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Maneiras de lidar com a violência

Gilberto Faúla
publicado em 14/10/13

O relato no vídeo acima da estudante de Artes e Design da UFJF, Isabela Lara, pode ser o mesmo de muita gente que mudou seus hábitos por causa da violência urbana. São pessoas que não andam sozinhas à noite, deixam os vidros do carro sempre fechados, evitam lugares com pouca circulação. No entanto, há diferentes maneiras de lidar com a violência. Por exemplo, há casos de pessoas que ficam traumatizadas, outras que criam um medo equivocado e aquelas que preferem levar pelo caminho do humor, através das redes sociais.

O que Izabela imagina sobre o Bairro Dom Bosco é um pensamento comum entre as pessoas. Criar uma aversão à um lugar que se ouvi dizer que é perigoso, sem mesmo conhecê-lo pessoalmente, é uma característica de uma espécie de paranóia, chamada pelos especialistas de aprendizagem vicariante. O psicólogo e professor da Faculdade de Psicologia da UFJF, Ricardo Kamizaki, explica o que é esse tipo de comportamento cognitivo e demonstra que as pessoas não deveriam ter tanto medo assim de alguns lugares famosos por assaltos na cidade, por exemplo.

Passar por uma situação de violência, como um assalto, pode causar um trauma na vítima, um quadro psíquico denominado estresse pós traumático. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, aproximadamente entre 15% e 20% das pessoas que, de alguma forma, estiveram envolvidas em casos de violência urbana sofrem deste transtorno. Reviver os momentos do crime, lembrar do episódio violento podem criar manifestações do transtorno causando depressão, síndrome do pânico, isolamento social e até dores físicas.

Para esses casos, o professor Ricardo Kamizaki traz recomendações:

Por outro lado, nas redes sociais existem páginas (fun pages) que tratam com humor assuntos que aparentemente não tem graça. É o caso da página no Facebook do “101 lugares para ser assaltados em Juiz de Fora”. Criado no início deste mês de outubro, a fun page destaca alguns lugares preferidos pelos assaltantes e os classifica a partir do nível de presença policial, violência praticada, possibilidade de escape, prejuízo médio e emoção. Confira uma entrevista com um dos idealizadores do perfil. 

O sociólogo e professor do Programa de  Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFJF, Paulo Fraga comenta a iniciativa. “ É uma solidariedade com o outro, já que a pessoa passou por uma situação localizada. Mas, na verdade essa é uma forma de se defenderem e protestar. É uma denúncia com ridiculariazação de uma situação que não é engraçada, mas é uma forma de protesto.”

Ainda segundo o professor Paulo, as autoridades deveriam ficar mais atentas a esses movimentos nas redes sociais. “Como são crimes de baixa violência, as pessoas não costumam se mobilizar e as autoridades muito menos. As autoridades deveriam ficar mais preocupadas, ora se a comunidade sabe, as autoridades também sabem”.

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