela Coordenação de Acessibilidade Educacional, Física e Informacional (Caefi) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). No programa, é executado o projeto de atividades físicas para crianças autistas, executado independentemente da pessoa, com intuito de complementar a saúde física e mental delas. Atualmente, oito crianças de 3 a 9 anos são atendidas.

Foto: Izabela Fonseca

Oito crianças são atendidas pelo projeto e as atividades são realizadas no ginásio da Faculdade de Educação Física e Desportos da UFJF

De acordo com a supervisora do projeto, Lívia Saço, o Prodema foi desenvolvido devido a uma carência do trabalho da atividade física, do trabalho corporal e reabilitacional e da integração social dos autistas. “A ginástica para os autistas é uma modalidade que exige o conhecimento de movimentos básicos, necessários para a realização das atividades cotidianas, e exige repetição para o aprimoramento das ações motoras”.

O resultado mais evidente do projeto é a interação social, mas há outros destacados pela coordenadora do programa. “Entendemos, também, que esta atividade contribui significativamente, além da estrutura corporal e mental, na formação social e, consequentemente, na formação educacional destas pessoas. Além disso, auxilia na formação de identidade social, ganho de independência em algumas atividades de vida diária e na formação educacional”, aponta.

Veja o vídeo que mostra como são realizadas as atividades.

O autismo

Conforme esclarece Lívia Saço, as pessoas autistas são caracterizadas pela acentuada falta de reconhecimento da existência ou dos sentimentos dos demais, pelas reduzidas capacidades de imitação, relação social e vias de comunicação adequadas, além de atividade imaginativa (como brincar de ser adulto) e anormalidade na comunicação não verbal. Além disso, apresentam anomalia na forma e no conteúdo da linguagem, movimentos corporais estereotipados, preocupação persistente por parte de objetos e limitação marcada de interesses, com concentração em um interesse particular.

Neiva Fernanda Ribeiro relata que passa por muitas dificuldades. “Eles não aceitam outras pessoas, escolhem só uma pessoa. Então, ficamos por conta. Há também o preconceito. As pessoas não entendem que eles têm uma dificuldade; quem olha não enxerga que eles têm um problema, porque aparentemente são iguais a qualquer outra criança, e acham que eles são mal educados”, desabafa.

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