Skip to content

Mais solidariedade e menos preconceito

Mãe e filho adotivos compartilham histórias de como é acolher e ser acolhido na família.

Iara Campos

Postado em 30 de junho de 2014.

Crianças em abrigo

Apenas uma em cada 8,15 crianças abrigadas está apta para adoção.

Em todo o Brasil, em torno de 5,4 mil meninos e meninas estão aptas a serem recebidas por novas famílias, de acordo com os últimos dados divulgados do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA). Segundo estatísticas do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), o perfil dessas crianças e adolescentes aponta para um número maior de meninos (56%) do que meninas (44%) e, quanto à questão racial, duas em cada três crianças são pardas ou negras. Menos de 5% tem entre zero e três anos de idade, enquanto 77% deles já passaram dos 10 anos.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), divulgados pelo portal da Folha, apontam que as exigências dos casais que desejam adotar uma criança têm diminuído a cada ano. Entre 2010 e 2014, a proporção de pretendentes que só queriam uma criança branca caiu em 10% e a dos que consideram a cor irrelevante, cresceu de 29% a 42,5%, o que aumenta as chances de mais crianças encontrarem uma família.

O JF Hipermídia foi às ruas de Juiz de Fora para saber se as pessoas adotariam ou não uma criança e por quê. Veja no vídeo a seguir o que elas responderam.

Histórias de adoção

Alice Barge, hoje tem 17 anos

Maria Celina com a filha Alice, que hoje tem 17 anos.

A pediatra e homeopata, Maria Celina Mattos, tem seis filhos por adoção. O mais velho tem hoje 18 anos, depois vem uma menina que tem 17, outra de 16, duas meninas com 13, mas não são gêmeas, e a mais nova tem seis anos. Maria Celina conta que o processo de adoção ficou mais regulamentado com o tempo. “Nos três primeiros filhos, ainda não existia o cadastro. Eles vieram e, em seguida, eu fui procurar um advogado para resolver toda a parte jurídica. Naquela época era assim, saía no Diá rio Oficial para chamar as famílias, aí quando elas não apareciam, nós podíamos fazer a adoção”. A partir do terceiro, a pediatra já precisou se cadastrar.

As duas filhas de Maria Celina que foram adotadas a seguir já eram maiores, uma com seis anos e a outra com três anos e meio. “Elas estavam em uma casa de passagem. Aí ligaram para a gente, avisaram que tinham essas duas crianças e nós fomos lá, fizemos o cadastro e, como ninguém queria porque eram crianças maiores, a fila correu e elas vieram para a gente”, comenta.

A história da filha caçula da médica Maria Celina foi diferente. Ela foi adotada com apenas seis dias de vida. “Quando me telefonaram para dizer que tinham um bebê tão novo eu estranhei, perguntei se não tinha nenhum casal na espera, porque todo mundo quer recém nascido. Aí me explicaram que a fila já tinha corrido 23 nomes e eu era a 24ª”, conta. Segundo a pediatra, ela perguntou, então, por que a fila estava andando tanto e ninguém queria a criança. “Responderam ‘é por causa da cor’. Aí eu decidi ‘é pra já, estou adotando esse neném agora’”, lembra.

Maria Celina comenta que nunca escondeu dos seus filhos que eles foram adotados. “A gente vê que tem até em algumas novelas com histórias de adoção, eles assistem, entendem e a gente conversa sobre isso tranquilamente. E eu tenho muito amor, para mim é igual ‘filho de barriga’, não tem diferença nenhuma. Nos três primeiros filhos eu cheguei até a ter leite”, conta.

O estudante universitário Caleb Ido de Abreu foi adotado quando era recém-nascido, “saí da maternidade e já em seguida fui para a casa dos meus pais adotivos”. Ele conta que foi adotado por uma opção do pai, que “já tinha três filhos biológicos e dois filhos adotados e ele queria mais um”.

Para Caleb, a adoção é uma oportunidade. “Se eu tivesse ficado com a minha mãe biológica, eu não teria tantas condições como eu tenho hoje.” Ele comenta que não tem receio nem vergonha de falar que é adotado. “Eu sou negro, e na minha família, a parte da minha mãe é japonesa e a parte do meu pai é brasileira. Então os dois são brancos e, quando eu falo que sou filho deles as pessoas desconfiam. Mas como fui criado desde pequeno com os meus pais, eu não sinto nenhuma diferença pelo fato de eu ser de outra cor e ser adotado. Eles são mesmo uma família para mim”, finaliza.

Psicóloga orienta como evitar problemas pós-adoção

A psicóloga Matilde Drummond afirma que é importante que a criança saiba desde o início que ela é adotada. Ela explica que “se for para os pais adotivos ainda quando bebê, os pais devem falar com carinho, enquanto cuidam dela, trocam frauda, dão banho, que ela é filha do coração deles. A relação honesta desde o começo facilita para os próprios pais quando a criança começar a questionar de onde ela vem e qual é a história dela”.

Segundo Matilde, é natural que a criança tenha uma curiosidade de saber quem são os pais biológicos. “Se a criança tiver interesse em conhecer os pais biológicos, os pais adotivos devem esperar até que a criança esteja madura para isso. Quando a criança ainda muito pequena questionar sobre esse assunto, é recomendado contar a história de que ela foi bem recebida, que eles quiseram muito ela, que a escolheram porque ela é especial para eles e que num futuro, se conseguir localizar os pais, ela poderá conhecê-los, se ainda tiver interesse”, exemplifica a psicóloga.

A psicóloga comenta também sobre a adoção homoparental, ou seja, por um casal de homossexuais. De acordo com ela, o que importa em qualquer relação entre pais filhos é o afeto. “Entre parceiros homossexuais também é assim, mas os pais precisam ter um cuidado: se dois homens adotam uma criança, é importante ter por perto uma presença, uma referência feminina, que pode ser uma amiga ou um parente. Se forem duas mulheres, é a mesma coisa”, alerta.

Entenda como funciona o Cadastro Nacional de Adoção.

Conheça todas as etapas do processo de adoção.

Veja informações sobre adoção de crianças em Juiz de Fora.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: