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Resultado de pesquisa do IPEA gera protesto sobre violência contra a mulher

Na última quinta-feira, uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelou que 58% dos entrevistados acreditam que “se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros”. Além disso, 42% acreditam que “a mulher é culpada pela violência sexual”.

Muitas juiz-foranas têm alguma recordação de atentados ou abusos sofridos nas ruas ou em transporte público. A universitária Vanessa Ferreira lembra de um episódio recorrente de quando estudava em um colégio estadual, localizado na rua Oscar Vidal: “Tinha um senhor, de aproximadamente 60 anos, que andava pela rua abaixo da escola e passava pelas meninas com a mão no pênis ou com a língua para fora fazendo insinuações”.

Em Juiz de Fora, a Central de Atendimento à Mulher, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, recebe mulheres 24 horas por dia.

Em Juiz de Fora, a Central de Atendimento à Mulher, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, recebe mulheres 24 horas por dia.

Ana Cristina de Freitas Melo e Ana Luísa Sousa, ambas alunas do Bacharelado Interdisciplinar da UFJF, têm experiências piores. A primeira andava pela Rio Branco quando um homem veio em sentido oposto e tentou passar a mão em seus seios. Como reflexo, a estudante desviou e o rapaz tocou em sua barriga e pernas. Já Luísa, sofreu abuso ainda criança. Quando tinha 11 anos, enquanto ia para escola, foi parada por um homem de bicicleta pedindo informações que, na hora de agradecer, apertou seus seios.

A futura economista Vanessa Ragone conta sobre a inconveniência de alguns homens que aproveitam da lotação de transportes públicos para abusarem das mulheres.

Todas as entrevistadas deixam explícito os conflitos sentimentais decorrentes desse tipo de violência.  Mesmo sendo vítimas, sentiram-se envergonhadas e culpadas após os episódios. “Passei alguns minutos perdida, meio que tentando entender o que eu tinha feito para aquilo acontecer”, lembra Cristina.

Vanessa Ferreira crê que a culpabilização da mulher é decorrente de uma sociedade ainda patriarcal e machista. Para lutar contra o pensamento retrógrado de muitas pessoas, o movimento “Não mereço ser estuprada” surgiu e vem ganhando forças nas redes sociais e nos noticiários. Mais de 50 mil pessoas curtem a página no facebook e, a cada dia, diversos internautas, entre homens e mulheres, enviam suas fotos de protesto.

A jornalista Paula Duarte apoia o grupo porque considera os números de casos de violência contra a mulher assustadores. Por isso mesmo, para ela, o resultado da pesquisa do IPEA não é surpreendente: “Não são apenas números frios. Por exemplo, na UFJF ocorreu um estupro que não foi punido. Nessa época, eu frequentava cotidianamente a universidade e me assustei com a reação dos estudantes.  Em vários ambientes, vi a vítima ser criminalizada e o caso virar piada.”.

Foto de Paula Duarte em apoio ao movimento “Não mereço ser estuprada”.

 

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