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Carona solidária: viagens intermunicipais combinadas pela internet são moda entre estudantes

Sérgio Júnior

Postado 14/10/2013

Em Juiz de Fora, via Facebook, há mais de 20 grupos destinados a carona, alguns com mais de três mil integrantes. As pessoas que normalmente utilizam desse serviço são jovens universitários que buscam soluções mais baratas para visitar pais, amigos e namorados em cidades próximas a Juiz de Fora. Com perfil nas redes sociais, ele integra grupos virtuais em que é possível oferecer, pedir ou aceitar carona publicamente, embora os detalhes da viagem, como o valor a ser pago, sejam acordados por mensagens “inbox”.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG), no entanto, classifica a “carona solidária” como transporte clandestino de passageiros. O motivo é a existência de pagamento – chamado de “auxílio combustível”, “divisão de despesas” ou “ajuda de custo” -, vedado pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Para o DER-MG, existem 800 motoristas, inclusive de vans, em atuação – e em situação irregular – nas estradas da região.

De acordo com a economista Thais de Oliveira Bragança, o carona economiza parte do valor que gastaria com ônibus – a diferença entre o valor pago ao motorista e o cobrado nas passagens varia de 30% a 54%. O custo médio da carona (JF-BH) por exemplo, varia entre R$ 30 e R$ 40, enquanto a passagem de ônibus oscila de R$ 65,80 a R$ 76,75. Em contrapartida, o passageiro chega a pagar por três, considerando apenas o rateio do combustível utilizado na viagem de carro. “ Se a gente for comparar com as empresas de ônibus, a diferença do preço e da demora do deslocamento é realmente um atrativo. Se pensarmos que a grande maioria dos usuários desse serviço são estudantes, a carona solidaria faz ainda mais sentido.”, afirma Thais.

imagem

( Veja na imagem acima uma tabela produzida pelo Jornal Tribuna de Minas- 15/01/2013 –

valor atual  médio da gasolina em JF R$ 2,99 – R$ 3,05)

A constatação da economista é que os valores, em todos os casos, são superiores ao custo médio do km rodado em um veículo que seria utilizado especificamente para viagens. Estão incluídos não apenas gastos com combustível, mas valor do carro, depreciação, manutenção, consumo de lubrificantes, rodagem, seguro e licenciamento. Ao ser questionada se o aumento de caronas poderia desencadear em prejuízo para as empresas de ônibus, a economista Thais de Oliveira Bragança diz que dificilmente isso aconteceria, uma vez que essas empresas já trabalham com uma margem de lucro muito elevada.

Quem utiliza esse serviço diz não se importar com o fato de pagar um valor a mais para o dono do carro, pois de acordo com os caroneiros as viagens são muito mais personalizadas e flexíveis que as de ônibus. A estudante de Economia da UFMG, Duana Blach se diz satisfeita com as experiência que já teve em grupos de carona e afirma que na maioria das vezes os caroneiros acabam fazendo novas amizades e as viagens se tornam uma diversão.

Por outro lado, o estudante de Educação Física da UFJF, Ricardo Souza não teve uma boa experiência quando utilizou desse serviço. De acordo com ele, cerca de quatro meses atrás marcou uma carona por uma página no Facebook e ao chegar no lugar combinado do encontro o motorista não apareceu e ele perdeu uma entrevista de emprego agendada a meses na capital do estado. ” Esses grupos são legais, mas não dá para confiar em uma pessoa que você nunca viu. O ônibus demora mais, mas você tem a confiança de que a empresa vai cumprir as suas obrigações e se caso não cumpri você tem onde recorrer. Na carona é só um acordo de confiança mesmo”, afirma o estudante.

O que se vê é que cada vez mais a utilização desse serviço vem crescendo e apesar de ser contra a lei, os grupos de carona se tornaram a forma mais econômica e rápida de viajar para cidades vizinhas entre os jovens. O DER-MG, Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais, diz estar monitorando as redes sociais para  identificação quem oferece carona e a pratica de forma habitual, para que exista a interceptação nas estradas, além de operações realizadas em parceria com as polícias rodoviárias e blitz rotineiras. De acordo com a lei, o transporte de pessoas em carro particular, havendo cobrança e remuneração para o condutor, é ilegal.  Buscamos falar com o representante do DER-MG, mas até o fechamento dessa matéria a assessoria de imprensa não retornou as ligações.

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