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Mídias físicas perdem espaço cada vez mais

Por Igor Margato
Postado em 18/06/2014

Há alguns anos atrás, um filme novo, série ou um álbum musical levava pessoas às locadoras, as deixavam sentadas no sofá esperando o horário na grade da TV ou criava filas em lojas de CDs. Com a chegada da internet, a maioria destes processos foi alterado, e se engana quem pensa que estamos falando da pirataria online.

Muito pelo contrário, existem hoje (mas não de hoje) serviços que dão acessos à filmes e séries novos e antigos, músicas velhas e recém-lançadas e também videogames de qualquer época através de downloads legais. Alguns exemplos são, respectivamente, Netflix, Spotify e Steam.

Com isso vem uma outra questão: qual o destino das mídias físicas? Apesar de alguns colecionadores e outros que ainda são descrente desse mundo “invisível”, as compras de produtos e serviços somente digitais só crescem no Brasil. No ano passado, por exemplo, a Netflix registrou aumento de fluxo de dados por aqui. No Steam, serviço que disponibiliza jogos em formato digital (sem cds, dvds ou discos blu-ray) através de downloads legais, o Brasil é o segundo país que mais cresce. Na parte musical, o Spotify chegou ao país neste ano, mas há disponibilidade de outros serviços semelhantes aqui, como Rdio, Deezer e Napster, por exemplo.

A analista ambiental, Gisele Araújo, é um dos assinantes da Netflix e usa o serviço a dois anos. Segundo ela, não sente nenhum falta das mídias físicas. “A maioria de filmes, shows, músicas que vejo ou ouço são pela Netflix ou baixadas na internet”. Ela também diz que “a vantagem [em ter uma assinatura] é que posso acessar a Netflix em vários locais com apenas uma conta. Ter vários filmes a disposição é uma grande comodidade”.

Página inicial quando Gisele acessa sua conta no Netflix via tablet

Página inicial quando Gisele acessa sua conta no Netflix via tablet

Na área musical, o biólogo Alan Bonner usa o Spotify e só vê vantagens no serviço de streaming musical. “Amo mídia física, mas sinto pouca falta devido ao preço. Se eu tivesse que comprar todos os álbuns que ouvi até hoje com dois meses de conta eu estaria sem dinheiro nenhum para mais nada”, ressalta Alan. Segundo ele, as únicas desvantagens são a ausência de algumas e o excesso de propagadas na versão free. Porém, o último contraponto é balanceado pelo preço da conta “bastante acessível”, segundo ele que ressalta outras vantagens: “biblioteca de música enorme, ótima qualidade do streaming, os serviços de rádio e playlist, o aplicativo moblie que é excelente e a sessão “Descobrir”, pela facilidade que dá de pesquisar por coisa nova e que coincidem com meu gosto musical”.

Quem também utiliza serviços assim é o personal trainer Daniel Martins. Ele, por sua vez, desde 2010 usa o Steam, que funciona como uma loja e uma distribuidora online de jogos para computador e diz não sentir falta de mídias físicas.

Biblioteca de jogos comprados por Daniel no Steam

Biblioteca de jogos comprados por Daniel no Steam

“Não tenho lugar para guardar, junta poeira e acaba atrapalhando no dia a dia. Fora a contramão que é ir até a loja pra comprar o jogo, esperar datas de lançamento e disponibilidades. Mídia física, se possível, nunca mais”, diz o personal.

Segundo Daniel, o serviço tem preços muito melhores do que lojas físicas por lidar com volume muito maior de vendas. E esse ainda é a maior desvantagem: causa obsessão em comprar sempre mais jogos, ressalta ele. Mas assim com Alan no caso do Spotify, Daniel vê mais coisas boas do que ruins: “compra e uso imediato, sem sair de casa. Descontos muito acima da média e promoções com vários jogos ao mesmo tempo. Possibilidade de salvar “na nuvem”, pré- carregamento para jogar no dia do lançamento, uma enorme comunidade, suporte online”.

 O outro lado da moeda

 Por outro lado, sem tocar no âmbito da pirataria e se mantendo ao comércio legal, algumas pessoas tiveram e estão tendo que se adaptar às novas possibilidades dadas pela internet.

 Dono de uma locadora de filmes no centro da cidade há seis anos, Bruno Delgado diz ter passado por toda crise (no sentido comercial) da popularização da internet. Segundo ele, aconteceu uma clara diminuição das locações. “É claro que diminui. Mais que a Netflix, pra mim o vilão é a pirataria. Mesmo assim ainda tem gente que prefere pagar uma quantia e só inserir o disco pra ver a hora que quiser, sem ter que ligar nada na internet”.

Fachada da locadora de Bruno - comércio local que persiste mesmo com a internet

Fachada da locadora de Bruno – comércio local que persiste mesmo com a internet

Mesmo assim, Bruno sentiu a necessidade de mudar um pouco seu público e hoje, além dos filmes e séries para aluguéis, ele vende cartas de jogos de tabuleiro e algumas bebidas. “Às vezes as pessoas estão escolhendo e tomam alguma coisa e no fim do mês, claro que ajuda”, diz Bruno. “Mesmo assim, o público de uma locadora é o que mora ou trabalha perto da sua localização. No fim, acho que a locadora só deixou de ser a única opção, mas quem quer comodidade procura a gente”.

Por outro lado, Suellen Lima mudou mais o negócio. Ela e seu marido possuem uma loja que, hoje, se mantém através da venda de equipamentos para videogames entretenimento. Porém, há oito anos atrás era de locação de filmes que os dois viviam. Confira a entrevista completa abaixo:

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